terça-feira, 25 de agosto de 2015

Grandes Escritores e suas Grandes Obras (Parte 5) - H.P.Lovecraft & Os Mythos de Cthulhu

Howard Phillips Lovecraft foi um escritor estadunidense que revolucionou o gênero de terror, atribuindo-lhe elementos fantásticos que são típicos dos gêneros de fantasia e ficção científica.


Ao longo de sua vida, H.P. Lovecraft jamais conseguiu obter a mesma fama que teve após a sua morte. Suas criações (e criaturas) nunca foram tão famosas. Se na época de sua morte elas não passavam de criações bizarras com nomes impronunciáveis, hoje muitas delas possuem status de cult. Muito disso se deve aos colegas e amigos de Lovecraft que continuaram com sua benção a expandir os conceitos definidos por H.P. Lovecraft gerando aquilo que hoje conhecemos como Cthulhu Mythos ou Mythos de Cthulhu.

As suas principais obras dentro do Cthulhu Mythos são



1917 - "Dagon"

Próximo de cometer suicídio, o protagonista, um Capitão de submarino alemão durante a Grande Guerra, descreve a sua jornada ao naufragar no Oceano Pacífico. Lá ele descobre para seu horror uma ilha que parece ter emergido das profundezas, trazendo consigo ruínas de aspecto bizarro. Explorando a ilha ele encontra um misterioso monólito, com inscrições que denotam uma civilização de homens-peixe e uma tenebrosa entidade marinha por eles venerada.

Edgar Allan Poe é o modelo principal para os primeiros contos de Lovecraft, que recorre nesse estágio de sua obra a uma narrativa gótica clássica. Como ocorre em vários trabalhos de Poe, o protagonista vaga solitário em um estado mental alterado, e a credibilidade de sua narrativa se baseia apenas na confiança e empatia estabelecida com o leitor. Mas nesse primeiro conto já são estabelecidos alguns dos temas centrais da obra de Lovecraft: a sobrevivência da civilização humana, a revelação chocante que prejudica a percepção do homem como centro do seu mundo e a existência de um horror ancestral que vai muito além da razão.


1926 - "The Call of Cthulhu (O Chamado de Cthulhu)"

Contado como um quebra-cabeça, o conto segue os passos de um narrador que investiga a existência de uma conspiração ancestral arquitetada por um culto. No início da trama, o narrador encontra as anotações pertencentes a um tio recentemente falecido, e examinando esses arquivos descobre as atividades da mega-conspiração. Seguindo as pistas, ele desvenda a conexão entre os sonhos extraordinários de um artista problemático, a captura de um culto satânico em Nova Orleans e o traumático testemunho de um marinheiro sobre uma ilha no Pacífico.

Através de uma abordagem inovadora na concepção da fantasia de terror, a história gira a visão tradicional antropocêntrica e sobrenatural em favor de um ponto de vista externo, "cósmico", com a representação de um universo indiferente ao destino da humanidade e incidentalmente hostil. Um realismo científico que põe em cheque a percepção das coisas, aplicado a um estilo de narrativa que acumula alusões, sinais, revelações, e atmosferas.

Entre os maiores admiradores de "O Chamado de Cthulhu estava Robert E. Howard que escreveu uma resenha elogiosa onde se lia o seguinte trecho: "Trata-se de uma obra prima, que eu tenho certeza irá se tornar uma das obras mais importantes da literatura fantástica em todos os tempos". O estudioso da obra de Lovecraft, o novelista Peter Cannon aponta o conto como "ambicioso e complexo... uma narrativa densa e sutil em que o horror cresce gradativamente até atingir proporções épicas".

Entre as mais importantes contribuições desse conto encontra-se o conceito de entidades que não tem uma origem sobrenatural, e sim alienígena. São criaturas de poder esmagador, verdadeiras divindades extra-terrestres ou extra-dimensionais, cuja definição é impossível definir sem comprometer a sanidade. O poder que eles exercem não é mágico, mas uma extensão ou alteração das leis naturais.

"The Call of Cthulhu" se destaca como pioneiro de uma abordagem diferenciada ao gênero de horror, define as regras de uma pseudo-mitologia e invoca as questões centrais na tradição lovecraftiana.


1926 - "At The Mountains of Madness (Nas Montanhas da Loucura)"



A primeira obra de Lovecraft que eu li. Como cinéfilo não deixei passar a informação de que Guilhermo Del Toro iria dirigir um filme baseado nessa obra e quando o filme não aconteceu eu fiquei super curioso para saber sobre o que realmente se tratava e foi a partir daí que passei a ler tudo sobre Lovecraft que eu pude encontrar.

Nas Montanhas da Loucura abandona totalmente o cenário típico do horror gótico e situa a história em um panorama totalmente inovador, uma região inóspita e inexplorada com paisagens cobertas de gelo. Para Lovecraft, o Continente Gelado era a última fronteira do planeta e ele acompanhava fascinado os relatórios enviado por expedições que tentavam preencher os espaços ainda em branco no globo terrestre. Há indícios de que o autor era um profundo admirador da Expedição comandada pelo Almirante Byrd que visitou a Antártida em 1928 e que ele devorava avidamente os artigos sobre essa missão.


A narrativa em primeira pessoa, como de costume do autor, tem como objetivo fazer que nos aproximemos mais das sensações e emoções vividas pelo personagem principal-narrador. Cujo nome nunca é mencionado no livro, elemento este que não é tão incomum e tende a fazer com que as pessoas sintam mais ainda a identificação com o personagem, já que o próprio leitor poderia estar no lugar dele. E, nesta obra, o cientificismo é um dos elementos primordiais, com bastantes descrições técnicas, de geologia, biologia, só para citar algumas das ciências envolvidas. O cientificismo, mesclado à sensação de claustrofobia, além de outras sensações causadas pela existência de coisas estranhas e do medo que elas causam, perpassam cada linha da narrativa. Além disso, várias ramificações da ciência são usadas na narrativa, como, por exemplo, geologia, paleontologia, etc., o que dão um caráter realista a esta narrativa fantástica.


A trama acompanha uma expedição científica da Universidade Miskatonic enviada para a Antártida. A equipe localiza uma incrível cadeia montanhosa, "mais imponente que o Himalaia" e no sopé desta, descobre galerias glaciais repletas com fósseis de seres desconhecidos pela ciência. Quando a equipe decide se dividir, algo inesperado ocorre e perde-se o contato com o grupo avançado. A equipe de resgate enviada para prestar socorro localiza o acampamento devastado e indícios de que os responsáveis pelo massacre são criaturas alienígenas. Na parte final, os sobreviventes descobrem a existência de ruínas em um platô nas montanhas e uma breve exploração deste local ancestral revela segredos que a humanidade não está pronta para conhecer.

S.T. Joshi chama Montanhas da Loucura de "Um verdadeiro clássico, que pende mais para a ficção do que para o horror, sem contudo perder o contato com elementos capazes de causar arrepios".

Os conceitos filosóficos e estéticos defendidos pelo Cavalheiro de Providence encontram eco na história e civilização dos Antigos. Lovecraft não apenas constrói um mito baseado em alienígenas brilhantes, mas relaciona a própria existência da humanidade a esses seres, apontando-os como os responsáveis diretos pelo surgimento da raça humana. O conto inadvertidamente ajudou a popularizar o conceito dos "astronautas da antiguidade" e dos "deuses vindos do espaço".

O laureado escritor de ficção Theodore Sturgeon definiu essa estória como "Perfeitamente Lovecraftiana" e como "uma das obras mais inventivas e lúcidas da carreira de um verdadeiro mestre".




1927 - "The Case of Charles Dexter Ward (O Caso de Charles Dexter Ward)"

“O Caso de Charles Dexter Ward” é um livro com uma trama relativamente simples: o jovem Charles Dexter Ward é um apaixonado por arqueologia. Sua paixão o impele a se aprofundar numa história familiar que remonta ao século XVIII e aos estranhos acontecimentos relacionados a um ancestral acusado de prática de bruxaria, Joseph Curwen. Charles Ward tem seus passos narrados de “maneira científica” por um narrador-psiquiatra que reconstrói todo o processo de aprendizado e pesquisa de Charles e seus primeiros sintomas do que seria sua loucura. Lovecraft brinca, de certa forma, com as razões por trás da mudança de comportamento em Charles Ward. E nos impressiona com uma trama bem amarrada e que instiga a leitura e o desejo de que o livro não acabe tão cedo.


Assim como os pais e o médico – Dr. Willett – que cuidou, por toda sua vida, de Charles Dexter Ward, vamos nos surpreendendo com os requintes de horror na trama. A alta magia permeia tudo que cerca Charles e ao leitor e leitora de Lovecraft impele uma certeza estranha de que este mundo desencantado que vivemos ainda mantém seus mistérios e sombrios segredos. Em “O Caso de Charles Dexter Ward” brinca, de certa forma, com a “segurança” que a Ciência nos dá. Existe algo para além da racionalidade? É seguro mergulhar num conhecimento proibido, como o relativo a alta magia? É sempre arriscado e no mundo do conhecimento proibido e com regras estritas, definitivamente, nada há de seguro para o iniciante. A loucura é apenas uma das possibilidades que podem cercar aquele e aquela que se destinam a essa realidade da alta magia. E Lovecraft expôs essa situação, ainda que de forma literária, muito bem aos seus leitores e leitoras.


A obra é dividida em cinco capítulos: 1. Um Resultado e um Prólogo, 2. Antecedentes e Horror, 3. Uma Pesquisa e uma Evocação, 4. Mutação e Loucura e 5. Pesadelo e Cataclismo. Essa estruturação, como dissse antes, é parte de uma narrativa científica de um caso que escapa do modelo científico. Todo o processo do caso de Charles Dexter Ward nos faz perder a segurança de um mundo racionalmente estabelecido. O Dr. Willett, personagem fundamental à trama, talvez seja aquele que realmente foi obrigado a vencer as barreiras que a ciência médica havia lhe assegurado. Ao mergulhar no caso de Charles Ward, o Dr. Willett descobriu um mundo de alquimia, bruxaria, possessão entre outras “aberrações” à sua racionalidade dura.


1927 - "The Shadow Out Of Time (A Sombra Fora do Tempo)"

Depois de uma composição difícil, com vários projetos fracassados entre o outubro de 1934 e fevereiro de 1935, o autor finalmente brinda os leitores com uma narrativa surpreendente. Publicada em Junho de 1936 na revista Weird Tales, este é considerado como o último grande conto de Lovecraft em um período em que sua produção literária encontrava-se em franco declínio, sobretudo por causa da sua saúde debilitada.

Nessa trama, ficção científica e terror uma vez mais se cruzam em uma narrativa fantástica abordando os pontos centrais do que veio a ser chamado Horror Cósmico.

Após um misterioso episódio de amnésia, um Professor se vê assombrado por pesadelos e lembranças surreais. Nesses sonhos, ele conhece uma civilização inumana que habitou a Terra há milhões de anos, uma raça de exploradores temporais que utiliza mentes cooptadas em diferentes eras. O horror fica por conta do ocaso dessa raça, nas mãos (ou garras) de invasores espaciais impiedosos que ainda habitam ruínas ancestrais no coração da Austrália. Explorar essas ruínas em busca das respostas é a única esperança para o protagonista, mas esse contato pode custar muito mais do que a sua sanidade.

O escritor e crítico Lin Carter chama The Shadow Out of Time de "uma das maiores realizações da ficção em todos os tempos", citando "seu espetacular foco e a sensação acachapante de cósmica imensidão, as implicações do tempo e espaço, e uma narrativa arrebatadora de imaginação singular". O autor Ramsey Campbell descreve essa estória como "o magna-opus de um autor 
à frente de seu tempo", "inspiradora além das palavras".

Curiosamente o próprio Lovecraft não ficou satisfeito com o resultado final do conto e enviou o script original para seu correspondente August Derleth sem sequer fazer uma cópia dele. Foi apenas a insistência de Derleth que fez com que o autor aceitasse reescrever alguns trechos e submeter uma vez mais o conto a Weird Tales para dessa vez ele ser selecionado e publicado.

The Shadow Out of Time compartilha vários pontos em comum com "At the Mountains of Madness": ambos são relatos em primeira pessoa, escritos como óbvio alerta para as terríveis implicações de se buscar um conhecimento proibido, e ambos os contos constituem uma perfeita fusão entre ficção científica e horror. Mesmo que não tenha o pano de fundo evocativo do deserto gelado para compor a sensação de medo latente, "sombras" possui uma trama sólida que recorre a outros contos e citações para expandir o conceito central do Mythos de Cthulhu.



H. P. Lovecraft

Howard Phillips Lovecraft (Providence, Rhode Island, 20 de agosto de 1890 —Providence, Rhode Island, 15 de março de 1937) foi um escritor estadunidense que revolucionou o gênero de terror, atribuindo-lhe elementos fantásticos que são típicos dos gêneros de fantasia e ficção científica.


O princípio literário de Lovecraft era o que ele chamava de "Cosmicismo" ou "Terror Cósmico", que se resume à ideia de que a vida é incompreensível ao ser humano, e de que o universo é infinitamente hostil aos interesses do homem. Isto posto, as suas obras expressam uma profunda indiferença às crenças e atividades humanas. H.P Lovecraft originou o ciclo de histórias que posteriormente passaram a ser categorizadas no denominado Cthulhu Mythos e também desenvolveu o fictício grimório Necronomicon, supostamente vinculado ao astrônomo e ocultista britânico do século XVI, John Dee. Ao decorrer de suas criações, Lovecraft produziu um panteão de entidades extremamente anti-humanas com as quais, nas suas histórias, geralmente os seres humanos se podem comunicar através do Necronomicon.


Os seus trabalhos expressam uma atitude profundamente pessimista e cínica, muitas vezes desafiando os valores do Iluminismo, do Romantismo, do Cristianismo e do Humanismo. Os protagonistas de Lovecraft eram o oposto dos tradicionais gnose e misticismo por momentaneamente anteverem o horror da última realidade e do abismo.


Era assumidamente conservador e anglófilo (o que pode ser observado em seu poema An American To Mother England, publicado em janeiro de 1916), o que explica o porquê de ter sido habitual no seu estilo o emprego de arcaísmos e a utilização de vocabulário e ortografia marcadamente britânicos - fato que contribui para aumentar a atmosfera dos seus contos, pois muitos deles (por exemplo, O caso de Charles Dexter Ward) contêm referências a personagens que viveram antes da independência das Treze Colónias, bem como a estabelecimentos comerciais existentes entre os séculos XVII e XVIII.


Durante a sua vida, dispôs de um número relativamente pequeno de leitores, no entanto sua reputação verificou uma elevada gratificação com o passar das décadas, e ele, agora, é considerado um dos escritores de terror mais influentes do século XX. De acordo com Joyce Carol Oates, Lovecraft, como aconteceu com Edgar Allan Poe no século XIX, tem exercido "uma influência incalculável sobre sucessivas gerações de escritores de ficção de horror", Stephen King chamou Lovecraft de "o maior praticante do século XX do conto de horror clássico."

sábado, 1 de junho de 2013

Entrevista com Fábio Abreu, Jovem Escritor e Produtor Literário

Fábio Abreu escreve desde 1994, quando começou a trabalhar em roteiros de revistas em quadrinhos japoneses, os famosos mangás. Por mais de 6 anos ele foi fanzineiro e quadrinista do estilo. A sede por mais e mais o levou a empregar seu talento na criação de diversas histórias com tramas ainda mais complexas e minuciosamente elaboradas, foi quando ele começou seu primeiro livro e, daí para frente não parou. Sua vontade o fez elevar seu talento criativo e despontar entre um grupo seleto de jovens escritores.

Amante de música e cinema se voltou para literatura fantástica, estilo este que nunca mais abandonou. Integrante do Grupo Literário Ases da Literatura, sua publicação de estréia foi o conto SOLLARIA na antologia O ÚLTIMO DIA ANTES DO FIM DO MUNDO pela Editora NOVO SÉCULO.

Algumas Perguntas para Fábio



Fórum MSM: Fábio, o que te inspira a escrever?

Fábio Abreu: Tenho plena convicção de que o que faço vem de Deus. Não saberia explicar como consigo extrair das pessoas lágrimas e emoções intensas ao ler meus trabalhos que não desta forma - Deus.


Fórum MSM: Quando e como surgiu a ideia de escrever Occärd – A Princesa e o Guardião? Fale-nos um pouco sobre o seu livro.

Fábio Abreu: Tenho outros trabalhos iniciados, mas preferi pausá-los e me voltar para este – Occärd – pois vai ao encontro do que gosto de fazer, fantasia épica. E também pelo fato de ser uma história fechada, sem a necessidade de uma continuação. Apesar de que existirão ganchos para isso, que não sei se vou ou não utilizar, algo a ser visto no futuro. Trata-se de uma fantasia que envolve dois itens que muito me fascinam, magia e dragões. Sei que é um assunto muito explorado, mas sempre digo que não é a história que você conta, e sim como você conta sua história que faz a diferença.


Fórum MSM: Conte-nos um pouco de Occärd e seus personagens? E de onde tirou esse nome?

Fábio Abreu: Então, Occärd é um nome conhecido de todos. Contudo, escrito de forma não convencional. Se inverter a leitura você terá a seguinte palavra Dräcco = Draco, ou seja, dragão em latim. Gosto muito de brincar com os nomes e anagramas que podem ser feitos com eles. Tenho isso como marca registrada em praticamente todos os meus trabalhos. Principalmente os de fantasia, pois escrevo romances também. A história de Occärd gira em torno de Áksa, uma jovem nativa de uma tribo distante dos reinos dos homens que se vê como líder de um povo inteiro aos dezesseis anos quando seu pai falece. Impulsionada pelo seu dever e honra, ela assume todas as responsabilidades que lhe cabiam, inclusive um enlace, antes arquitetado pelo seu falecido pai. E em meio a essa confusão, ela é desafiada a provar sua honra num desafio que não era exigido a ninguém daquele povo há séculos e parte numa jornada sozinha, em busca do último dragão vivo. E aí começam as aventuras dela numa jornada que será de descobertas e autodescoberta.

Fórum MSM: Eu sei que você ama os elfos. Quando surgiu esse amor na sua vida?

Fábio Abreu: Nossa! Eu não sei ao certo, mas te digo que este meu afeto inestimável pelos elfos cresceu depois de ler o Ciclo da Herança, principalmente ERAGON do Christopher Paolini. Eles são criaturas únicas, misteriosas, que beiram a perfeição. Sou suspeito para falar de elfos. Gosto demais!



Fórum MSM: Vamos falar um pouco do escritor, ok? Existem autores que dizem que começam a escrever e não sabem o que acontecerá no final da história. Como é no seu caso?

Fábio Abreu: Bom, eu sempre tenho a ideia central e logo quero um título. Isto é como estabelecer um “norte” para minha criação. Sempre desenvolvo a trama principal e, na sequência, o que virá para complementá-la, mas dificilmente consigo ter a visão exata do que virá num capítulo ou na história em si. Sempre me permito mudar fatos e acrescentar outros para enriquecer o contexto.

Fórum MSM: Qual será o seu próximo livro?

Fábio Abreu: Livro solo, com certeza será Occärd – A Princesa e o Guardião. E tenho em mente conseguir publicar em breve o conto TEU SILÊNCIO, MINHA RESPOSTA e dar continuidade a ele com o romance O ANJO DE CRETA. Esse conto tem arrebatado corações e pretendo investir num romance com fundo sobrenatural para desenrolar está trama que tem muito potencial.

Fórum MSM: Em que você se inspira para escrever a história, criar personagens e construir as tramas? Você se inspira em pessoas reais ou simplesmente vem da criatividade?

Fábio Abreu: Depende da trama criada e que tipo de história estou escrevendo. Se for algo de cunho fantástico, sigo minha inspiração. Difícil hoje é conseguir ser 100% original no que se cria. Pois lemos tantas histórias maravilhosas que acabamos por ser influenciados de alguma forma, querendo ou não. O importante é saber até que ponto é sua voz ou a voz de um “influenciador” que dita o que você escreve. No mais, Deus é minha inspiração. Sempre!

Fórum MSM: Que mensagem você quer passar para os seus leitores ?

Fábio Abreu: Na grande maioria, eu tento passar a mesma mensagem. O valor de uma das mais preciosas virtudes do homem: a amizade verdadeira. Eu ainda acredito que nas pessoas você consiga encontrar virtudes puras como essas e ter apoio e companheirismo para o resto da vida.

Fórum MSM: Além da arte de escrever, você possui algum outro talento artístico que te acompanha na sua vida?

Fábio Abreu: Rs Bom! Eu cantei 6 anos em coral, hoje só canto no chuveiro. Já desenhei mangá por muitos anos também, mas não o faço mais. Meu maior talento e talvez o único que acredito ser inspirado por Deus para que faça a diferença e alcance os corações é a escrita. Eu amo o que faço.

Fórum MSM: Qual a importância que o curso de estruturação de romance, ministrado pela autora Lycia Barros, teve em seu desenvolvimento como escritor?

Fábio Abreu: Nossa! Eu fiz o curso num daqueles momentos que você tenta ver a luz no fim do túnel e só vê incerteza. O módulo que eu fiz teve participação de duas outras profissionais maravilhosas: Eliane Raye e Janaina Vieira. A Lycia é fantástica e se tornou minha tutora literária. Sempre me aconselha e se tornou uma grande amiga. Superindico o curso da Fábrica de Autores ministrado por ela.

Fórum MSM: A antologia, intitulada O Último Dia Antes do Fim do Mundo, conta com o número de vinte novos escritores e foi organizada pela romancista carioca Lycia Barros. Como foi fazer parte desse seleto grupo?

Fábio Abreu: Um sonho. Um sonho realizado. Publicar meu primeiro livro foi fantástico e uma experiência que vou guardar com muito carinho para o resto da vida. Conheci pessoas fantásticas que nunca mais deixarei. E esta publicação não poderia ter vindo em momento mais oportuno. Fiz parcerias e conheci talentos que hoje são indispensáveis para minha formação como autor, entre eles as escritoras Glau Tambra e Maud Epascolato, dentre outros.

Fórum MSM: Fale um pouco sobre o seu conto na antologia "O Último Dia Antes do Fim do Mundo". Quais eram as suas expectativas e quais foram as críticas que você recebeu depois de publicado?

Fábio Abreu: Sollaria, também conhecido como o “bebê-monstro”. Rs – Sollaria foi algo mágico e inexplicável. Eu já tinha uma sinopse de um livro com esse título. Quando recebi o convite da Lycia, logo me veio à mente usar esse argumento para a criação. Contudo, teria de fazer uma compactação forte para reduzir um livro inteiro num conto. Tive problemas com o tamanho do conto. Lembro bem que sentei para escrevê-lo no dia 7 de setembro, eram 8:30h da manhã, e só terminei as 14 páginas restantes (das 17 que o conto teve ao todo quando concluído) às 22h, exausto e chorando. Foi um desafio, pois o prazo estava muito curto. Quando terminei de escrever, descobri que, por uma questão já discutida, o tamanho oficial seria de no máximo 10 páginas (A4). Meu mundo desabou, e é horrível dizer isso, mas pedi para sair do projeto. Meus amigos no projeto pediram o conto para ler e disponibilizei. A cada novo depoimento, eu me enchia de um misto de desespero, por ter que diminuir tantas páginas do trabalho, e contentamento, por estar alcançando tantas pessoas com minha história. No fim, o autor Robson Gundim se reuniu com mais oito autores e depois de uma conversa com nossa organizadora, ela decidiu não só não diminuir o número de páginas, mas dividir o conto em duas partes. Fiquei extremamente emocionado e tenso com a responsabilidade, meu conto abriria e encerraria a antologia. E de fato foi - Sollaria Alpha e Ômega.

Fórum MSM: Como escritor o que mais te deixa feliz?

Fábio Abreu: Saber que o que escrevo alcança os corações. Que faz a diferença naquele momento e que, com isso, passo um pouco de esperança e luz para quem lê minhas histórias. Posso citar um exemplo: uma amiga leu o conto TEU SILÊNCIO, MINHA RESPOSTA e havia terminado um noivado de 3 anos na semana anterior. Ela chorou ao término da leitura e, inspirada na história, decidiu procurar o ex-noivo e tentar uma segunda chance para eles. Isso para mim, como autor, foi fantástico.

Fórum MSM: Como você analisa a literatura brasileira contemporânea e como isso está refletindo no mundo?

Fábio Abreu: Estamos na melhor fase da literatura para os brasileiros, em minha opinião. Com o Facebook e outras “armas de marketing” em massa, podemos alcançar qualquer um, em qualquer canto do planeta que possua internet. Fazer-se conhecido e mostrar seu trabalho é primordial para o sucesso de quem está chegando agora no mercado. Não é à toa que nomes como Sphor, Draccon e Vianco já tem reconhecimento internacional. Muito feliz com isso, vamos ganhar o mundo!

Fórum MSM: Em sua opinião, quais os melhores escritores brasileiros que surgiram na última década?

Fábio Abreu: Já citei alguns acima, mas existem outros que merecem ser citados. Não vou citar os clássicos, acho que nem precisa. Mas quero destacar nomes como Lilian Reis, Kiko Riaze, Renata Ventura, Lycia Barros, Eliane Raye, Bento de Luca entre outros. E quero dispor deste espaço para citar nomes que ainda terão seu momento sob os holofotes e merecem essa honra, pois são talentos inestimáveis: Glau Tambra, Maud Epascolato, M. J. Atalaia, Robson Gundim, Lucas Odersvänk, Marcelo Maropo, Cristiane Broca, Adriana Ramiro, Pâmela Filipini e outros.

Fórum MSM: Quais são os seus livros e escritores favoritos? E o gênero literário favorito?

Fábio Abreu: Bem, eu amo e escrevo (preferencialmente) literatura fantástica, fantasia é minha veia. Tenho os três lordes que já citei acima, Sphor, Vianco e Draccon, como referências nacionais. Contudo, aqueles que mudaram minha existência como autor serão sempre eternos: Tolkien, Lewis, Rowling, Riordan e Martin. No entanto, tem um autor (que já citei acima também) por quem tenho um apreço inestimável: Mr. Christopher Paolini. Quer arrumar encrenca? Fale mal desse cara perto de mim. rs

Fórum MSM: Qual livro você está lendo no momento? Fale-nos um pouco sobre ele e o que te chamou a atenção nessa leitura.

Fábio Abreu: Estou lendo dois livros simultâneos. Sim, eu faço isso. Rs. EM CHAMAS, da Suzanne Collins. Já havia lido o primeiro da trilogia e gostei, desvendar Katniss – a garota em chamas mais fria que já vi – é um paradoxo estimulante. Rs. E estou lendo LONGE DOS OLHOS, um romance do Alex Andrade, autor que conheci num evento aqui no Rio de Janeiro. Trata-se de um romance homoafetivo, já havia lido outro na mesma linha e, como conheci o autor, comprei o livro e está sendo bem agradável a leitura.

Fórum MSM: Quais suas principais influências literárias?

Fábio Abreu: Citar nomes seria chover no molhado. Mas posso dizer que tenho visto alguns autores nacionais que galam seu espaço dia a dia e isso me inspira. Minha influência como autor vem de grandes épicos da literatura internacional, mas os autores nacionais que se lançam com maestria nesta linha literária tem arrebatado meu coração. Viva a fantasia!

Fórum MSM: Qual a sua visão sobre a crescente em que se encontra os gêneros de fantasia, ficção e etc. no Brasil?

Fábio Abreu: Excelente! Melhor impossível! Sinal de que o brasileiro tem perdido um pouco do preconceito em relação ao que é feito aqui, as obras tipicamente “tupiniquins”. Espero que esse movimento cresça e se torne algo volumoso ao ponto de não ser mais ignorado por nenhum leitor que se interesse por fantasia. E que suas estantes sejam repletas – não apenas – de livros com assinaturas internacionais.

Fórum MSM: Você mencionou que o ASES DA LITERATURA lhe rendeu boas parcerias. Pode nos falar mais? Existe algum projeto do grupo?

Fábio Abreu: Sim e não! Rs. Logo após o lançamento do livro O ÚLTIMO DIA ANTES DO FIM DO MUNDO, eu tive uma ideia para um projeto, que está em pleno vapor neste momento. O nome do projeto é “Conto dos 7”. Consiste num projeto-livro em que sete escritores trabalham cada um num conto sempre com temas voltados para o número 7 e sua mística. A primeira antologia, com o tema OS SETE PECADOS CAPITAIS, está para ser concluída com trabalhos que vão surpreender pela qualidade e criatividade. Agradeço a Deus a oportunidade de trabalhar com pessoas tão dedicadas e talentosas. Fica aqui o meu respeito pelos escritores que acreditaram no meu projeto e o abraçaram junto comigo: Maud Epascolato, Glau Tambra, Lu Franzin, Marcelo Maropo, Lucas Odersvänk e Moisés Suhet. Vocês são incríveis!

Fórum MSM: Nota-se como você tem projetos e trabalhos em andamento. Como consegue coordenar seu tempo para atender a tantas demandas.

Fábio Abreu: Ainda coordeno, com a ajuda incondicional de Renan Santos, Karoline Neves e Patrique Mamedes, o projeto de um livro chamado O DIÁRIO DE UM ESCRITOR. E posso definir a resposta para esta pergunta em apenas uma palavra: AMOR.

JOGO RÁPIDO

Um livro: ERAGON
Uma pessoa: MINHA MÃE
Um desejo: ALCANÇAR MUITOS CORAÇÕES COM MINHAS HISTÓRIAS
Uma música: CONQUISTA DO IMPOSSÍVEL (ALINE BARROS)
Uma comida: PIZZA =P
Uma bebida: SUCO DE MAÇÃ COM SOJA
Uma inspiração: DEUS
Uma frase: O VERDADEIRO DOM DE UM ESCRITOR NÃO É O DE ESCREVER BELAS HISTÓRIAS, MAS SIM ALCANÇAR OS CORAÇÕES COM SUAS PALAVRAS.
Felicidade: CONCLUIR UM NOVO TRABALHO, E SABER QUE TIVE ÊXITO!

Por fim, pode deixar uma mensagem ou uma dica para os futuros escritores...

Amados, o maior obstáculo que pode existir está dentro de nós mesmos: o medo de tentar, transpor e ir além. Nunca deixe que ninguém diga que você não pode algo. O sonho do homem é o que alimenta sua alma. Persista, prossiga e nos conte sua vitória depois! =)
Obrigado pelo carinho!

Vargas, obrigado pelo espaço e pela consideração, querido! Sucesso!

Eu é quem tenho que agradecer por fazer parte desse projeto lindo, tenho uma fé inabalável em acreditar que vamos conseguir alcançar nossos objetivos. Também desejo a você todo Sucesso!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Grandes Escritores e suas Grandes Obras (Parte 4) - Herman Melville & Moby Dick

Moby Dick é uma história que já pertence ao imaginário popular, a saga da gigantesca baleia branca que aterroriza os mares e todos que nele se aventuram. O texto de Herman Melville foi publicado em 1851 e se tornou uma das mais importantes obras literárias da língua inglesa. A aventura épica é narrada por Ismael, um marinheiro a bordo de um navio baleeiro. A embarcação é comandada pelo insano capitão Ahab, que fará de tudo, até sacrificar a própria vida e a da tripulação, na sua busca obsessiva por uma baleia branca que arrancou uma de suas pernas. “Moby Dick” esconde sob a aventura narrada várias metáforas, simbolismos e questões filosóficas. A obra é vista como um marco no gênero, um clássico que influenciou o nascimento de outros grandes livros de aventuras, como os escritos por Joseph Conrad e Júlio Verne, entre outros.

O nome da obra se refere ao do cachalote enfurecido, de cor branca, que havendo sido ferido várias vezes por baleeiros, conseguiu destrui-los todos. Originalmente foi publicado em três fascículos com o título de Moby-Dick ou A Baleia em Londres no ano de 1851, e ainda no mesmo ano em Nova York em edição integral. O livro foi revolucionário para a época, com descrições intricadas e imaginativas das aventuras do narrador - Ismael, suas reflexões pessoais, e grandes trechos de não-ficção, sobre variados assuntos, como baleias, métodos de caça a elas, arpões, a cor branca (de Moby Dick), detalhes sobre as embarcações e funcionamentos, armazenamento de produtos extraídos das baleias.


A obra foi inicialmente mal-recebida pelos críticos, assim como pelo público, mas com o passar do tempo tornou-se uma das mais respeitadas da literatura em língua inglesa, e seu autor é agora considerado um dos maiores escritores estadunidenses.
O livro abre-se com uma das mais famosas citações da língua inglesa: "Chamai-me Ismael."



Sinopse - Moby Dick - Herman Melville

Na cidade de New Bedford, em Massachusetts, o marinheiro Ismael conhece o arpoador Queequeg e, juntos, partem para a ilha de Nantucket em busca de trabalho no mercado de caça às baleias. Lá, eles embarcaram no baleeiro Pequod para uma viagem de três anos aos mares do sul. Entre eles, tripulantes de diversas nacionalidades: os imediatos Starbuck, Stubb e Flask; os arpoadores Tashtego e Daggoo, além de Ahab, o sombrio capitão que ostenta uma enorme cicatriz do rosto ao pescoço e uma perna artificial, feita do osso de cachalote. Obcecado por encontrar a fera responsável por seus ferimentos e que nenhum arpoador jamais conseguiu abater - a temível "Moby Dick" -, o capitão Ahab conduz o baleeiro e toda a sua tripulação por uma rota de perigos e incertezas.




 A história começa mesmo quando Ismael, já veterano do mar, decide embrenhar-se em um outro ramo da atividade marítima, a pesca de baleias. Para tal, viaja para uma região norte-americana especializada na referida pesca, e por vias, instala-se na hospedaria "O Espiráculo", onde conhece Queequeg, o seu melhor amigo. Embarcam no navio The Pequod, mas antes Ismael recebe um aviso de um homem velho que o capitão, conhecido como Ahab, é louco e muito se compara com o diabo e seu navio, como o inferno. Ahab possui "demônios". E também anuncia que tem um único e vedadeiro ódio: a baleia Moby Dick.


A viagem baleeira tem a previsão de três anos de duração. O interesse da tripulação do Pequod é a obtenção de lucro a partir da pesca de baleias para extração de gordura, espermacete - fino produto e amplamente usado na época - e outros sub-produtos da pesca. Todavia, o capitão Ahab tem por objetivo particular confrontar-se com Moby Dick, o cachalote responsável por arrancar-lhe a perna. Moby Dick é tido como um monstro pelos baleeiros, os quais, segundo o autor, evitam confrontar-se com ele quando o avistam. Melville vale-se de várias reflexões particulares para transformar o cotidiano de um navio baleeiro, bem como a pesca em si e as finalidades de tal labor (detalhes esses que o autor descreve exaustivamente) para construir uma metáfora acerca da condição do homem moderno.

A hora da batalha entre a razão humana e o instinto animal é começada. Em meio aos desdobramentos das
loucuras e acessos de raiva devido à ambição do Capitão, a baleia curiosamente se choca contra a quilha do navio, que entra em estado de instabilidade enquanto seus tripulantes tentam escapar, e aqueles que entraram nos botes para se confrontar com Moby Dick acabam tendo que esperar pela morte (pois todos os botes são destruídos).











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O final de Moby Dick é previsível, mas isso não tira pontos da obra, pois também é incessantemente surpreendente. Sabia-se que o destino não guardava flores para Ahab, e sim espinhos, pois a lição filosófica da obra é que o homem quando dá-se por extremamente ambicioso acaba perdendo tudo que mais preza, no caso da metáfora construída, o Pequod e a vida. Tendo seu melhor amigo Queequeg morrido naquele mesmo dia, Ismael estava sozinho em meio aos escombros e aos corpos (todos mortos). Pois que, quando não lhe restavam mais esperanças, o caixote onde Queequeg seria velado, segundo sua crença pagã, emerge da água para que o sobrevivente seja salvo. E, assim, ao gosto das ondas, o marinheiro é levado para casa. Tempos depois de ter vivido o sabor da sua amarga aventura e ter visto o quanto o homem pode ser tolo por razões tão naturais como o instinto animal, e criar seus fantasmas justamente por sua pretensão, Ismael não tem mais vontade de voltar para o mar. Deveras, já vira de tudo.

O romance foi inspirado no naufrágio do navio Essex, comandado pelo capitão George Pollard, quando este foi atingido por uma baleia e afundou. Essa história real inclusive já virou livro nas mãos do autor Nathaniel Philbrick, tendo esse ano sido anunciado uma adaptação ao cinema, mas falarei bem mais sobre isso num próximo post da série "Saindo do Papel".

Moby Dick no Cinema

Gregory Peck
Richard Basenhart
O livro já recebeu algumas adaptações ao cinema com Patrick Stewart, o eterno professor Xavier da trilogia X-Men, como o Capitão Ahab e outra adaptação também muito boa para a TV no ano passado, pela AMC, com Ethan Hawke  interpretando Ismael.
Eu particularmente considero o filme de 1956 a melhor, dirigido por John Houston, com Gregory Peck no papel do insano Capitão Ahab e  Richard Basenhart interpretando o narrador Ismael.


Herman Melville

Herman Melville (1 de agosto de 1819, Nova York - 28 de setembro de 1891, Nova York) foi um escritor, poeta e ensaísta norte-americano. Embora tenha obtido grande sucesso no início de sua carreira, sua popularidade foi decaindo ao longo dos anos. Faleceu quase completamente esquecido, sem conhecer o sucesso que sua mais importante obra, o romance Moby Dick, alcançaria no século XX. O livro, dividido em três volumes, foi publicado em 1851 com o título de A baleia e não obteve sucesso de crítica, tendo sido considerado o principal motivo para o declínio da carreira do autor.

Herman Melville foi o terceiro filho de Allan e Maria Gansevoort Melvill (que posteriormente acrescentaria a letra "e" ao sobrenome). Quando criança, Melville teveescarlatina, o que afetou permanentemente sua visão. Mudou-se com a família, em1830, para Albany, onde frequentou a Albany Academy. Após a morte do pai, em 1832, teve de ajudar a manter a família (então com oito crianças). Assim, trabalhou como bancário, professor e agricultor. Em 1839, embarcou como ajudante no navio mercanteSt. Lawrence, com destino a Liverpool e, em 1841, no baleeiro Acushnet, a bordo do qual percorreu quase todo o Pacífico. Quando a embarcação chegou às ilhas Marquesas, na Polinésia francesa, Melville decidiu abandoná-la para viver junto aos nativos por algumas semanas. As suas aventuras como "visitante-cativo" da tribo de canibais Typee foram registadas no livro Typee, de 1846. Ainda em 1841, Melville embarcou no baleeiro australiano Lucy Ann e acabou por se unir a um motim organizado pelos tripulantes insatisfeitos pela falta de pagamento. O resultado foi que Melville foi preso em uma cadeia no Tahiti, da qual fugiu pouco depois. Todos esses acontecimentos, apesar de ocuparem menos de um mês, são descritos em seu segundo livro Omoo, de 1847. No final de 1841, embarcou como arpoador no Charles & Henry, na sua última viagem em baleeiros, e retornou a Boston como marinheiro, em 1844, a bordo da fragata United States. Os dois primeiros livros renderam-lhe muito sucesso de crítica, público e um certo conforto financeiro.

Em 4 de agosto de 1847, Melville casou com Elizabeth Shaw e, em 1849, lançou seu terceiro livro, Mardi. Da mesma forma que os outros livros, Mardi inicia-se como uma aventura polinésia, no entanto, desenvolve-se de modo mais introspectivo, o que desagradou o público já cativo. Dessa forma, Melville retomou à antiga fórmula literária, lançando duas novas aventuras: Redburn (1849) e White-Jacket (1850). Nos seus novos livros já era possível reconhecer o tom visivelmente mais melancólico, que adotaria a seguir. Em 1850, Melville e Elizabeth mudaram-se para Arrowhead, uma quinta em Pittsfield, Massachusetts (atualmente um museu), onde Melville conheceu Nathaniel Hawthorne, a quem dedicou Moby Dick, publicado em Londres, em 1851. O fracasso de vendas de Moby Dick e de Pierre, de 1852, fez com que o seu editor recusasse o manuscrito, hoje perdido, The Isle of the Cross.

Herman Melville morreu em 28 de setembro de 1891, aos 72 anos, em Nova York, em total obscuridade. O obituário do jornal The New York Times registrava o nome de "Henry Melville". Depois de trinta anos guardado numa lata, Billy Budd, o romance inédito na época da morte de Melville foi publicado em 1924 e posteriormente adaptado para ópera, por Benjamin Britten, e para o teatro e o cinema, por Peter Ustinov.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Famosos & Escritores (Parte 1) - Steve Martin

Famosos & Escritores é mais uma série de publicações curtas que serão apresentada aqui no meu BLOG Meu Mundo em suas Mãos. Dessa vez irei falar sobre escritores famosos que não se tornaram tão famosos através de seus livros.

Nessa primeira parte irei falar sobre um ator muito conhecido do público, afinal ele é um dos melhores atores de comédia que a geração atual já viu e com certeza já fez muitos de nós darmos muitas gargalhadas.

 Steve Martin


A Balconista


O livro A Balconista, de Steve Martin, conta a história de uma vendedora de loja de departamentos chamada Mirabelle, uma mulher de 27 anos que tem uma vida amorosa muito complicada. Ela começa a namorar com o jovem Jeremy, um rapaz que não sabe tratar as mulheres como deveria, inclusive querendo que a parceira banque os encontros, almoços, cafés e outros. Como era de se esperar, o relacionamento deles esfria e acaba de desfazendo e Mirabelle conhece Ray Porter, um homem muito rico e alguns anos mais velhos do que ela.

Ray é educado e até cavalheiro, apresentando as virtudes que Jeremy não possui, porém, não quer um envolvimento sério e só procura Mirabelle quando necessita suprir suas carências sexuais, magoando ela profundamente. Mirabelle acaba se envolvendo nesse triângulo amoroso entre Jeremy e Ray e sendo usada como objeto por ambos e acaba sempre frustrada após os seus encontros.



Pura Bobagem

Pura Bobagem é compilação dos textos mais engraçados de Steve Martin já publicados na imprensa americana. A maior parte deles escrita para a The New Yorker. As histórias de Pura Bobagem  ficaram praticamente esquecidas até serem reunidas neste livro. Uma coletânea que revela um escritor de talento e com uma dose muito grande de humor. Apesar de muitas das crônicas estarem relacionadas a fatos acontecidos quando de sua publicação, as melhores são justamente as desvinculadas do mundo real.

Se já é engraçado quando critica um fato conhecido, Martin é impagável quando dá liberdade total à própria imaginação. Pura Bobagem  é tudo que o título promete e apresenta o melhor das improvisações do comediante. A argúcia de Martin com as palavras, seus comentários inteligentes são lançados com astúcia capaz de fazer sorrir até o mais carrancudo dos leitores. Em crônicas de apenas algumas páginas, Martin consegue ser hilariante com a mesma combinação que o consagrou nas telas: inteligência e elegância em contraste com a comédia mais rasgada. Pura Bobagem é uma leitura divertida que apresenta aos leitores um escritor surpreendentemente bom, que já demonstra nos seus dois primeiros livros o mesmo brilho que o imortalizou nos cinemas.

Nascido para matar... De rir


Durante um de seus ataques de pânico, Steve Martin foi parar no hospital, achando que ia morrer. De repente, a enfermeira que o atendia vira-se  para ele e pede um autógrafo no papel que registrava seus batimentos cardíacos. No auge da fama, as pessoas riam descontroladas de qualquer coisa que ele dissesse, como: "A que horas o filme começa?”. Ou então, durante um jantar com uma bela garota, Martin descobria que a moça tinha um namorado – e que o rapaz aprovava a idéia de ela estar tendo um encontro com um rei da comédia.

Essas são algumas das divertidas histórias do livro Nascido para Matar... de Rir – Do stand-up ao cinema, como me tornei um fenômeno do humor, autobiografia do ator americano Steve Martin, em que narra seu início de carreira, sua ascensão ao cenário do humor,  suas namoradas, as pessoas que influenciaram seu trabalho, por que abandonou os palcos, além de contar a sua difícil relação com a família.

Em meados dos anos 70, o nome de Steve Martin estourou no cenário da comédia nos Estados Unidos. Em 1978, ele já atraía as maiores platéias da história da stand-up comedy; em 1981, deixou os palcos para sempre. O que este livro conta, nas palavras do próprio Martin, é “por que eu fui parar na stand-up e por que eu saí dela”. O comediante mostra todo o sacrifício, disciplina e originalidade que fizeram dele um ícone e que continuam transparecendo no seu trabalho até hoje. Um livro muito divertido. Uma obra-prima de quem leva a sério a profissão de fazer rir.


Biografia do Autor

Steve Martin é um ator fascinante, com muita expressão corporal e gestual, além de também um talento para escrever roteiros de comédias, o que lhe permitiu atingir o sucesso a partir dos anos 1970.


O início na carreira nos anos 1960 foi como escritor e ator de quadros de humor em séries de TV canadenses e estadunidenses. A virada da carreira ocorreu com a sua participação no programa de humor Saturday Night Live, onde conseguiu projeção na América do Norte.

Com a oportunidade de fazer cinema, em 1978 estreou o filme O Panaca (The Jerk), do diretor Carl Reiner, onde interpretava um jovem branco extremamente tapado e inocente, que fora adotado por uma família negra e não sabia disso até que lhe contaram, já adulto. Com a popularidade obtida no filme, ele e o diretor Reiner firmaram uma parceira de sucesso, realizando várias comédias em estilo non sense, inclusive Cliente morto não paga (1982) e Um espírito baixou em mim (1984), que lhe tornariam uma estrela internacional do cinema e um talento reconhecido após a indicação ao Globo de Ouro como melhor ator por esse último filme.

Outros sucessos de bilheteria foram Três Amigos (1986), Os Safados (1988), O pai da noiva (1991), A casa caiu (2003), além da franquia Doze é demais, iniciada em 2003. Em 2006 participou do relançamento da série de A Pantera Cor-de-Rosa, quando aceitou o desafio de dar nova interpretação ao famoso personagem inspetor Jacques Clouseau que fora de Peter Sellers. Com o sucesso popular conseguido, participou da sequência, lançada em 2009.
Em Julho de 2012 casou-se com Anne Stringfield de 41 anos. Em Dezembro de 2012 foi pai do seu primeiro filho .

Stephen Glenn Martin é seu nome completo. Nasceu em 14 de Agosto de 1945 na cidade de Waco no estado do Texas, USA. Além de comediante, ator e escritor, Steve Martin também é  produtor,  dramaturgo, músico e compositor. como músico ele já recebeu inclusive dois Grammy Awards em 1978 e 1979 pelas álbuns de comédia  "Let's Get Small - 1978" e  "A Wild and Crazy Guy - 1979".

quinta-feira, 14 de março de 2013

Saindo do Papel (Parte 2) - M. Night Shyamalan Depois da Terra





Em 7 de junho de 2013, chega aos cinemas o novo longa-metragem do diretor M. Night Shyamalan, o mesmo que dirigiu clássicos como O sexto sentido e Corpo fechado. Depois da Terra (After Earth) é a ficção científica futurista que promete ser uma mistura de A Árvore da Vida e Jurassic Park.  O lançamento mundial promete ser um dos principais sucessos do verão americano. Estrelado por Will e Jaden Smith - pai e filho na vida real e também na ficção - o filme Depois da Terra (After Earth), distribuído pela Sony Pictures, situa a humanidade no planeta Nova Prime, mil anos após um cataclismo que tornou a Terra um lugar hostil.

O selo Suma de Letras, da Objetiva, publicará a partir de fevereiro de 2013 uma série de seis e-books, com intervalos quinzenais entre cada lançamento, que contextualiza o prelúdio da história, além de dois livros impressos - um romance que precede o longa, ambientando o leitor ao universo de Nova Prime, e a adaptação literária do roteiro do filme.

Na trama, mil anos depois de um cataclisma ter forçado a humanidade a sair da Terra, Nova Prime se tornou o novo lar dos humanos. O lendário general Cypher Raige (Will Smith) retorna para sua família depois de uma longa ausência a serviço, pronto para criar seu filho de 13 anos Kitai (Jaden Smith), pai e filho que mantêm entre si uma relação fria e distante. Por conta de uma chuva de asteroides que atinge a nave onde vive, a dupla faz uma aterrissagem forçada na Terra. Com Cypher (Will) machucado pelo pouso forçado, Kitai (Jaden) deve embarcar em uma jornada para salvar a si e seu pai, enfrentando uma paisagem habitada por espécies evoluídas que agora governam o planeta, além de uma criatura alienígena aparentemente impossível de ser detida. Num ambiente inóspito, pai e filho devem aprender a trabalhar juntos e a confiar um no outro, se quiserem escapar de um irreconhecível planeta Terra e retornar para casa.

Prelúdios

Com o título Histórias de fantasmas, os contos em formato digital antecedem cronologicamente o filme, e, ainda que estejam relacionados entre si, podem ser lidos de forma independente. Os lançamentos serão, respectivamente, A presa, Paz, O direito de nascer, Superação, O salvador e Reparação, escritos por Peter David - um dos roteiristas de maior prestígio no mercado de videogames, além de Michael Jan Friedman e Robert Greenberger. Os ebooks poderão ser adquiridos nas lojas virtuais que atuam no Brasil.
Em maio, mês que antecede o lançamento do filme, será publicado em livro o romance A fera perfeita, prelúdio da ficção científica escrita pelos mesmos autores dos e-books. Nele, é descrita a vida dos humanos no planeta Nova Prime, desde que a Terra foi abandonada. Em seu novo habitat, a humanidade vive séculos de paz graças aos eficientes sistemas defensivos, que haviam derrotado os alienígenas Skrel. No entanto, os mesmos invasores voltam a atacar os humanos no distante planeta, desta vez com o reforço de feras assassinas. Agora, o guerreiro Conner Raige deverá honrar sua condecorada linhagem familiar e proteger a espécie humana do extermínio.

Roteiro adaptado
Em junho, mês de estreia do longa, será lançada a versão literária do roteiro de Depois da Terra, também assinada pelo veterano Peter David a partir da adaptação do original criado pelo próprio M. Night Shyamalan, Gary Whitta e por Stephen Gaghan - roteirista e diretor de Syriana, que deu a George Clooney o Oscar de melhor ator coadjuvante.


Depois da Terra: Histórias de Fantasmas:

Num planeta distante chamado Nova Prime, as tropas do Corpo Unido de Guardiões defendem os últimos seres humanos da galáxia contra a ameaça dos alienígenas Skrel e seus predadores geneticamente desenhados, os Ursas. Mas um homem comum pode ter descoberto a chave da resistência final da humanidade: uma arma secreta guardada nas profundezas da própria mente. Histórias de Fantasmas: A presaé o primeiro de seis contos em formato digital que revelam alguns dos eventos que antecedem Depois da Terra, o épico filme de ficção científica dirigido por M. Night Shyamalan e estrelado por Jaden Smith e Will Smith.

 A PRESA

Mesmo com tanto charme, beleza e habilidade no campo de batalha holográfico, Daniel Silver vive sem rumo pelas ruas da cidade de Nova Prime. Depois de pedir a namorada em casamento e ser rejeitado da maneira mais cruel, Daniel acaba aceitando uma proposta  inusitada. Sigmund Ryerson, um excêntrico magnata da indústria de energia, contrata Daniel para liderar uma expedição civil de caça a um Ursa, a fera devoradora de homens que ele só enfrentou em simulações. A excursão pode significar a morte de todos os participantes, isso se uma patrulha de Guardiões não os prender primeiro. Mas, quando o desejo de morte de Daniel quase se realiza, uma reviravolta do destino o leva a fazer uma descoberta que mudará sua vida... e a vida de todos em Nova Prime.

PAZ

Os pais de Kevin Diaz o criaram para ser um pacifista, e foi por isso que ficaram tão decepcionados quando Kevin se alistou nos Guardiões. Mas o jovem acredita que lutar pela paz vale a pena. E ele terá de combater ferozmente para sobreviver a uma investida inesperada dos Ursas. Enquanto o comandante Cypher Raige lança uma contraofensiva, Kevin chega a tempo de testemunhar o massacre dos companheiros e de civis, num pesadelo de sangue e terror. Subitamente, ele entende que ser um Guardião, ser até mesmo o melhor dos Guardiões, não é suficiente para enfrentar um inimigo que pode desaparecer a vontade, atacar com a velocidade de um raio e rasgar um homem em dois com um mero golpe. Kevin fez um juramento de preservar a raça humana, para fazê-lo, terá que seguir um caminho que poucos desbravaram.

O DIREITO DE NASCER

Após testemunhar a morte do marido num acidente horrível, resta apenas uma opção para Mallory McGuiness: continuar trabalhando. Os Guardiões têm seus deveres e responsabilidades. Mallory não passa de uma Guardiã comum até derrotar um dos invencíveis Ursas e perceber que é muito, muito mais. Infelizmente, o poder que poderá salvar a humanidade da extinção vem acompanhado de muitas perguntas e conflitos, e nada de garantias. Restam apenas escolhas impossíveis. Frustrada pelas missões irrelevantes que recebe, Mallory pensa em desrespeitar a cadeia de comando, levando suas queixas diretamente ao general comandante Cypher Raige. Mas ela controla o impulso por tempo suficiente para enfrentar o destino numa missão desértica na qual nada deveria dar errado... e tudo dá.

Cronograma de lançamento:
15/02 - Depois da Terra: Histórias de Fantasmas – A presa
01/03 - Depois da Terra: Histórias de Fantasmas – Paz
15/03 - Depois da Terra: Histórias de Fantasmas – O direito de nascer
31/03 - Depois da Terra: Histórias de Fantasmas – Superação
15/04 - Depois da Terra: Histórias de Fantasmas – O salvador
01/05 - Depois da Terra: Histórias de Fantasmas – Reparação


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Saindo do Papel (Parte 1) - Stephen King Sob a Redoma

"Saindo do Papel" é mais uma série de publicações que será tratada aqui no BLOG Meu Mundo em suas Mãos, dessa vez tratando de adaptações literárias, tanto para o cinema quanto para a TV.

Nessa primeira parte tratarei de um dos livros mais recentes do mestre do Terror, Stephen King, Under the Dome (Sob a Redoma).

O canal estadunidense CBS encomendou Under the Dome, série de TV que terá como base o romance homônimo de Stephen King. Já estão garantidos 13 episódios para a primeira temporada do programa.

Under the DomeInicialmente desenvolvida para o canal pago Showtime, a decisão de mover a série para a TV aberta foi tomada internamente (ambas as emissoras são do grupo CBS Corporation).

Under the Dome  segue a história dos moradores de uma pequena cidade do Maine onde subitamente surge um campo de força invisível e impenetrável. Presos sob o domo, os moradores, liderados por um veterano da Guerra do Iraque, unem-se para manter a ordem e lutar contra a barreira que os isola do resto do mundo.

King lançou o livro em 2009 depois de 20 anos trabalhando na história. Com mais de mil páginas, Under the Dome, tornou-se mais interessante para a TV do que o cinema, onde o formato oferece o espaço necessário para a história.

Brian K. Vaughan (Lost) vai escrever o roteiro. Neal Baer, Justin Falvey, Darryl Frank, Stacey Snider e King serão produtores-executivos. Under the Dome tem previsão de estreia junho e agosto nos EUA.



SOBRE O LIVRO

Título Original: Under the Dome
Título Traduzido: Sob a Redoma
Ano de Publicação: 2009
Data de Publicação nos EUA: 10/11/2009
Data de Publicação no Brasil: 01/10/2012
Personagens: Dale Barbara, James Rinnie, Julia Shumway, Andy Sanders
Conexões: A Hora do Lobisomem, Ao Cair da Noite
Cidades da História: Chester’s Mill (Cidade Fictícia no Maine)

Atualizado com o primeira Trailer da série de TV.




Sinopse

Em um dia normal de outono, na cidade de Chester Mill, Maine, a cidade é inexplicável e repentinamente isolada do resto do mundo por um campo de força invisível. Aviões colidem e caem do céu em chamas, a mão de um jardineiro é cortada na "cúpula", as pessoas são separadas de suas famílias e os carros explodem com o impacto. Ninguém pode imaginar o que essa barreira é, de onde veio, e quando — ou se — ela irá embora.
Dale Barbara, veterano no Iraque e agora um cozinheiro de pequenas-ordens, encontra-se unido com alguns cidadãos intrépidos — a dona de um jornal local Julia Shumway, assistente de um médico no hospital, uma seleta mulher e três filhos corajosos. Contra eles está Big Jim Rennie, um político que não vai parar por nada — nem assassinatos — de segurar as rédeas do poder, e seu filho, que está mantendo um segredo horrível em uma despensa escura. Mas o seu principal adversário é a própria cúpula. Porque o tempo não é apenas curto. Ele está se esgotando.


As 877 páginas de Under the Dome, de Stephen King, acabam por ser poucas para contar uma história que tem muito para oferecer.

A premissa é elegante: a cidade de Chester's Mill vê-se, de um momento para o outro, coberta por uma redoma invisível e indestrutível.
Quem a ergueu?
Qual é o objectivo?
As personagens não sabem. Porém, algumas são capazes de adivinhar. E o leitor, se pensar um bocadinho, também será.
O início e o desenvolvimento do livro são interessantes, pontuados por pormenores muitíssimo realistas de caracterização de personagens e de ambientes, embora a prosa - simples, mas não simplória - pejada de referências à cultura popular norte-americana, não se apresente muito "sofisticada" aos olhos de um leitor europeu. Contudo, do meio para o fim, Under the Dome ganha uma força tremenda e cresce imenso, dando-nos a ler, de certeza, uma das catástrofes mais violentas que já foram imaginadas na literatura.

O romance beneficiaria de uma revisão mais atenta, mesmo assim, que evitasse algumas incongruências (o cão Horace é chamado de Hector durante umas páginas, por exemplo) e linhas de raciocínio que, acho eu, devem ter permanecido de certas partes entretanto suprimidas pelo autor, aquando da preparação da versão final. Ademais, não deixa de ser inesperado que um romance tão grande tenha um ritmo tão acelerado e eu acho que isso também acaba por prejudicar Under the Dome, porque certos pormenores, como os efeitos a médio prazo que a cúpula invisível opera na cidade e região florestal limítrofe, mereciam mais atenção. De maneira geral, King está mais interessado em analisar o comportamento dos indivíduos, levado ao extremo por esta circunstância extraordinária, que em especular sobre a origem e a razão do surgimento da cúpula - embora elas sejam apresentadas e explicadas.

A verdade é que “Under the Dome” é um livro grande, desajeitado e pesado. Por ser mais um livro de Stephen King, a reação inicial do leitor é correr pelas páginas. Não faça isso! Esse livro funciona melhor quanto mais tempo você ficar nele.

O enredo é pratico e simples. Igual aos outros livros de SK ambientados numa cidade pequena (Trocas Macabras, A Hora do Vampiro, A Coisa). Alguém ou algo mau aparece nessa cidade, desencadeando uma série de eventos. Neste caso, o mau é uma redoma que cai sobre a cidade de Chester Mill, excluindo-a do mundo exterior (embora a redoma não caia, nem sequer tenha sido colocada lá… Ou foi?)… As sequências iniciais ao aparecimento da redoma são diversas: uma mulher tem sua mão decepada, um castor é esquartejado ao meio e outros grandes acidentes como a colisão de um avião contra a parede transparente. Mas essa redoma é apenas um objeto na história. Ainda que a origem, o porquê e a função dela sejam questões presentes em toda a obra, o verdadeiro horror da história está nas suas personagens. Temos, por exemplo, Big Jim Rennie, que acredita tomar todas as decisões para a melhoria da cidade. Suas preocupações são fúteis, deixando de lado questões importantes como qualidade do ar e quantidade de comida dentro da redoma. E em contrapartida existe Dale Barbara, um ex-militar que será o nosso “mocinho” na história…


O livro não se atem a disputa entre Bem X Mal, no melhor estilo de “A Dança da Morte”. Cada personagem é tão complexa que fica difícil simplificar suas descrições (lembre-se que este livro possui mais de 200 personagens). Existe um assassino que gosta de necrofilia, uma pastora que não acredita em Deus, pessoas simples tomando decisões idiotas e outros tantos que, por menores que sejam, terão alguma relevância na narrativa.


A narração é interessante: temos uma visão geral de Chester Mill, a construção do horror dos habitantes da pequena cidade e o final cataclismático que mostra até que ponto os seres humanos podem chegar num momento de desespero. SK usa, por diversas vezes, um recurso literário já usado em “A Casa Negra”, onde ele sobrevoa a cidade junto do leitor, interrompendo a história e descrevendo o que está acontecendo em cada lugar da cidade.

Curiosidades? Como qualquer livro de SK, referências a seus livros anteriores são fundamentais. Desde pequenas referências à estradas e outras cidades que são cenários de outros livros (Saco de Ossos, A Hora do Lobisomem) até uma referência assustadora a “A Coisa”.

“Por que as pessoas são tão más?” (S.K – Under the Dome)

Em suma, Under the Dome justifica seu tamanho. Embora as origens da redoma e outras questões sejam mais ou menos explicadas, este livro é sobre Chester Mill e seus habitantes. Pode não ter o alcance de um “A Dança da Morte” e o peso de um “A Coisa”, contudo é uma perfeita alegoria de como o ser humano reage quando está com medo.

Resenha por: Morakes


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Grandes Escritores e Suas Grandes Obras (Parte 3) - Julio Verne e suas Viagens Extraordinárias

O francês Julio Verne, é até hoje um dos mais visionários escritores, e mentor da ficção científica, prevendo grandes avanços da humanidade, juntamente com H. G. Wells.
Autor de extrema capacidade de previsão, muitas das suas obras chegaram a ser consideradas proféticas. Foi muito influenciado por outros escritores, principalmente os franceses Victor Hugo e Alexandre Dumas.
Era uma mente aberta a todas as ciências e às aventuras. Freqüentava as bibliotecas, onde estudou geologia, engenharia e astronomia, para logo em seguida publicar livros geniais.Em 1862 ele conheceu Jules Hetzel, um escritor infantil e editor, que começou a publicar as "Viagens Extraordinárias" de Júlio Verne.



As suas obras mais populares são

1863 - "Cinco Semanas num Balão"



Julio Verne já nos levou a viajar para vários lugares! Não teve nenhum autor que explorou tanto o nosso planeta como Verne. Volta ao mundo, pelos ares ou por terra, pelo fundo dos mares, ou pelo fundo da Terra, e tudo isso com apenas os ases da imaginação! E dentre todas essas viagens uma ficou marcada, extremamente bem detalhada: a viagem ao continente africano, executada a bordo de um balão!
Cinco Semanas em Balão, conta a história do Dr. Fergusson que se propõe a atravessar o continente africano por uma rota ainda não explorada, usando um balão de hidrogênio. Para essa façanha louca, e considerada impossível por muitos, partirão com ele em sua viagem seu fiel criado Joe, e seu grande amigo Dick Kennedy. Juntos eles irão passar por uma aventura inédita nas suas vidas, e vão conhecer todos os perigos do continente selvagem.
Como as outras obras do autor, tudo é construído minuciosamente e detalhadamente, baseado apenas na imaginação do autor, que nunca viajou realmente para os confins da Terra como suas obras propõem, portanto toda a paisagem narrada é fictícia.
Verne é um dos maiores escritores da história da literatura, e gera em suas histórias, viagens realmente fantásticas. Em Cinco Semanas em Balão, Verne consegue imergir o leitor por uma viagem extremamente perigosa ao continente negro, detalhando a paisagem exuberante, a fauna exótica, os habitantes selvagens e o clima revolto. A viagem é bem narrada, e dificuldades como altura, direção do balão – que se direciona de acordo com o vento – altitude e mantimentos, são sempre levados em conta, além dos próprios perigos da África: tempestades, animais selvagens, tribos antropófagas, e o temível deserto do Saara, são todos levados em conta no livro.
Outra grande qualidade de Verne, é construir imagens miraculosas e estupendamente belas: tempestades assistidas do ponto de vista de um balonista, vulcões em plena erupção assistidos por cima, oásis, entre outras, são algumas dessas maravilhosas cenas criadas por Verne.
Cinco Semanas em Balão, pode não ser pretensioso como 20.000 Léguas Submarinas, ou Viagem ao Centro da Terra, mas é uma das melhores obras do autor, que mais uma vez, se aproximou bastante da realidade, utilizando-se de uma ficção cinematográfica!




1864 - "Viagem ao Centro da Terra"

Verne é envolvente, sua narrativa é detalhista mas não monótona. Nesse livro Verne conta a história de um rígido e disciplinado professor e cientista chamado Lidenbrock que encontra um manuscrito em linguagem indecifrável escrita em letras rúnicas em um pergaminho dentro de um livro antigo,de cerca de 700 anos, e esquecido comprado num sebo na Alemanha. Axel, sobrinho e aprendiz de Lindenbrock, é quem consegue decifrar a mensagem bombástica que trata-se da revelação do caminho que leva ao centro da terra. Professor e aprendiz começam então uma viagem para verificar se a informação é realmente verdadeira, muito embora Axel esteja super cético. Eles partem de Hamburgo, na Alemanha, rumo à Islândia, para tentar chegar ao centro da Terra.

Durante essa perigosa, estranha e sensacional viagem dos dois, guiada pelo experiente islandês Hans, vamos com eles rumo ao centro da Terra, aprendendo sobre a composição do nosso planeta e sua história geológica. Sofremos com os percalços da viagem, uma viagem capaz de transformar tio e sobrinho. De frio e metódico ao extremo, o professor Lidenbrock se mostra capaz de se preocupar com o bem-estar do sobrinho. Axel, por outro lado, descobre em alguns meses o dedicado e carinhoso tio que era Lidenbrock, algo que não tinha conhecido em toda sua vida, julgando que o tio apenas servia aos seus próprios interesses, sem pensar nos outros. E, no meio dos dois, o guia Hans, tal qual um alicerce, uma muralha, ajudando-os na difícil aventura.



Fruto de meticulosa pesquisa, Viagem ao centro da Terra alia entretenimento a informação. Explorando culturas, cidades e mares, reconstrói a evolução do planeta e prova que nada é impossível quando se tem coragem. Pelo menos, o bastante para encarar uma inversão fascinante e, ao mesmo tempo, terrível bem debaixo de nossos pés: uma aparente semelhança revela o mais profundo estranhamento de nosso próprio mundo, colocando em xeque todo o conhecimento de uma sociedade. Mas é da destruição que surge o prazer da descoberta. A narrativa detalhada, poderosa e ritmada nos desafia a correr à internet para procurar cada lugar, checar cada informação. Até o momento em que o leitor perceberá estar — como Verne queria — cativado e irremediavelmente curioso, ávido por entender melhor seu mundo e a si próprio.



1866 - "Da Terra à Lua"

Durante a guerra da Sucessão dos Estados Unidos, fundou-se na cidade de Baltimore, no estado de Maryland, um novo clube privado, muito influente, em que uma condição sine qua non era imposta a todos aqueles que quisessem filiar-se: ter imaginado ou pelo menos aperfeiçoado uma arma, qualquer arma de fogo. Este era o Clube do Canhão.

O ócio resultante da paz veio mergulhar os membros do Clube do Canhão numa lamentável inactividade. Chegavam a ansear pelo reatamento das hostilidades. Mas essa era agora uma esperança vã. Impunha-se definir um novo objectivo, que permitisse de novo mobilizar o engenho e a paixão dos membros do clube pelo desenvolvimento da balística.
Assim sendo, foi anunciado pelo presidente do clube o seguinte projecto: Sabendo que qualquer projéctil dotado de uma velocidade inicial de doze jardas por segundo, e dirigido para ela, chegará necessáriamente até lá, restava aos membros do clube construir um canhão com poder e dimensão suficientes para chegar... à Lua! A proposta foi acolhida com clamores entusiastas e em completa euforia, não apenas no clube mas por toda a América!

A partir daqui Júlio Verne irá descrever detalhadamente os preparativos e os pormenores de engenharia do maior empreendimento de todos os tempos. Em Da Terra à Lua e em À Volta da Lua, com mais de um século de antecedência, a sua capacidade de previsão revela-se verdadeiramente espantosa:
- Os Estados Unidos lançariam o primeiro veículo construído pelo Homem para ir à Lua.
- O tamanho e a forma da nave lembrariam com grande aproximação o módulo de comando e serviço da Apollo.
- A tripulação seria composta por três homens.
- Uma competição para a escolha do local do lançamento iria ter lugar entre a Flórida e o Texas, a qual foi efectivamente resolvida pelo Congresso em 1960, tendo a Flórida ficado com o local de lançamento e Houston, Texas com o Centro de Controlo de Missão.
- A nave de Verne empregaria retrofoguetes, tecnologia que viria a ser empregue por Neil Armstrong e seus colegas de tripulação na viagem para a Lua.
- Os primeiros homens a ir à Lua regressariam à Terra e viriam a amarar no Oceano Pacífico, precisamente onde a Apollo 11 amarou em Julho de 1969, 106 anos após o lançamento da obra de Júlio Verne, Da Terra à Lua.



1870 - "20.000 Léguas Submarinas"

Algo estava atacando os navios em alto-mar, disso não restava dúvidas. Mas o quê? Surge a teoria de que se trate de um narval com proporções gigantescas (grande cetáceo cujo macho é dotado de uma presa de marfim, graças a estas presas é que surgiu a lenda do unicórnio). Constrói-se então a Abraham Lincoln, fragata cujo único propósito seria exterminar o animal responsável por tantos ataques a navios.

Dentre a tripulação de arpoadores, dos quais se destaca Ned Land por sua habilidade na caça de baleias, se juntaram Dr. Aronnax - autor da teoria do narval - e seu fiel companheiro Conselho. E estas três personagens, no meio do confronto entre a fragata e o animal, são atirados ao mar e ficam à deriva, até que inesperadamente encontram uma ilha de metal no meio do oceano. E é então que a verdadeira aventura começa.

Nos meses seguintes acompanharam o Capitão Nemo a bordo do submarino Náutilo pela expedição marinha mais espetacular que jamais poderiam imaginar. Navegaram por todas as massas de água do mundo, vendo as diversas espécies de vida marinha em seu habitat natural, descobrindo passagens, túneis, abismo sequer imaginados por aqueles que permaneceram na superfície. E tudo isso graças à genialidade do misterioso Capitão Nemo: homem visionário que provou ser capaz de sobreviver sem nunca voltar a por os pés em terra, tirando do mar todo o sustendo necessário.
E é ali que o Dr. Aronnax se vê diante de seu maior dilema: a sua sede de conhecimento contra a sede de liberdade, principalmente de Ned Land.

O livro é contado pelo ponto de vista do Dr. Aronnax, cientista que se maravilha diante das belezas do oceano. E isto é o mais fantástico do livro: a riqueza de detalhes. E ao ler tudo que se passou, não posso deixar de imaginar o que veria o Capitão Nemo se viajasse nos mares nos dias de hoje...


1873 - "A Volta ao Mundo em 80 Dias"

Tudo começa como cavalheiro Fíleas Fogg, homem bem metódico quanto ao tempo, que faz tudo conometrado,  que faz parte do Clube Reformador de Londres, onde joga com outros amigos e passa o tempo, pra depois voltar para sua casa, pontualmente.
Quando Fogg e seus amigos, no meio de uma conversa, fazem uma aposta sobre que Fíleas conseguisse, dentro de 80 dias, dar a volta ao mundo e chegar pontualmente no Clube. Caso contrário, teria que pagar 20 mil libras! Fíleas, todo confiante, parte em viagem junto ao seu fiel empregado, Passpartout.  Quando pegam o primeiro navio iniciando a viagem, um detetive os persegue por todo o caminho, alegando que Fíleas Fogg era um bandido que roubara, exatamente em um banco, 20 mil libras!

No decorrer da viagem - com o detetive Fix Finge indo logo atrás - os dois personagens se metem em muitas aventuras em muitas terras desconhecidas, conhecem pessoa um tanto amigáveis e outras um tanto traiçoeiras. A aventura dá uma reviravolta, quando Fogg decide salvar, em território indiano, a vida de uma bela mulher que será sacrificada a um deus, em um ritual. Passpartout que tem destaque nesta parte, salvando a moça Aúda. Logo os três - com o detetive atrás - continuam a viagem, e mais reviravoltas acontecem. O tempo - 80 dias - está se esgotando rapidamente, e gastar um minuto poderá trazer drásticas consequências.

Os personagens são bem construídos e possuem personalidade. Fíleas Fogg chega até ser sombrio, em nenhum momento da viagem quando passava por certos perigos ele deixava transparecer medo ou tristeza, ou qualquer outro sentimento. Sempre estava com uma expressão forte e decidida, e nunca se deixava abalar pelos imprevistos da viagem.
Quanto a Passpartout  o criado de Fogg, é um alívio cômico para a série, na verdade, muitas vezes é ele que se mete em encrencas, mas sabemos que tem um bom coração e fidelidade ao seu patrão. Não mede esforços para ajudar Fogg na viagem, e quando salvou Aúda do sacrifício humano, provou ainda mais o seu puro caráter!
Sobre Aúda, quase não possui uma fala no livro. Sempre calada, pouco se sabe sobre ele, apenas que ficou viúva de um velho príncipe, e logo depois levada a um sacrifício humano em honra ao deus hindu, Cali. Passpartout a salva por pouco, e no decorrer da viagem parece se interessar por Fíleas. Apenas no final "ouvimos" sua voz, mas mesmo assim, acho que ela poderia ser um pouco mais explorada.
E como antagonista, o detetive inglês Fix Finge se "junta" ao grupo na viagem ao volta ao mundo em 80 dias, e querendo logo prender o "ladrão", que presumi ser Fogg, faz de tudo para pega-lo, até se disfarça de amigo, armando uma cilada para o cavalheiro. No final, tudo se resolve... mas é claro, tudo tem seu preço!


1874 - "A Ilha Misteriosa"

Um grupo bem díspar em tudo, reúne-se para fugir de uma guerra, onde se encontram encurralados, sem hipótese de saída. De repente surge um balão no meio do pátio que aguarda melhor tempo para navegar. A tempestade é poderosa, mas estes homens não são fracos por natureza e valendo-se cada um do seu melhor vão enfrentar a intempérie.


Desde a viagem alucinante, onde têm que se despojar de tudo o que o mundo dito civilizado oferece até à descoberta de uma ilha desconhecida no Oceano Pacífico. Os cincos sobreviventes enfrentam os obstáculos naturais impostos pela ilha misteriosa, desde animais selvagens e temperaturas extremas a um navio repleto de piratas. Nessa história empolgante, com um final surpreendente, Verne combina aventura e pesquisa científica em uma narrativa clara e dinâmica, entremeada pelo humor, ironia e criatividade onde se descobrirá a verdadeira essência do Homem perante as adversidades, a coragem e determinação, a sua capacidade de engenho, a resistência, persistência, a gratidão quer perante cada um dos elementos da equipa, quer perante o Criador, a união e até o carinho entre companheiros.

Neste livro, por vezes absolutamente comovente, com situações absolutamente inesperadas e por vezes algo insólitas, Júlio Verne vem mais uma vez demonstrar a sua capacidade visionária neste fantástico livro.



1904 - "O Senhor do Mundo"

O Senhor do Mundo" é um livro fascinante que antecipa algumas invenções. Nesta obra a última aeronave que Júlio Verne pode imaginar é a soma de outras invenções. Tinha algo de automóvel (corria a mais de 250 km/h), de carro anfíbio (era barco e submarino) e, seguida por navios de guerra, conseguia desdobrar suas asas, como fez no alto das quedas do Niágara.

Numa pacata cidade dos Estados Unidos, tremores inexplicáveis e luzes vindas de uma montanha próxima aterrorizam os cidadãos. John Strock, investigador-chefe da Polícia de Washington D.C., é designado para esclarecer o caso e fazer jus ao seu nome de senhor do mundo. Publicado originalmente em 1904, um ano antes da morte de Júlio Verne, O Senhor do Mundo é a continuação de Robur, O Conquistador, de 1886.

O poder de um só homem contra a humanidade, dominando a tudo e a todos. Uma obra clássica de Júlio Verne.

Júlio Verne





Júlio Verne, em francês Jules Verne, (Nantes, 8 de fevereiro de 1828 — Amiens, 24 de março de 1905) foi um escritor francês.
Júlio Verne foi o filho mais velho dos cinco filhos de Pierre Verne, advogado, e Sophie Allote de la Fuÿe, esta de uma família burguesa de Nantes. É considerado por críticos literários o precursor do gênero de ficção científica, tendo feito predições em seus livros sobre o aparecimento de novos avanços científicos, como os submarinos, máquinas voadoras e viagem à Lua.

Até hoje Júlio Verne é um dos escritores cuja obra foi mais traduzida em toda a história, com traduções em 148 línguas, segundo estatísticas da UNESCO, tendo escrito mais de 100 livros.





Júlio Verne passou a infância com os pais e irmãos, na cidade francesa de Nantes e na casa de verão da família. A proximidade do porto e das docas constituíram provavelmente grande estímulo para o desenvolvimento da imaginação do autor sobre a vida marítima e viagens a terras distantes. Com nove anos foi mandado para o colégio com seu irmão Paul. Júlio estudou em Nantes onde tirou o curso de direito.

Mais tarde, seu pai, com a esperança de que o filho seguisse sua carreira de advogado, enviou o jovem Júlio para Paris, a fim de estudar Direito. Ali começou a se interessar mais pelo teatro do que pelas leis, tendo escrito alguns livretos de operetas e pequenas histórias de viagens. Seu pai, ao saber disso, cortou-lhe o apoio financeiro, o que o levou a trabalhar como corretor de ações, o que teve como propósito lhe garantir alguma estabilidade financeira. Foi quando conheceu uma viúva com duas filhas chamada Honorine de Viane Morel, com quem se casou em 1857 e teve em 1861 um filho chamado Michel Jean Pierre Verne. Durante esse período conheceu os escritores Alexandre Dumas e Victor
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