quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

5 Dicas para Criar um Personagem Cativante

1. Identifique-se com o Personagem

Ter um personagem com o qual nos identificamos é de suma importância para podermos cativar outros leitores. Quando nos identificamos com o personagem, iremos extrair o máximo do escritor que somos para que o personagem tenha características marcantes e envolventes.
Se você gostar do personagem, ou seja, se você se identifica com o personagem, ao escrever sua história, as situações serão naturais e verdadeiras, pois você colocará mais sentimentos nele, tentando representar aquela pessoa que você gostaria que ele fosse.
Por exemplo, se você é um aventureiro, uma pessoa que sempre está disposta a conhecer novas pessoas, novos lugares e experimentar novos sentimentos, criar um personagem aventureiro não será problema algum pra você, pois muitas das situações você já viveu, você pode expressar sentimentos reais de uma forma mais viva, mais ativa e certeira.
Portanto, procure colocar um pouco das suas experiências no personagem. Por isso que um escritor é, acima de tudo, um grande observador.

2. Defina as características do Personagem

Antes de sair escrevendo por aí, pense como será o personagem de sua história. Será ele ou ela? Será alto, baixo, careca, cabeludo, novo, veho; magro, atlético, ocioso, curioso, brincalhão, sorridente, ingênuo,  animado, romântico, ranzinza… Como ele será?
Determinar as características físicas e psicológicas do personagem é uma das formas de posicioná-lo corretamente na história. Tente não inventar muita moda, certos arquétipos não devem ser alterados. Por exemplo, não invente de criar um personagem atlético e ao mesmo tempo intelectual. Essa combinação pode existir, porém, não é o que vemos todos os dias. Seja atrevido, mas mantenha as aparências.

3. Dê profundidade ao Personagem

Se você já se identificou com o personagem e já determinou as suas características físicas. Agora você precisa dar profundidade a ele.
Aprofundar o personagem é criar uma história anterior à história que você está escrevendo. É mostrar que o teu personagem possuía uma vida anterior, trazendo para a história atual uma bagagem de experiências, amarguras e desejos.
Quando o personagem já possui essa bagagem, dependendo da história que você irá escrever, os leitores podem se identificar com maior facilidade, cativando-os à história e, ao mesmo tempo, ao personagem. Por exemplo, se teu personagem tiver uma idade avançada, é de se esperar que ele possua experiência suficiente para solucionar problemas na trama, ou até ajudar um personagem mais novo, assim, neste caso, teríamos um personagem coadjuvante ou co-protagonista.
Portanto, nunca deixe de pensar nesses pequenos acontecimentos que se deram antes da atual história, pois eles podem ser úteis durante toda a trama. Mas, evite contar toda a história passada, deixe que a nova trama traga essas experiências à tona.

4. Evite excessos

Lembre-se que você está escrevendo a história para um grupo de pessoas, e que esses leitores nem sempre serão como você, não estarão, todavia, com a mesma faixa etária que você. Logo, se você quer que esse personagem seja cativante, evite criar muitos excessos.
A não ser que você esteja escrevendo uma história infantil, o teu personagem deve possuir boas e más características. Criar um personagem exemplar não irá cativar seus leitores, pois verão que aquilo é uma pura farsa. Ninguém é perfeito, ninguém fica rindo todo o tempo, ninguém é engraçado todo o tempo, ninguém é legal a todo o tempo.
O seu personagem deve estar sempre no meio fio. Até mesmo o herói da história pode apresentar características más, porém as boas irão prevalecer. Quanto mais você puder fazer com que o leitor se identifique com o personagem, melhor.
Essa dica vale para tudo na histór
ia. Evitar os excessos ajudará a criar um personagem “real”, e são as pessoas reais que nos interessam e nos cativam.

5. Seja o leitor de sua história

Esse é um dos passos mais importantes. Após você criar o teu personagem, deixe de lado o escritor e seja o primeiro leitor da sua obra. Se você ainda não terminou a história, não tem problema, pegue o que já estiver escrito e leia.
Não seja um crítico, seja um leitor e veja se teu personagem te cativa, se te faz criar alguma expectativa, se ele está te convencendo de ser uma pessoa “real”, se ele te faz querer acompanhá-lo durante toda a história.
Confesso, não é algo
fácil de ser feito, principalmente se você já possuir as diretrizes para a continuidade da história. Porém, fazer esse exercício te ajudará a ver alguns erros de gramática e de lógica, sem contar que pode ajudar a desatar alguns pontos que estejam amarrados.
Seja o leitor e se o personagem te cativar, acredite, ele irá cativar outras pessoas.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Best-Seller: A História de um Gênero

“Best-Seller: a história de um gênero”, da jornalista Halime Musser, é um livro sobre os livros chamados populares


Best-Seller: a história de um gênero é uma obra inovadora e intrigante sobre os livros popularmente denominados de best-sellers, resultado de uma pesquisa ampla e profunda realizada pela jornalista Halime Musser. A partir do gosto pessoal da autora pela literatura de entretenimento e da escassez de bibliografia acerca do tema.

Foram escolhidos quatro romances do autor norte-americano Sidney Sheldon, considerado ícone entre os escritores de best-sellers, para iniciar uma discussão recorrente acerca do tema: o que os best-sellers significam para a Literatura e para o mercado editorial? A partir da leitura de Se Houver Amanhã, A Ira dos Anjos, A Herdeira e O Outro Lado da Meia-Noite e da análise de importantes fatos históricos, bem como exemplos baseados nas obras de autores Românticos e Realistas, foi possível compreender e explicar por que os best-sellers não podem ser classificados com “subliteratura“.



Há no livro ainda uma entrevista inédita com a autora Tilly Bagshawe, de A Senhora do Jogo, sequência de O Reverso da Medalha, de Sidney Sheldon.

Numa bela coincidência, num gancho de mesmo tema, ontem saiu um ótimo artigo no Estadão de São Paulo, intitulado "No reino dos best-sellers".

A. P. Quartim de Moraes, que assina o texto, começa apontando aquilo que é há muito tempo falado e debatido: a lista de mais vendidos é dominada pelos estrangeiros.

Mas não é só nessa constatação que Quartim faz coro, mas com a ideia de que "Não tem como evoluir uma literatura que não é publicada", o que acontece com a literatura brasileira.

Vivemos uma era em que se diz que a literatura nacional não vende, mas isso é quase como a propaganda do biscoito "vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?". Se não há divulgação e investimento na literatura nacional, é difícil que ela faça o milagre por si só.

E se levarmos em conta o alto investimento do mercado editorial para conseguir comercializar uma dessas obras que dominam a lista de mais vendidos do New York Times, vemos que não é falta de dinheiro que está impedindo esse acerto interno.

Há muitos autores nacionais que se tornariam facilmente best-sellers de vendas, passando sua literatura muito longe das "facilidades" que são associadas aos best-sellers top de listas.

Mas é preciso investimento. É preciso acreditar que mais espaço na mídia para a literatura nacional gera, por consequência, mais vendas, pois há muito público interessado em ler. Se não fosse assim, a lista de mais vendidos não se bastaria nem com os estrangeiros.


Abaixo reproduzo alguns trechos que merecem atenção:

"Quando nos deparamos com a presença dominante e quase exclusiva de autores estrangeiros nas listas de romances mais vendidos no País, somos levados a uma de duas conclusões: o nosso big business editorial está negligenciando os autores nacionais ou estes estão desaparecendo/trabalhando mal. Pode-se descartar a segunda hipótese sem medo de errar."

"A verdade é que literatura brasileira vende pouco porque as grandes editoras, que ditam os rumos do mercado, não estão dispostas hoje, salvo as honrosas as exceções de praxe - e, mesmo assim, vamos com calma! -, a botar dinheiro nela. Ninguém parece atentar para o fato de que conteúdos genuinamente brasileiros vendem, e muito bem, no mundo inteiro, quando se trata de teledramaturgia, porque as nossas emissoras de televisão há 50 anos investem pesado nas novelas e acabaram criando um padrão internacional de excelência."

"Então, se o segredo é o dinheiro, por que não botá-lo com a mesma generosidade na criação literária brasileira? E apoiar a produção literária nacional não significa apenas editar eventualmente uma obra com tiragem de 2 mil exemplares e abandoná-la à própria sorte."

"Os publishers brasileiros precisam olhar para o futuro e pensar também na responsabilidade social e cultural que o seu negócio implica."
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