terça-feira, 19 de julho de 2016

Mácula da Sanidade - Parte 4

Manuscrito em Sangue


Segundo a ficha de internação, Ardois Bonnot era filho único de Louise Anne e Thyerre Bonnot. Seu pai, assim como o irmão dele Giancarlo Bonnot, era conhecidos ladrões de grandes valores. Suspeitos de assaltarem desde bancos do interior da França até mansões de luxo, assim como a do Dr. Noble e sua esposa.

Ardois havia sido internado a pouco mais de duas semanas após ser encontrado delirando e aos prantos no Porte de Maguelone em Montpellier, o relatório do policial que o encontrou dizia que Ardois praguejava a respeito das cores estarem erradas e que inclusive havia tentado o ferir atingindo seu olho com um instrumento pontiagudo, que não foi encontrado após a confusão.

Para os médicos, a principio ele sofria de distúrbios de personalidade e um quadro de psicose latente. O que particularmente tornava as coisas muito mais intrigantes é que, os diagnósticos do Dr. Noble, marido da vítima e médico que cuidava do caso dele, estavam em branco.

Da sala do diretor até o isolamento onde Ardois esteve internado foram cerca de 6 minutos de prantos e ranger de dentes, uma cacofonia constante tomava conta daquele lugar. Cada corredor e escadaria parecia emanar uma impressão de agonia, mas ao observar meus dois companheiros, Marchan e Ezekias, eu percebi ser o único incomodado com aquele ambiente. Nunca havia estado em um lugar tão perturbador em toda minha vida.

A enfermeira, acostumada com aquela loucura, seguia inabalável pelo corredor mal iluminado que terminava no quarto de Ardois Bonnot, ali o mistério começava a tomar forma.

A umidade reinava naquele pequeno curral humano, lodo escorria por cima da porta e o chão só não era mais sujo que a tampa da latrina. porém nada daquilo impressionava mais que as paredes ao nosso redor. Era como se estivéssemos contemplando uma exibição Tenebrosa de Doré em exposição nas catacumbas de paris.

Estranhos escritos na parede em frente a porta eram as boas vindas ao aposento. O que parecia ser uma frase de recepção deixada pelo, até então, lunático Ardois Bonnot não eram garranchos desestabilizados por dedos nervosos ou conduzidos por uma mente deteriorada. As escritas eram pincelada com precisão e equilíbrios inigualáveis, porém indecifrável para minha limitada capacidade de linguística e, estavam todas manuscritas em Sangue.



- Também estou confuso meu amigo. - disse Marchan apontando em direção aos diferentes destaques das escrituras. - Mas posso perceber que existem diferentes tipos de linguagem aqui.

Ele tinha razão, apesar de tudo parecer em código, haviam muitos tipos de códigos. Letras, Números, símbolos conhecidos e inúmeros desenhos hieróglifos. E tudo aquilo ainda não era o prato principal.

O aposento possuía uma carga ainda mais pesada, estava muito abafado e, a iluminação precária parecia temerosa em expôr a claridade o restante do ambiente. Depois de compreender os detalhes do que teria acontecido ali, eu teria certeza de que na verdade era o ambiente em si que ofuscava a luz.

Em seu espaço limitado, Bonnot havia transformado sua pequena prisão em uma obra de arte, uma moldura de seus horrores que parecia viva aos olhos de seus espectadores.

Enquanto todos absorviam o impacto visual, Ezekias continuava sua explanação a respeito do que havia descoberto sobre A. Bonnot.

"Antes de se juntar a gangue Bonnot, Ardois havia tentado aderir a vida artística como pintor, mas ele nunca conseguiu ascender a fama. Nas palavras de alguns jornais locais seu trabalho em tela era descrito como medíocre e repugnante."

- Repugnante talvez, mas não vejo nada de medíocre nisso.

"Em suas únicas duas exibições ele vendeu apenas 3 de suas 17 obras. Teve uma carreira curta e depreciativa. Após isso ele se voltou para o ofício de tradutor e redator de textos em francês, inglês, aramaico e bávaro."

Junto a o relato Ezekias trazia consigo algumas fotografias com ilustrações das principais pinturas de A. Bonnot.
Não precisava de muita análise para perceber que aquela obra macabra nas paredes do sanatório Arles estava claramente muito acima de sua capacidade, na verdade eu não conseguia pensar em alguém com talento qualificado para algo como aquilo, nem mesmo doré.

A imagem a nossa frente estava em tamanho real e possuía detalhes emoldurados em alto relevo.

No centro da parede havia uma figura imponente de anatomia humana, porém com a sexualidade que eu não conseguia definir. O humanóide estava assentado sobre um trono dourado, era esguio e utilizava vestes desgastadas e uma máscara cromada que cobria quase todo o rosto.
Seus olhos pareciam nascer da máscara e seu olhar transmitia terror e agonia. Em qualquer lugar do aposento seus olhos pareciam me perseguir.

O trono possuía inscrições e, aos seus pés estrelas marinhas jaziam mortas, um detalhe que se percebia olhando mais de perto as pequenas manchas e cortes, alguns desmembrados e outros esmagados. Mais afastada podia-se perceber pequenas sombras que pareciam prostradas ao seu redor, talvez em adoração, dando a impressão de que toda morte ali foi em sacrifício a ele.

Ezekias novamente quebrou o desconfortável silêncio.

- Foi aqui que encontramos os instrumentos e matéria prima que ele utilizou para pintar a moldura na parede.

Num canto escuro abaixo da cama havia uma pequena passagem de ar, uma abertura na parede isolada por uma grade de ferro em 'X'. Do seu interior um odor pútrido sugeria a presença de roedores mortos.

Ezekias nos trouxe uma pequena caixa de porcelana e peças de bronze, nada muito intrigante, seu interior era isolado por uma abertura lateral que se arrastava para abrir.

A caixa é todo o seu conteúdo já haviam sido analisados por alguns estudiosos locais a pedido da delegacia do distrito de Arles.

Apesar da aparência de uma caixa comum, a definição de normal era outro no universo de apetrechos infames dentro da caixinha de porcelana.

O pequeno painel da caixa era separado em 4 partes diagonais e uma vertical, onde havia 10 espaços em circunferência.
Na primeira parte haviam pincéis confeccionados e revertidos rusticamente de couro e pelos de animal.
Na segunda parte dois instrumentos que bastante afiados que pareciam estiletes, os dois criados a partir de ossos.
Na terceira parte haviam pequenos objetos redondos de diferentes tamanhos entre si, alguns ressecados e outros viscosos. Pareciam olhos e talvez fossem.
Na quarta parte não havia além de uma chave de bronze já oxidada.
Na parte vertical, as circunferências estavam preenchidas de líquidos e pastas que pareciam representar uma paleta de cores.
Bile Negra, Bile amarela, Fleuma, Sangue e etc...
Segundo os especialistas todas as substâncias ali poderiam ser encontradas no corpo humano.

Após algum tempo ali, saímos com mais perguntas do que respostas.
Voltamos para Marsella analisando os relatórios enquanto Ezekias em silêncio nos conduzia de volta ao distrito de Saint Giniez.

Não era difícil saber o quão próximos estávamos, cada kilômetro mais perto do distrito, maior era o cheiro de maresia.

- Lamar as horas já são muito avançadas. Vou pedir que Ezekias me deixe em casa e depois quero que vá com ele até a Delegacia, faça o registro dos relatório dos especialistas do distrito de Arles e depois faça o mesmo que eu.

- Eu acho que vou analisar com mais cuidado antes de dormir.

- Não volte muito tarde para seu apartamento.

- Eu já sou bem crescidinho Inspetor. - respondi esperando um pouco de sarcasmo, mas Marchan não estava falando nesse sentido.

- A Noite é escura e cheia de horrores meu jovem.

As palavras dele me atingiram como uma flecha de gelo.

- O que isso significa Inspetor?

- Apenas algo que li em algum livro ou revista. Apenas faça o que eu disse Lamar, vá descansar.

Eu não obedeci, como de costume.
No dia seguinte ele me acordou no escritório com uma xícara de café. Passamos o resto da semana sem novidades, até que tivemos uma.

Um especialista em linguística havia decifrado partes das inscrições com o que ele definiu ser uma sentença.

"Eu cumpri minha pena e agora eu vou sair."

Na manhã seguinte recebemos um comunicado da polícia de Arles.
Bonnot foi visto invadindo o sanatório, oficiais foram chamados para conter a situação mas não o encontraram.
O quarto em que ele havia sido isolado porém, havia sido destruído, as pinturas na parede haviam desaparecido e a abertura abaixo da cama onde foi encontrado a caixinha de porcelana estava arrombada.

Não ouvimos falar mais de Ardois Bonnot por um bom tempo, até o dia em que ele apareceu no nosso escritório.

Confira a história toda na sessão Contos & Mythos

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Os Melhores Livros sobre Zumbis


Super interessantes, que prendem você a cada pagina lida, historias surpreendentes que te enchem de medo e curiosidade. A maioria dos livros sobre zumbis são mais sobre os sobreviventes do que sobre os monstros em si, e aqui você vai encontrar de tudo, desde intrigas políticas até romances góticos inoportunos em meio ao fim do mundo (Os livros não estão em ordem de importância).


Frankenstein: Mary Shelley


Mary Shelley, desafiada a escrever um conto sombrio e fantasmagórico, deu vida a um cientista e sua criatura, sua obsessão, seus sentimentos e escolhas, ações tão complexas cujas conseqüências arrastariam com ele - num turbilhão de angústia, morte, consciência, vingança e dor - todos os ideais, a moral e os seres que mais amara.

Victor Frankenstein era jovem, acreditava na ciência e no progresso. Ah, a ciência, o moderno Prometheus do título buscando o fogo sagrado do conhecimento, desejoso de “roubar” o dom de criar a vida. Era curioso, ousado, não teve medo, não teve pudor e, obcecado por sua experiência, rompeu limites enquanto sonhava a imortalidade para o homem. Victor Frankenstein desejava vencer a morte.

“Eu seria o primeiro a romper os laços entre a vida e a morte, fazendo jorrar uma nova luz nas trevas do mundo (...). Ressurreição! Sim, isso seria nada menos que o poder de ressurreição.”

E ele o fez. Criou a vida a partir de matéria morta. Mas ao conseguir, se revelou fraco, amoral e medroso. Ao criar a vida e com ela, uma das criaturas mais comoventes e sombrias da literatura universal, simplesmente fugiu. A criatura, que posteriormente seria conhecida pelo nome do seu criador, não trouxe consigo a beleza, e justamente essa ausência do belo a tornaria horrenda aos olhos dos homens, uma presença do “feio” que despertava reações de agressão e perseguições. No entanto, era sensível, sofria, aprendeu sozinha as lições que o mundo lhe deu.

“Eis que, terminada minha escultura viva, esvaía-se a beleza que eu sonhara, e eu tinha diante dos olhos um ser que me enchia de terror e repulsa.”

O “monstro” gigantesco e horrendo, apresenta-se de forma complexa, alternando comportamentos de mais pura bondade e desejo de aceitação para, com a rejeição da sociedade, desenvolver um comportamento cruel e vingativo.

"(...) ferido pelas pedras e toda sorte de objetos, que me arremessavam, fugi para o campo aberto e, cheio de medo, busquei refúgio numa cabana acachapada."

Assim como Victor, que ora nos convence e até comove a ponto de ter a simpatia do leitor, por vezes nos enerva e causa revolta, a criatura nos assombra, nos enche de melancolia e espanto. Estes dois personagens não são planos, Mary Shelley os fez de forma que podem nos levar a sentimentos opostos em poucas linhas.

"Também eu posso criar desolação! O que me fizeram com a vida, pago com a morte. Meu inimigo não é invulnerável. Esta morte há de causar-lhe desespero, e mil outras desgraças o atormentarão até destruí-lo."

Criador e criatura, quem seria de fato o monstro? Não posso negar que me fiz essa pergunta algumas vezes durante a leitura.




Herbert West – Reanimator: H. P. Lovecraft


"Herbert West Re-Animator" escrita originalmente por H.P. Lovecraft foi publicada na forma de uma série de contos curtos em jornais e revistas mensais entre outubro de 1921 e junho de 1922.


Contada do ponto de vista de um narrador não identificado, a estória tem uma tétrica introdução:

"De Herbert West, que foi meu amigo na universidade e na vida posterior, só posso falar com extremo terror. Esse terror não se deve de modo algum à maneira sinistra pela qual ele desapareceu recentemente, sendo resultado da natureza geral do trabalho de sua vida, que na sua forma mais aguda, conheci pela primeira vez há mais de dezessete anos, quando cursávamos o terceiro ano da Escola de Medicina da Universidade Miskatonic, em Arkham".


A estória apresenta um estudante de medicina que se envolve com o notório, porém brilhante, Dr. Herbert West, o protagonista que dá nome ao conto. A fama de West decorre de suas experiências mórbidas com animais mortos e com o desenvolvimento de uma fórmula química por ele inventada, capaz de reanimar tecido morto e conferir às suas cobaias um aspecto de vida. Em sua arrogância, West acredita que seu experimento um dia será capaz de trazer humanos mortos de volta à vida, essencialmente tapeando a morte. É sobre as experiências de West e seu colega que trata o conto, concentrando-se na gradual loucura que se apossa de West. Em meio à sua obsessão, ele acaba recorrendo a artifícios imorais e antiéticos como roubar corpos do necrotério e injetar sua fórmula em pessoas inocentes. À medida que seus experimentos falham, West parece disposto a qualquer coisa para vencer a morte, inclusive se alistar no Corpo Médico durante a Grande Guerra a fim de ter à sua disposição um sortimento interminável de cadáveres frescos.


Eu sou a lenda: Richard Matheson


É 1976. Sete meses atrás uma pandemia transformou os seres humanos em predadores movidos pela sede de sangue. Até onde sabe, Robert Neville foi o único não afetado pela doença. Esta é a história de sua sina, e de como ele convive com ela.





Eu sou a lenda não é um livro tão influente à toa. Pra começar, as 16 páginas iniciais foi tudo que Richard Matheson precisou para nos mergulhar na rotina monótona e solitária de Robert Neville, e nos tornar tão prisioneiros quanto ele do inferno que o cerca quando a noite cai e “eles” voltam a amotinar sua casa. De cara dá pra notar o quanto a história influenciou desde os filmes de George Romero até as obras de Stephen King, que escreveu o prefácio da edição da Aleph.


Matheson traçou um cuidadoso retrato da dolorosa e claustrofóbica solidão de um homem que se vê como o único dotado de racionalidade e livre arbítrio em seu mundo. O realismo com que descreve o cotidiano solitário de Neville é o que faz do livro uma jornada literária inesquecível. Sua escrita possui uma sobriedade pungente e uma precisão exemplar, e jamais perde de vista o ser humano cuja história está narrando.





O Cemitério: Stephen King


"O Cemitério" (Pet Sematary no original) é conhecido por ser o livro que Stephen King supostamente "achava tão assustador que não devia ser publicado", e esse comentário se tornou a base para toda a campanha de marketing por traz do lançamento do livro. Isso e o fato do autor se negar a participar da campanha, dar entrevistas ou apoiar sua divulgação.

Em uma entrevista dada no ano seguinte ao lançamento de "O Cemitério", King disse, "Se eu pudesse escolher, provavelmente não teria publicado esse livro. Eu não gosto dele. É um livro terrível - não pela escrita, mas pelo conteúdo profundamente dark. Ele parece dizer que no final das contas não há esperança, que nada que se faça no final vale a pena, e eu realmente não acredito nisso".

O livro se inicia quando Louis Creed e sua família - a esposa Rachel, a filha Ellie, e o bebê Gage, se mudam de Chicago para uma casa em Ludlow, no Maine onde Louis assume o emprego como chefe de Enfermaria na universidade. A infame Rota 15 passa bem em frente de sua casa, o que deixa ele e sua esposa apavorados de ter que atravessar a rodovia e topar com um caminhão a alta velocidade. Do outro lado da estrada vive um simpático idoso chamado Jud Crandall e sua esposa, Norma. Os Creed rapidamente se acomodam em seu paraído suburbano, até que o gato de Ellie, Churchill, é atropelado por um automóvel na Rota 15. Sabendo que Ellie vai ficar devastada pela morte de seu bichinho de estimação, Jud leva Louis através da floresta "para lhe fazer um favor" .






As crianças das redondezas construíram um cemitério para animais que morrem na autoestrada, o "Semitério de Bichos", o lugar fica bem atrás da casa dos Creed, numa área selvagem de Ludlow. Acontece que mais atrás, oculto por uma barreira natural existe um cemitério indígena construído pela tribo Micmac há séculos. Louis enterra Churchill nesse lugar sinistro, e o gato acaba voltando à vida.

Mesmo que você, assim como eu, tenha visto o filme, não pense que ler o livro não terá graça por conta dos spoilers de conhecer a estória. Muito pelo contrário, ler "O Cemitério" é muito mais gratificante, talvez até por saber como as coisas vão terminar a sensação de temor acaba sendo amplificada. Logo após terminar o livro, decidi assistir "O Cemitério Maldito" no final de semana de Halloween, o filme continua legal, mas não chega aos pés do livro.

A maneira como "O Cemitério" faz com que encaremos a dura face da perda é por si só assustadora, mas não menos intrigante. Eu repito várias vezes que a obra de Stephen King tende a ser inconstante e que para cada 5 livros publicados, ele acerta em apenas um. Mas neste em particular, ele acerta em cheio, tecendo uma fábula de horror moderna simplesmente aterrorizante que vale a pena ser lida.


A Floresta de Mãos e Dentes : Carrie Ryan




A história é sobre Mary, uma jovem que vive numa aldeia temente à Deus e cega pela ignorância após a praga da infecção zumbi ter assolado o mundo. A aldeia é cercada por grades de metal que protegem seus habitantes dos Esconjurados – como a aldeia chama os zumbis – que vivem todos numa floresta densa e misteriosa que ninguém jamais ousou cruzar. Alguns contam histórias sobre o que há além daquelas árvores e, um desses “alguns” é a mãe de Mary, que passa todas as suas esperanças de um local intocado pela praga para sua filha. E, por isso, Mary é um jovem sonhadora, que vive contando histórias para todos sobre o oceano, que ela diz ser um lugar intocado por tudo aquilo que os apavora.

Essa sociedade pós-apocalíptica tem como “líderes” as Irmãs, que mexem com as cabeças de todos os aldeões, falando sobre Deus e como os que viviam antes do Retorno o irritaram. Elas comandam também os guardiões, uma espécie de guardas que vigiam as redondezas e cuidam para que nada saia do controle – além de garantir a ordem se algo sair dos trilhos. As pessoas não sonham, como Mary, e continuam a sobreviver, normalmente, como se nunca pudesse existir – ou ter existido – algo além daquilo que eles chamam de vida.

Celular : Stephen King



Em Celular, Clay Riddell é um desenhista de histórias em quadrinhos em ascensão. Em uma viagem à negócios, ele deixa sua ex-esposa e o filho pequeno noMaine, enquanto aguarda em Boston num dia de verão, até que o inferno instala-se no local. De repente, todos as pessoas que estavam usando o aparelho celular enlouquecem num ataque que poderia ser descrito como zumbi.

O cenário pode parecer completamente irreal, mas assim também acontece aos olhos do protagonista. Ao observá-lo em ação, sentimos como se aquele mundo apocalíptico fosse uma triste (e bizarra) realidade, nos deixando mais próximos e solidários aos dilemas de Riddell. Não demora para um tornar-se três, formando um trio improvável de aventureiros, completo com a presença de Tom McCourt e Alice Maxwell, uma adolescente de 15 anos. Ademais, cada personagem, por mais passageiro e secundário que seja, deixa sua marca de forma vital e necessária para a completa contextualização do que está ocorrendo, sem despropósitos ou cenas descartáveis.

Inseridos na jornada de Clay e seus amigos em direção ao Maine, o trio, e o leitor, depara-se com o que a humanidade pode fazer de pior, e descobrem até que ponto os seres humanos e o seu instinto de sobrevivência podem chegar quando ameaçados. Vemos uma realidade onde os inimigos não são apenas os mortos-vivos (conhecidos na história como fonáticos), algo que não estaria muito longe do que encontraríamos caso defrontados por um cenário apocalíptico.

Em meio ao desespero, King adentra questões sobre a natureza humano e sua inclinação para o bem e para o mal, além da importância de laços sólidos para nos manter firmes em situações limites. Claramente escrito por alguém com extremodomínio e habilidade, é certo que a narrativa hipnótica e marcante do mestre do terror consegue envolver até as mentes mais inquietas. Publicado em 2006 nos Estados Unidos, King declara, ao final do livro, não possuir um aparelho celular.

Sangue Quente : Isaac Marion



R é um zumbi meio diferente dos outros que se encontram naquele meio. Ele não se lembra de nada do que aconteceu com sua vida e de todos, só de acordar e encontrar-se morto. Não lembra de seu nome verdadeiro, os momentos importantes de sua vida, nele ainda possui algo diferente, algo que o faz recordar um pouco de sua consciência. Uma espécie de morto com sentimentos, até mesmo na hora de se alimentar. Sim! Falo de cérebro.

“Estou morto, mas isso não é tão ruim. Aprendi a conviver com isso. Desculpe não me apresentar da forma correta, mas não tenho mais um nome. Dificilmente algum de nós tem um. Nós os perdemos, como perdemos chaves de carros, os esquecemos como esquecemos de alguns aniversários. O meus talvez começasse com R, mas isso é tudo que sei.”

Até que ele e um grupo de zumbis saindo para alimentar, acaba sentindo cheiro de humanos e esbarrando com uma menina, ou melhor, Julie, que fará o coração do zumbi voltar a bater. O mesmo acontece com ela, meio com medo, acaba indo com R para seu esconderijo, para que ali possa ficar viva. Com os outros zumbis, sua falta de articulação, momentos em que ele rasteja, lamentando sempre quando precisa consumir carne humana para viver. É nesse meio termo que ele pode tentar se sentir meio vivo.

“(…)Seus lábios estão comprimidos e pálidos.Aponto para ela, para minha boca e depois para os meus dentes tortos e ensangüentados. Faço que não com a cabeça. Ela se encolhe para perto da janela. Um grito de terror começa a aparecer na garganta dela. Isso não está dando certo.– Segura – falo para ela, soltando um suspiro. – Manter… você segura.”

É nesse contexto que prosseguimos com a narração de R, Julie e ambos os pensamentos de tentar salvar esses zumbis de uma morte. Ambos não esperavamos que iriam se apaixonar, é rico a forma que o autor descreve seus personagens e como R narra todo o enredo. A visão dele é muito interessante uma vez que não estamos acostumandos com uma narração meio estranha. O desenvolvimento da narrativa se desenvolve depois que ele come o cérebro de Perry- namorado de Julie, revivendo momentos de sua vida humana.

Fiquei apegado em toda narrativa, os sentimentos de R com Julie, até mesmo nos momentos que ele começa a lembrar da vida humana e a força que ambos repassam um para o outro é tamanha. O final do enredo é para deixar qualquer leitor querendo mais aventura e em descobrir o que aconteceu com o futuro dos personagens.

Em meio ao caos, um mundo morto, dividido e sem saber realmente os motivos do vírus ter matado grande parte da população o enredo flui muito bem. A diagramação da editora LeYa, tradução e capa, refletiram o contexto verdadeiro do que iremos encontrar na leitura de Sangue Quente. Depois de assistir ao filme, percebi a fidelidade quanto ao livro.

Se você ainda não leu, corra para uma livraria mais próxima. Confesso que vocês não vão se arrepender, pelo contrário, irão aprender com R e Julie em um romance apocalíptico zumbi.


Guerra Mundial Z : Max Brooks



Se você assistiu ao filme baseado no livro Guerra Mundial Z, provavelmente saiu do cinema pensando: “Foi impagável ver milhões de zumbis devorando a humanidade. A história é bem fraquinha, mas a ação é sensacional.” Pois bem, quando você fechar o livro, depois de ler a última linha, vai dizer: “Foi impagável ler sobre milhões de zumbis levando a raça humana à extinção. A história, então, é uma das melhores já escritas”.

O autor Max Brooks (que também escreveu o indispensável Guia de Sobrevivência a Zumbis) entrega a você tudo o que uma pessoa pode querer de um apocalipse zumbi. Brooks acerta em cheio ao usar um tom de entrevista para narrar a quase extinção da raça humana. O livro apresenta a você o relato de vários personagens, entrevistados por um funcionário da ONU. Cada personagem – que são de todo o tipo possível: militares, civis, políticos, médicos – tem sua própria história de sobrevivência num mundo dominado por zumbis. Desde o Paciente Zero até a retomada do mundo pelo homem, Brooks envolve o leitor com uma história que parece realmente ter acontecido, tão rica em detalhes ela é.

É exatamente aí que Brooks faz da leitura de Guerra Mundial Z algo único. A quantidade de detalhes na história é surpreendente. O autor não deixa passar nada. Brooks não mostra a você apenas as batalhas (tão gigantescas que são dignas de uma Terceira Guerra Mundial) que o homem enfrenta ao lutar contra uma infestação zumbi em proporções mundiais. Vai muito além disso. O livro mostra impecavelmente o psicológico mundial diante da extinção: como o homem luta com unhas e dentes para sobreviver à extinção e como a humanidade tropeça em seu caminho para fora da lama, tentando se restabelecer como a espécie dominante do planeta.

Brooks pensou em tudo o que poderia acontecer durante um apocalipse zumbi. Desde como o exército responderia à ameaça de um interminável exército de mortos vivos, até como os cachorros (sim, ele pensou no papel dos cachorros) seriam essenciais para a raça humana. São mostradas com maestria as diversas formas que os governos dos países responderiam, quais seriam as táticas de batalha, como a sociedade se modificaria durante e após a Guerra. Embora seja difícil formar um elo emocional concreto com os diversos personagens – uma vez que você é apresentado a um personagem diferente a cada capítulo – isso acaba não afetando o incrível resultado final. O personagem principal de Guerra Mundial Z é a raça humana: e, levando por este aspecto, você se identifica com o ser humano a cada página.

Guerra Mundial Z é um dos livros mais geniais e intensos que você vai ler. A quantidade de detalhes é imensa e, no final, você acaba pensando que os relatos são reais, tão bem elaborados e escritos eles são. É uma obra rica, acompanhada de uma das leituras mais prazerosas e bem estruturada que você vai ter o prazer de ler.


Feed : Mira Grant


Mira Grant e o seu romance “Feed” foi um dos finalistas do Hugo Awards de 2011. Mira Grant é o pseudónimo para este romance de zombies de Seanan McGuire, uma autora de ficção fantástica urbana com várias novelas publicadas.

Que tipo de história se poderia esperar de uma mulher que vive numa casa com diversos gatos, filmes de terror, comics e livros sobre doenças terríveis, dirige cursos de virologia e dorme com uma machadinha debaixo da almofada? Um romance sobre Zombies, claro!

“Feed”, á parte um capítulo inicial sobre um ataque de Zombies e outras cenas semelhantes, não é propriamente um romance em que os zombies são personagens centrais. Eles são o pano de fundo em que o tema se desenvolve.

Numa daquelas situações em que a humanidade quer ser mais esperta do que qualquer Criador, um vírus é libertado que transforma em zombie qualquer mamífero acima de um determinado peso.

Um grupo de jovens bloggers é convidado para acompanhar um dos candidatos republicanos americanos nas primárias e depois na corrida presidencial.

O thriller que se desenvolve envolve os habituais complots pelos derrotados e grandes poderes, traições imprevisíveis, acção em grandes doses e mortes heróicas.

“Feed” lê-se com desenvoltura e agrado mas sempre com a sensação que muito mais poderia ter sido tentado.

Numa sociedade que tem de viver com gigantescas medidas securitárias como ficam os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Quais são os grandes temas da sociedade pré-zombie que desapareceram e quais os que apareceram para os substituir? O gigantesco folclore das campanhas presidências americanas pode continuar a existir ou tem de dar lugar a outras formas de comunicação e angariação de fundos?

Alguns destes temas surgem ao longo desta acção política que vai atraindo o leitor. As personagens, talvez demasiado previsíveis, são todavia muito emocionais. A tão debatida questão de saber se a imprensa tradicional vai substituída pelos bloggers com a sua parafernália tecnológica é também um dos temas centrais do livro que curiosamente mostra a eterna procura dos índices de audiência e de vendas transportada agora para o mundo da internet.

São os homens os verdadeiros vilões da história e não os zombies. Estes são apenas as novas armas nas mãos dos que procuram a conquista do poder por qualquer meio.

Este é o primeiro volume desta trilogia de Mira Grant. Aguardemos para ler os restantes e ver se a autora consegue manter uma acção aditiva com personagens menos estereotipados e previsíveis e se surgem temas mais desenvolvidos neste nova sociedade de infectados pelo vírus.


Ex-Heróis : Peter Clines




Stealth. Gorgon. Regenerator. Cerberus. Zzzap. Mighty Dragon. Eles eram heróis usando suas habilidades sobre-humanas para fazer de Los Angeles uma cidade melhor e mais segura. Até que uma terrível praga mortal se espalhou pelo mundo. Bilhões morreram, e hordas de zumbis levaram toda a civilização à ruína. Um ano depois, Mighty Dragon e seus companheiros são os protetores dos sobreviventes, refugiados em um estúdio de cinema transformado em fortaleza, o Monte. Assustados e traumatizados, os heróis combatem os vorazes exércitos de ex-humanos nos portões, lideram equipes para procurar por suprimentos e lutam para serem verdadeiros símbolos de força e esperança. Porém, os famintos ex-humanos não são as únicas ameaças que os heróis devem enfrentar. Velhos aliados, com poderes e mentes horrivelmente destorcidas pela morte, ocultam-se nas ruínas da cidade. E apenas poucos quilômetros os separam de outro grupo, lentamente acumulando poder e liderado por um inimigo coma habilidade mais aterrorizante de todas.

O livro pode parecer confuso, e você pode se perguntar: "Mas espera aí! Zumbis x Heróis. De início a ideia pode gerar uma certa estranheza mesmo, afinal, pelo menos eu, nunca tinha visto nada parecido. Mas enfim, eu achei muito criativa esta ideia de unir estes dois mundos. Não ficou brega, não ficou esquisito, e não ficou chato, pelo contrário. Achei que o autor conseguiu muito bem mesclar os dois universos sem parecer muito forçado ou parecer que um mundo não estava à vontade com o outro.

Os zumbis não ficam para trás não. Claro, não há muito o que falar. Eles ficam por aí se rastejando, batendo os dentes e estendendo as mãos para qualquer pedaço fresco de carne que apareça em sua frente. Ah, em nenhum momento eles são chamados de zumbis no livro, e sim de ex's. Essa denominação surgiu desde o inicio do contágio e ficou. Isso porque eles são ex-humanos.

Quase ninguém usou a palavra "zumbi". Foram chamados de "ex" desde a primeira conferência de imprensa presidencial. Isso fez com que a situação se tornasse mais fácil de ser aceita, de alguma forma. Os ex-vivos. Ex-pessoas. A maioria ainda se parecia com humanos. Normalmente, os não lesionados e os mais novos que ainda não tinham se alimentado.Mas os heróis não tem que lidar apenas com a ameaça dos ex's e a incerteza da sobrevivência. Eles tem que lidar com os seres humanos também, o que pode ser bem pior. Há um grupo que se denomina Seveentens's e causam uma grande dor de cabeça. Eles guardam segredos, e serão uma surpresa para nossos heróis. Este livro tem muitas sutilezas também, e uma tristeza latente.

Gostei muito do livro, e fiquei surpreendido com a trama tão boa, em muitos pontos até mesmo inusitada. Gostei da narrativa forte e consistente de Clines; de seus personagens que, apesar de serem heróis, tem suas dificuldades e defeitos. Um ponto alto para mim foi o fato de que o autor não se contentou apenas no batidozumbis x ser humano, ou no caso zumbis x heróis, ele foi além. E fiquei de boca aberta com a causa e o início da propagação do vírus que fez todo o mundo desmoronar. Sinceramente, não esperava!

Há cartazes de advertência, pronunciamentos das autoridades públicas e reportagens. No entanto, as pessoas ainda se apegam à impossibilidade da existência de mortos-vivos, enquanto eles se avultam sobre suas cabeças, atacam suas casas e devoram seus vizinhos. Soldados, policiais e cidadãos se obrigando a acreditar que os ex's estão apenas infectados com alguma doença curável, apesar de todas as evidências, ao invés de tomar as medidas necessárias. Eles não vão aceitar a verdade. Eles não vão reagir a ela.

"O surto não será contido. É tarde demais.
O mundo, como nós o conhecemos, acabou."

sexta-feira, 11 de março de 2016

Resenha - Revival (Stephen King)




Sinopse: Em uma cidade na Nova Inglaterra, mais de meio século atrás, uma sombra recai sobre um menino que brinca com seus soldados de plástico no quintal. Jamie Morton olha para o alto e vê a figura impressionante do novo pastor. O reverendo Charles Jacobs, junto com a bela esposa e o filho, chegam para reacender a fé local. Homens e meninos, mulheres e garotas, todos ficam encantados pela família perfeita e os sermões contagiantes. Jamie e o reverendo passam a compartilhar um elo ainda mais forte, baseado em uma obsessão secreta. Até que uma desgraça atinge Jacobs e o faz ser banido da cidade. Décadas depois, Jamie carrega seus próprios demônios. Integrante de uma banda , ele leva uma vida nômade no mais puro estilo sexo, drogas e rock and roll, fugindo da própria tragédia familiar. Agora, com trinta e poucos anos, viciado em heroína, perdido, desesperado, Jamie reencontra o antigo pastor. O elo que os unia se transforma em um pacto que assustaria até o diabo, com sérias consequências para os dois, e Jamie percebe que “reviver” pode adquirir vários significados.

Revival é uma história sobre perda, pura e simplesmente. A partir daí você encontra a perda em fatores como fé, juventude e amor. Tudo isso gerado através de vícios e mortes.

É uma história que tinha tudo para ser mais um clássico de King, porém a narrativa arrastada no desenvolvimento da história freia o impeto de prosseguir, mas é só isso.

Os desenvolvimento dos personagens, em suma os dois protagonistas, no entanto é incrível.

A história é narrada ao longo de 50 anos da vida do Reverendo Jacobs e seus encontros e desencontros com o protagonista Jamie Morton, um homem comum, residente no Maine, estado norte-americano que ambienta a maior parte dos romances de King. O Maine também faz parte da Nova Inglaterra, mesma região onde ficam as cidades lovecraftianas de Arkham, Dunwich e Innsmouth.

O livro foca Charles Jacob como um homem que perdeu a fé em Deus e a substituiu pelo amor à eletricidade; Jaime Morton luta com seus próprios demônios em pó, injetáveis ou líquidos, enquanto deixa escapar pelas mãos a chance que tinha para ser um excelente músico numa banda de rock. Revival é sobre segundas chances, sobre fé, música e sobre um tempo que já se passou e agora vive na memória dos que hoje são velhos o suficiente para pensar nas décadas passadas com nostalgia.


King afirmou, em entrevistas, que tinha se inspirado em “O Grande Deus Pã” de Arthur Machen e em “Frankenstein” de Mary Shelley. As referências a obras de terror vão desde as mais sutis às óbvias (há uma personagem chave chamada Mary, cuja mãe tem o sobrenome Shelley e cujo filho se chama Victor), Porém, uma influência que salta aos olhos, principalmente no final, é baseada no Mythos – em especial no clima narrativo de H. P. Lovecraft, o grande referenciado pelo livro , e em elementos de Robert Bloch. Vale lembrar que “O Grande Deus Pã” de Machen também foi uma das fontes de inspiração para Lovecraft. As menções a seu grimório fictício, o Necronomicon, e toda a cena do clímax corrobora e homenageia a mitologia criada por Lovecraft, aumentando o ar verossímil da história. Verossimilhança esta que é uma das grandes qualidades da obra. Menções a bandas de rock, ao Wikipédia, a Vin Diesel e Justin Bieber (É isso mesmo que você leu!) tornam o livro atual e completamente calcado em nosso mundo, e quando o narrador nos incita a fazer uma pesquisa no Google para checar com nossos próprios olhos uma das informações passadas por ele sobre um determinado personagem, e a pesquisa realmente bate, o livro deixa no ar um delicioso tom de história real.


"A ideia para este livro está na minha cabeça desde que eu era criança. Frankenstein, de Mary Shelley, foi uma grande inspiração para mim. Eu queria criar uma história o mais humana possível, porque a melhor maneira de assustar o leitor é fazê-lo gostar dos personagens." - Stephen King em entrevista para a revista Rolling Stone.

"Ler Revival é ver um grande contador de histórias se divertindo ao máximo. Todos os elementos favoritos de King estão presentes: uma cidade pequena no Maine, o sobrenatural, o mal, o vício e o poder de se transformar uma vida." - The New York Times.


"O final deste livro foi considerado o mais assustador que Stephen King já escreveu - o que é impressionante, já que se trata do autor de Carrie, a estranha." - The Guardian.



O livro possui trechos que ficaram na minha memória por toda a leitura, de certa forma da pra sentir a dor do personagem e aposto que o leitor vai logo se identificar quando o trecho lhe chegar aos olhos. Eu terminei de ler o livro ontem e o final ainda está bem fresco na minha memória, Lovrecraft teria orgulho.

Mais uma vez King nos presenteou com uma obra contendo personagens críveis, convincentes e cativantes, uma narrativa de alto nível, e diálogos deliciosos de se ler.

Por volta de quase metade do livro que temos indícios de algo sobrenatural, e por isso, ao menos para mim, o livro melhora ainda mais. Aconselho aos leitores a lerem as últimas trinta páginas aterrorizantes de uma vez só, porque nelas se encontram um dos melhores momentos finais de um livro do King.

Outro conselho ao leitores: Para um melhor aproveitamento da obra, leiam antes de Revival alguns trabalhos de H.P. Lovecraft, mais especificamente os mitos de Cthulhu.

Revival é altamente recomendado ao fãs do gênero.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Mácula da Sanidade - Parte 3

O Carrossel



As figuras pareciam nativos, aborígenes a cavalo, em seu dançar ao redor da fogueira entoando cânticos a lua ou a seres umbrais que faziam parte de suas crenças. Mas apesar da diminuta vela projetar suas sombras rodopiando ao nosso redor, a engenharia do mecanismo envolta dela era esculpida em pequenos cortes de carne e opacas lascas de ossos. Cuidadosamente configurados como um brinquedo macabro, alguns atravessados com varetas e outros presos a anzóis, todos formando um círculo ao redor da pequena iluminaria de cera. Aquilo me lembrava um carrossel de parque, porém num tamanho diminuto.

Entre carne e ossos haviam ainda os olhos, orelhas, fios de cabelo e dedos. Alguns orgãos internos de certo também haviam sido utilizados. O corpo, ou o que restava dele, estava espalhado pelo chão do escritório e impossível de identificar com um olhar. Não sabia se era homem ou mulher, na verdade nem mesmo dava para imaginar que um dia aquilo foi um ser humano. Nada mais além disso eu poderia descrever pois não suportei passar mais do que um minuto naquela sala.



Thompson reportou, desci em silêncio as escadas até chegar na rua, os outros passavam por mim e me observavam aguardando qualquer informação. Dos que seguiram primeiro, ao longe pude escutar seus gritos de repulsa, outros voltavam correndo a regurgitar suas últimas refeições pelo caminho.

Decidido a sair daquele lugar eu ignorei toda a parte procedural do processo, estava em choque e fui direto para casa, não consegui me alimentar e nem mesmo impedir minha mente de divagar por áreas nebulosas da psique. Atualmente morava sozinho em um sobrado a poucas quadras dali, após um banho gelado fui me deitar mas o sono não veio, fiquei refletindo sobre uma mancha no teto enquanto as cenas vinham como flashs através das lembranças, era como se o tempo não existisse e quando me dei conta o sol já havia invadido o quarto pela janela.

Estava sonhando acordado, estava mais para pesadelos na verdade. Ainda assim três batidas na porta não foram o suficiente para me fazer levantar, em pouco tempo ele já havia entrado no quarto e apesar de te-lo percebido permaneci estático.

“Eu tenho um trabalho a cumprir e preciso de sua ajuda, vou descer e aguardarei por cinco minutos. De outra forma você não precisa mais voltar ao distrito.”

As palavras de Marchan soaram como um ultimato, e provavelmente eram.

Contrariando minhas próprias expectativas lá estava eu de frente para a pia contemplando no espelho uma aparência desgastada mentalmente, a barba por fazer, os olhos fundos e colados a uma expressão abatida, reflexos de imagens perturbadoras que causaram horas de insônia e certamente tardariam para abandonar meus pensamentos.

Poucas horas depois estava de volta ao local do crime, Marchan me explicara que o ‘corpo’ era de um homem de meia idade identificado como Lucio Milán, ele já era conhecido da policia por realizar furtos de material condutor e outros tipos de peças de engenharia em fabricas descontinuadas.

Após algum tempo eu já não reagia estranhamente ao local então pude pensar com mais clareza, Marchan parecia estar com a mente mais apurada desde a noite anterior. Não demorou para deduzir o que levou Milán até seu leito de morte. Nosso raciocínio trabalhou quase sincronizado.

“Três tiros. Ele percebeu alguma coisa vindo por detrás da porta e se sentiu ameaçado o suficiente para disparar três vezes, porém não foi o suficiente. O que quer que tenha sido, alvejou ele a uma distância de quatro metros e o arrastou do local onde encontramos a maleta, através da porta e então para dentro do escritório.”

Ao final meus olhos estavam encarando a porta ao final do corredor, a imagem do carrossel passou novamente pela minha mente mas logo comecei a subentender aonde levava a dedução de Marchan.

‘Alguma coisa’ e ‘o que quer que tenha sido’ não pareciam fazer referencia a algo concebível, por um momento imaginei a cena. Algo se alongando a partir da porta até o local onde estava a maleta, com frieza para ignorar um ataque contrário e ainda revidar, agarrar e com grande força arrastar o adversário em pânico por quatro metros para as trevas, de encontro com a morte. Ou algo ainda muito pior antes do derradeiro final que ele teve. O Carrossel.

- Ele é um artista. – Eu Disse – Ainda que macabro, ele moldou uma escultura a partir dos restos mortais de Lúcio Milán. Não me lembro de nenhum caso similar a esse, mas talvez tenha que aprofundar minhas pesquisas. – Concluí apreensivo.

Marchan permaneceu em silêncio, pensativo, pouco a pouco foi me passando detalhes de sua análise que cuidadosamente eu anotava. Ter sua orientação durante aquele momento me parecia o mais sensato a se fazer, sua experiência de certo o ajudou a absorver fatos como aquele com mais frieza, o que era óbvio ao observar a categoria com que analisa as pistas sem se deixar levar pela insanidade dos fatos.

Durante a avaliação o policial Ezekias apareceu informando ter algumas novidades a respeito das suspeitas de sequestro do Dr. Noble.

Segundo ele, o paciente que Noble suspeitava estar envolvido fugiu da custódia do Asilo horas antes de sua esposa ter desaparecido, com certeza não era apenas coincidência. Porém o mais intrigante eram os relatos dos enfermeiros naquela noite, aparentemente coisas estranhas aconteceram no local, uma perturbação generalizada entre os internos provavelmente acobertou a fuga e quando se deram conta do ocorrido alguns dos próprios enfermeiros ficaram perturbados com oque encontraram no quarto.

Ezekias não tinha palavras para descrever o que viu, apenas deixou alguns oficiais no local para preservar a cena e informou que seria melhor que víssemos com os próprios olhos.

A morte de Lúcio Milán talvez tivesse ligação com o sumisso de Sophie Noble, talvez fosse apenas uma coincidente distração ou talvez todas as nossas hipóteses que levantamos até então estivessem erradas. Como analista eu não conseguia relacionar os fatos e Marchan continuava mantendo sua postura pensativa apesar de transparecer estar muito intrigado.

Horas depois estávamos a caminho de Arles, acabamos por seguir a única pista de nosso roteiro original.

Quando entramos naquele aposento isolado na torre norte do Asilo Rhône, foi quando as coisas começaram a fazer sentido.


Confira a história toda na sessão Contos & Mythos

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

As Melhores Sagas de Distopia (Parte 1)

Distopia ou antiutopia é o pensamento, a filosofia ou o processo discursivo baseado numa ficção cujo valor representa a antítese da utopia ou promove a vivência em uma "utopia negativa" . As distopias são geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo, por opressivo controle da sociedade.

Nelas, "caem as cortinas", e a sociedade mostra-se corruptível; as normas criadas para o bem comum mostram-se flexíveis. A tecnologia é usada como ferramenta de controle, seja do Estado, seja de instituições ou mesmo de corporações.

Conheça nessa matéria as Sagas de Distopias Literárias mais famosas desse século...


1 - Jogos Vorazes (Suzanne Collins)

Após o fim da América do Norte, uma nova nação chamada Panem surge. Formada por doze distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital. Uma das formas com que demonstram seu poder sobre o resto do carente país é com Jogos Vorazes, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de doze a dezoito anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte! Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Peeta, um garoto que ajudou sua família no passado, também foi selecionado. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos Jogos Vorazes?

A tudo bem! Jogos Vorazes já foi adaptada para o cinema e seu desfecho é um dos filmes mais aguardados do ano. Mas apesar de adaptações terem efeitos visuais magníficos a nossa imaginação cria um mundo ainda mais incrível, um livro ainda é muito mais rico que sua adaptação.

A obra de Collins, como a maioria das distopias, é uma alusão ao comportamento da sociedade atual, É um intenso questionamento de valores, tanto sociais quanto políticos e comportamento de cada indivíduo dentro dela. Jogos Vorazes não é "um monte de gente se matando", ele é muito mais que isso. é uma crítica dura a esse sistema que só suga e dentrói tantas pessoas. Que te trata como marionete e você aceita sem perceber. Suzanne Collins criou uma história para ler, reler e re-reler! E principalmente para refletir.

Jogos vorazes é uma Trilogia:

#01 Jogos Vorazes (2008)
#02 Jogos Vorazes: Em Chamas (2009)
#03 Jogos Vorazes: A Esperança (2010)

2 - Gone, O Mundo Termina Aqui - Michael Grant

Gone começa com um fato perturbador. Os alunos estavam acompanhando a aula quando o professor simplesmente sumiu. Não saiu pela porta da sala, nem pela janela… Ele desapareceu na frente de todos, como em um passe de mágica. Fez puff. Pufou.

A primeira reação foi incredulidade, mas todos tiveram a mesma impressão. O silêncio logo é substituído pelas piadinhas, e em seguida pela desconfiança. Inicia-se um barulho por toda a escola, dando a entender que o fato misterioso não foi isolado.Até que a porta da sala é aberta. Todos imaginam que seria um adulto chegando com explicações, mas era a Astrid Gênio. Uma garota de 14 anos muito inteligente e que estava estudando em outra sala. Com ela a situação foi ainda mais alarmante, seu grupo de estudos sumiu completamente.

Então Sam, Quinn e Astrid começam a tentar compreender o que está acontecendo, mas não é fácil. O fato é que todas as pessoas com mais de 15 anos desapareceram, não somente na escola, mas por toda a cidade.

O que aconteceu? Como e porque os adultos sumiram? O que eles devem fazer? Para onde ir? Que medidas tomar?

Só restam os jovens: os adolescentes, os pré-adolescentes, as crianças pequenas. Mas nenhum adulto. Não existem mais professores, nem policiais, nem médicos, nem pais. E, também de repente, não há telefones, nem internet, nem televisão. Não há como descobrir o que aconteceu. Nem como conseguir ajuda.
A fome é uma ameaça. Os valentões tentam dominar todos os outros. Uma criatura sinistra está à espreita. Os animais estão sofrendo mutações, e os próprios jovens estão mudando, desenvolvendo novos talentos – poderes inimagináveis, perigosos, mortais -, que ficam mais fortes a cada dia.

É um mundo novo e aterrorizante. Cada um terá de escolher o seu lado para a batalha que se aproxima. Os moradores locais contra os riquinhos. Os fortes contra os fracos. As aberrações contra os normais. E o tempo está acabando: no dia do seu aniversário, você vai desaparecer, como todos os outros.

Gone é mais jovem do que adulto, apesar de ser bem violento e meio gore e também é bem fantasioso e sci-fi.
Michael Grant conseguiu criar um novo mundo – cruel, muito cruel – para os amantes de aventuras e mistérios, e seria algo totalmente sem fundamento você deixar passar uma leitura como essa.

A Série possui 6 livros publicados:

#01 Gone (2008) 
#02 Fome (2009)
#03 Mentiras (2010) 
#04 Praga (2011)
#05 Medo (2012)
#06 Light (2013)


3 - Maze Runner: Correr ou Morrer - James Dashner

Ao acordar dentro de um escuro elevador em movimento, a única coisa que Thomas consegue lembrar é de seu nome. Sua memória está completamente apagada. Mas ele não está sozinho. Quando a caixa metálica chega a seu destino e as portas se abrem, Thomas se vê rodeado por garotos que o acolhem e o apresentam à Clareira, um espaço aberto cercado por muros gigantescos. Assim como Thomas, nenhum deles sabe como foi parar ali, nem por quê. Sabem apenas que todas as manhãs as portas de pedra do Labirinto que os cerca se abrem, e, à noite, se fecham. E que a cada trinta dias um novo garoto é entregue pelo elevador. Porém, um fato altera de forma radical a rotina do lugar – chega uma garota, a primeira enviada à Clareira. E mais surpreendente ainda é a mensagem que ela traz consigo. Thomas será mais importante do que imagina, mas para isso terá de descobrir os sombrios segredos guardados em sua mente e correr, correr muito.

Logo que o livro inicia o leitor já é introduzido nesse mundo louco da saga.

O livro é narrado por Thomas, um menino de aproximadamente 16 anos que não se lembra de nada da sua vida antes de despertar, somente o seu nome. Ele desperta em uma caixa escura e lisa, a caixa se move para cima e em poucos segundos depois de despertar a caixa se abre acima de sua cabeça.

Thomas acorda para uma realidade “insana”, ele está rodeado por meninos mais ou menos da idade dele, que ele acha ser 16, que falam de uma forma estranha e agem de um forma estranha. Ele está cheio de perguntas à fazer, mas logo percebe que não conseguirá nenhuma resposta. Todos são muito conservadores e não gostam que fiquem questionado tudo, a vida na clareira é corrida e a clareira é um mistério, existe um labirinto do lado de fora, onde só é permitida a entrada dos corredores.

Durante 2 anos os corredores percorrem o labirinto durante o dia, e voltam a noite para desenhar mapas das mudanças, afinal as paredes do labirinto se movem todos os dias. Durante esses 2 anos ninguém nem chegou perto de desvendar o mistério do labirinto, a única coisa que eles sabem é, depois que o sol de põe é suicídio permanecer no labirinto e os “verdugos” (bichos grotescos e assassinos) matam sem dó nem piedade.

A Série possui 4 Livros publicados, um Quinto Livro para sair em 2016 e Adaptação Cinematográfica com um segundo filme lançado no mês passado. 


#01 The Maze Runner (2009)

#02 The Scorch Trials (2010)
#03 The Death Cure (2011)
#04 The Kill Order (2012)
#05 The Fever Code (2016)

4 - Divergente - Veronica Roth

Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções, cada uma dedicadao cultivo de uma virtude – Candor (A Honestidade), Abnegation (Altruísmo), Dauntless (A Coragem), Amity (A Paz) e Erudite (A inteligência). – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto.

A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é. 

Ela acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive.



Veronica Roth tem muito potencial, isso é inegável. Tris é uma protagonista interessante e verossímil – tanto que, às vezes, queremos sacudi-la para ver se acorda. Não é a pessoa mais empática do mundo, mas é fácil torcer para ela.

A família Prior, os líderes das facções, os outros adolescentes… Todos têm características críveis, de pessoas que conhecemos hoje, o que nos faz amá-los e odiá-los de acordo com suas ações. Mas, por incrível que pareça, o personagem mais complexo e bem construído da história é Quatro, um dos responsáveis por treinar os iniciandos e um cara que acaba despertando sentimentos (conflitantes, às vezes) em Tris.

A Série é na verdade uma trilogia, mas possui um quarto livro que mostra o ponto de vista de outro personagem e alguns contos relacionados a ele. O Primeiro e Segundo livros já foram adaptados para o cinema e a continuação é garantida.

#01 Divergent (2011) 
#02 Insurgent (2012) 
#03 Allegiant (2013) 
#04 Four (2014) 


5 - Feios - Scott Westerfeld


Séculos depois da destruição da civilização industrial em um apocalipse ecológico, a humanidade vive em cidades-bolha cercadas pela natureza selvagem. Lá, Tally Youngblood é feia. Não, isso não significa que ela é alguma aberração da natureza. Não. Ela simplesmente ainda não completou 16 anos. Em Vila Feia, os adolescentes ficam presos em alojamentos até o aniversário de 16 anos, quando recebem um grande presente do governo: uma operação plástica como nunca vista antes na história da humanidade. Suas feições são corrigidas à perfeição, a pele é trocada por outra, sem imperfeições ou – nem pense nisso – espinhas, seus ossos são substituídos por uma liga artificial, mais leve e resistente, os olhos se tornam grandes e os lábios, cheios e volumosos. Em suma, aos 16 anos todos ficam perfeitos.

Uma noite, ela conhece Shay, uma feia que não está nem um pouco ansiosa para completar 16 anos. Pelo contrário: Shay pretende fugir dos limites da cidade e se juntar à Fumaça, um grupo de foras-da-lei que sobrevive retirando seu sustento da natureza.

 Quando ela foge, Tally aprende sobre um lado totalmente novo do mundo dos bonitos – que não é tão bonito assim. As autoridades oferecem a Tally sua pior escolha: encontrar sua amiga e a entregar, ou nunca se transformar em uma pessoa bonita. Tally, porém, acaba se envolvendo em uma conspiração e descobrirá que, por trás de tanta perfeição, se esconde um terrível segredo. Sua escolha irá mudar o mundo para sempre.

O bacana é tentar entender os dois lados da história. Tally, que quer se tornar Perfeita porque o mundo a submeteu a toda essa ideologia. E Shay, que não quer se tornar Perfeita, pois acredita que ninguém precisa de uma operação para ser belo. A história é bem original, e Scott Westerfeld é incrivelmente inteligente. Durante toda a narrativa percebemos críticas à nossa sociedade, e ao ser humano em si.


Diante disso, já posso começar falando que é uma ótima leitura, inserida no rol da distopia, recheada de cenas de aventura, com perseguições, explosões, saltos e voos enlouquecedores. Além disso a personagem mexe com questões muito íntimas a nós como a auto estima, a promessa, a traição, o egoísmo e doação.


Nesse primeiro livro a história apresenta como o ser humano, mesmo cercado de tecnologia e muito conhecimente, ainda se revela preconceitos e limitações identitárias. E sem querer querendo a Tally desarruma esse novo mundo de perfeição.

A dinamicidade das páginas fazem com leiamos sempre esperando por mais e isso é constante nos demais livros da coleção. O autor faz muitas referências ao mundo dos "enferrujados", que corresponde ao tempo presente, nos deixando conscientes do novo mundo e delimitando com muita eficiência o cenário fictício. 

As explicações são sempre muito pertinentes, seja para as questões humanas ou para as tecnológicas, o que deixa muito consistente a primeira etapa da saga. Mas como já comentei, no início, acredito que pela necessidade de ambientação do tempo futuro, achei as descrições cansativas, mas nada que algumas páginas a frente não compensem.

O autor Scott Westerfeld, foi muito feliz com essa história, tanto que a princípio ela foi desenhada como uma trilogia e terminou por ganhar um quarto volume, algo que ele brinca na dedicatório do livro Extras #4: 

PARA TODOS AQUELES QUE ME ESCREVERAM PARA REVELAR A DEFINIÇÃO SECRETA DA PALAVRA "TRILOGIA".


#1 Feios (2005) 

#2 Bonitos (2005) 
#3 Especiais (2006)
#4 Extras (2007) 


Dêem suas opiniões e digam quais destas sagas mais te interessaram. 
Lembrando que é uma Lista de Sagas, dessa forma Distopias Individuais não foram contabilizados.

Em Breve a parte 2 estará disponível e novas Distopias Irão aparecer...

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Grandes Escritores e suas Grandes Obras (Parte 7) - Eduardo Spohr, A Batalha do Apocalipse & Os Filhos do Éden


A Batalha do Apocalipse: 
Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo



A Batalha do Apocalipse se tornou um fenômeno mesmo antes de ser Publicada pelo jornalista brasileiro Eduardo Spohr, em 2007 pelo site Jovem Nerd, em 2009 pelo selo editorial criado pelo site e em 2010 pela Verus. A trama tem como protagonista Ablon, um anjo renegado condenado a vagar no mundo dos homens por ter revoltado-se contra o Arcanjo Miguel, e Shamira a Feiticeira de En-Dor, que o ajuda na jornada histórica até o apocalipse.

Com um total de 586 páginas, o livro se divide em 3 partes intituladas A Vingadora Sagrada, A Ira de Deus e a Flagelo de Fogo.

Hoje um dos maiores campeões de vendas da nova geração de escritores brasileiros. Seu livro A batalha do Apocalipse, com mais de 200 mil unidades vendidas até o fim de 2012. A batalha do Apocalipse virou tema de um programa do Nerdcast em 2007, foi editado pela equipe do Jovem Nerd e, apenas com a venda exclusiva no site, vendeu mais de 4 mil exemplares. “Aí começou o bochicho, com a ajuda das redes sociais”, afirma Eduardo Spohr. Por fim, a editora Record contratou Spohr para seu selo Verus, e o livro se tornou um best-seller.

Quando Spohr entrou pela primeira vez nas listas de mais vendidos, em 2010, disputou espaço com Paulo Coelho e seu então recém-lançado O Aleph. O maior campeão de vendas da literatura brasileira pesquisou então a respeito de Spohr e se encantou com a fórmula de sucesso de seu novo “rival”. “O carioca Eduardo Spohr chegou aonde está agora com o apoio de uma comunidade imensa – os nerds e as campus parties”, escreveu Coelho ao indicar Spohr na edição ÉPOCA 100, que reuniu os brasileiros mais influentes de 2011.

Apesar dos personagens centrais de ABdA serem anjos e demônios, este é um livro sobre questões humanas – como, aliás, acho que todas as obras deveriam ser. A batalha do Armagedon, propriamente dita, só acontece no final. Grande parte do livro se passa na Terra, e é uma viagem pela História humana.

“A Batalha do Apocalipse” é recortado por uma série de flashbacks. Alguns deles são curtos; outros, muito longos. A minha sugestão é que você leia esses fragmentos como se fossem obras separadas – justamente porque cada trecho tem uma história própria, com começo, meio e fim.



Trilogia Filhos do Éden


O surgimento da série começou quando logo após de ter feito sucesso com o best-seller A Batalha do Apocalipse, Eduardo Spohr decidiu criar uma saga se passando no mesmo universo de seu livro de estreia,  Todos pensaram que seria uma continuação de A Batalha do Apocalipse, mas ele próprio disse, "que a ideia era justamente não ficar preso à trama anterior". Por isso, a justificativa para um novo trabalho, que compreende uma trilogia.

A série Filhos do Éden, uma vez que não se conceitua como uma continuação do livro A Batalha do Apocalipse, funciona como um prequel direto a ele, e embora se estabeleça no mesmo universo criativo, tem como figuras principais o aparecimento de novos personagens e o surgimento de velhos, mas que não apareceram em sua outra obra: como foi o caso do arcanjo Rafael. De fato, a série se diferencia de A Batalha do Apocalipse por seu tom mais "humanizado" e por suas referências históricas mais evidentes.



Herdeiros de Atlântida




“Filhos do Éden – Herdeiros de Atlântida” é uma narrativa, ambientada no mesmo cenário de “A Batalha do Apocalipse”, transcorre nos dias atuais e explora uma nova perspectiva da guerra no céu – a visão dos capitães e soldados, e não dos grandes generais, tão amplamente retratados no livro anterior.


Em “Herdeiros de Atlântida” algumas questões, antes obscuras, são enfim respondidas, enquanto outras são lançadas ao público. É, acima de tudo, uma aventura, um thriller de fantasia, mais dinâmico, mais humano, com pitadas de conteúdo histórico, romance e mitologia.



SINOPSE

Há uma guerra no céu. O confronto civil entre o arcanjo Miguel e as tropas revolucionárias de seu irmão, Gabriel, devasta as sete camadas do paraíso. Com as legiões divididas, as fortalezas sitiadas, os generais estabeleceram um armistício na terra, uma trégua frágil e delicada, que pode desmoronar a qualquer instante.

Enquanto os querubins se enfrentam num embate de sangue e espadas, dois anjos são enviados ao mundo físico com a tarefa de resgatar Kaira, uma capitã dos exércitos rebeldes, desaparecida enquanto investigava uma suposta violação do tratado. A missão revelará as tramas de uma conspiração milenar, um plano que, se concluído, reverterá o equilíbrio de forças no céu e ameaçará toda vida humana na terra.

Ao lado de Denyel, um ex-espião em busca de anistia, os celestiais partirão em uma jornada através de cidades, selvas e mares, enfrentarão demônios e deuses, numa trilha que os levará às ruínas da maior nação terrena anterior ao dilúvio – o reino perdido de Atlântida.



Anjos da Morte


“Filhos do Éden: Anjos da Morte” se passa no mesmo universo dos livros anteriores, mas o cenário, agora, são as guerras modernas e as lendas que delas surgiram, as sociedades secretas, a bruxaria nazista, os experimentos psíquicos conduzidos pelos agentes da ex-União Soviética, a disputa das superpotências pela arma do juízo final.

Mas nem só de espoleta é feito este tomo. No ínterim entre as aventuras de Denyel, saltaremos ao futuro para acompanhar a jornada de Kaira, Urakin e Ismael, um novo personagem que se junta ao coro, e sua missão para resgatar o amigo exilado, tragado pelo redemoinho cósmico do rio Oceanus, após a batalha na fortaleza de Athea (em “Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida”). 

Para trazê-lo de volta, eles precisarão encontrar a colônia perdida de Egnias, a última das cidades atlânticas, desaparecida desde o dilúvio, e o afluente que, segundo os rumores, poderá levá-los ao exato local onde jaz o parceiro.

SINOPSE

Desde eras longínquas, os malakins, anjos virtuosos e sábios, observam e estudam o progresso do homem. Mas eis que chega o século XX, e com ele a acelerada degradação do planeta. Os novos meios de transporte, os barcos a vapor e as estradas de ferro levaram a civilização aos cantos mais distantes do globo, afastando os mortais da natureza divina, alargando as fronteiras entre o nosso mundo e as sete camadas do céu. 

Isolados no paraíso, os malakins solicitaram então a ajuda dos “exilados”, anjos pacíficos que há anos atuavam na terra. Sua tarefa, a partir de agora, seria participar das guerras humanas, de todas as guerras, para anotar as façanhas militares, o comportamento das tropas, e depois relatá-las aos seus superiores celestes. Disfarçado de soldados comuns, esse grupo esteve presente desde as trincheiras do Somme às praias da Normandia, das selvas da Indochina ao declínio da União Soviética. Embora muitos não desejassem matar, foi isso o que lhes foi ordenado, e o que infelizmente acabaram fazendo.

Carregado de batalhas épicas, magia negra e personagens fantásticos, 'Filhos do Éden: Anjos da Morte' é também um inquietante relato sobre o nosso tempo, uma crítica à corrupção dos governos, aos massacres e extremismos, um alerta para o que nos tornamos e para o que ainda podemos nos tornar.



Paraíso Perdido


“Paraíso Perdido” é dividido em três partes, cada qual com uma atmosfera própria e personagens diferentes. O primeiro trecho se passa inteiramente em Asgard, a dimensão dos deuses nórdicos, onde Denyel acorda ao final de “Anjos da Morte”, após ser sugado pelo rio Oceanus. Kaira, Urakin e Ismael vão ao seu encontro, para tentar resgatá-lo e regressar à Haled, através da legendária ponte Bifrost.


A segunda parte tem lugar nos dias anteriores ao dilúvio. Conforme mostrado em “Anjos da Morte”, Ablon (no passado, enquanto general de Miguel) é ordenado a capturar Metatron e trazê-lo vivo aos Sete Céus. O segundo terço do livro destaca esse período, revelando um Ablon diferente daquele que conhecemos em “A Batalha do Apocalipse”, ainda fiel às forças do Paraíso.

Essas duas jornadas convergem na parte três, que finalmente explicará como Ablon, há 35 mil anos, conseguiu enclausurar Metatron, e como Kaira, Urakin e Denyel, no presente, farão para enfrentar o Rei dos Homens Sobre a Terra, um celeste muitíssimo mais forte que eles, invencível sob vários aspectos.

SINOPSE

No princípio, Deus criou a luz, as galáxias e os seres vivos, partindo em seguida para o eterno descanso. Os arcanjos tomaram o controle do céu e os sentinelas, um coro inferior de alados, assumiram a província da terra.

Relegados ao paraíso, ordenados a servir, não a governar, os arcanjos invejaram a espécie humana, então Lúcifer, a Estrela da Manhã, convenceu seu irmão – Miguel, o Príncipe dos Anjos – a destruir cada homem e cada mulher no planeta. Os sentinelas se opuseram a eles, foram perseguidos e seu líder, Metatron, arrastado à prisão, para de lá finalmente escapar, agora que o Apocalipse se anuncia. Dos calabouços celestes surgiu o boato de que, enlouquecido, ele traçara um plano secreto, descobrindo um jeito de retomar seu santuário perdido, tornando-se o único e soberano deus sobre o mundo.

Antes da Batalha do Armagedon, antes que o sétimo dia encontre seu fim, dois antigos aliados, Lúcifer e Miguel, atuais adversários, se deparam com uma nova ameaça – uma que já consideravam vencida: a perpétua luta entre o sagrado e o profano, entre os arcanjos e os sentinelas, que novamente, e pela última vez, se baterão pelo domínio da terra, agora e para sempre.


Eduardo Sporh


Eduardo Spohr é um jornalista, escritor, professor, blogueiro e podcaster brasileiro. É o autor de A Batalha do Apocalipse, livro entre os mais vendidos no segundo semestre de 2010 no Brasil, da trilogia Filhos do Éden, e participante do podcast Nerdcast, do blog Jovem Nerd.




Spohr é filho de um piloto de aviões e de uma comissária de bordo, tendo, por conta disso, a chance de viajar para vários países ainda na infância, quando já produzia escritos literários. Embora não tenha religião, seu contato com diversas culturas e a iminência de conflitos na Guerra Fria, durante sua juventude, o motivaram a escrever sobre o fim do mundo e religião em seu livro A Batalha do Apocalipse, situando a trama em várias civilizações. Antes de trabalhar nessa obra, estudou Comunicação Social, a princípio, dedicando-se à Publicidade, porém voltando mais tarde a sua preferência para a profissão de jornalista. Trabalhou os primeiros anos da década de 2000 como repórter, analista de conteúdo do portal iBest e editor do portal Click21.

Já como colaborador do blog Jovem Nerd ao participar do podcast Nerdcast, publicou seu livro na Nerdstore, loja virtual da página, pelo selo NerdBooks, por meio da qual vendeu mais de quatro mil exemplares, ainda sem amparo de editoras. Em junho de 2010, o Grupo Editorial Record publicou A Batalha do Apocalipse pelo selo Verus, vendendo, até dezembro do mesmo ano, 50 mil cópias. Logo em seguida, em 2011, lançou o primeiro livro da série Filhos do Éden intitulado Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida e depois, em 2013, publicou o segundo, chamado Filhos do Éden: Anjos da Morte.

A lista de obras de ficção que influenciaram Eduardo vai de Highlander para The Matrix, através de desenhos animados japoneses como Saint Seiya. Quanto aos escritores a lista engloba Robert E. Howard, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Alan Moore, Frank Miller, Garth EnnisStephen King e H.P. Lovecraft.

Mesmo que negligenciado pela crítica especializada, Eduardo é considerado pelo romancista de renome mundial, Paulo Coelho, uma das estrelas desta geração de escritores.


Fontes Utilizadas: Filosofia Nerd

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