quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Resenha - Os Senhores dos Dinossauros (Victor Milan)

Num ano em que Jurassic World se torna a 3° maior bilheteria da história do Cinema Victor Milán consegue materializar um sonho que milhares de leitores compartilham secretamente desde a infância: cavalgar os gigantes répteis pré-históricos, como o terrível Tiranossauro Rex.

O romance se passa no Império da Nuevaropa, um continente claramente inspirado na Europa do século XIV. Cultura e costumes, religião, conflitos políticos, tecnologia e armamento são compatíveis com o último período da Idade Média. Mas neste mundo, construído pelos Oito Criadores, os dinossauros também fazem parte do arsenal de guerra.

Os Senhores dos Dinossauros é o primeiro livro de uma Trilogia desenvolvida por Victor Milán, autor de mais de 100 romances de ficção científica e fantasia. Ele também é um dos fundadores e co-escritores do projeto Wild Cards, de Melinda M. Snodgrass e George R. R. Martin. O autor de Guerra dos Tronos, amigo pessoal de Milan, define o que os leitores podem esperar de Os Senhores dos Dinossauros: “É como um encontro de Jurassic Park com Game of Thrones.”

A luxuosa edição brasileira de Os Senhores dos Dinossauros vem em capa dura, com ilustrações originais de Richard Anderson, artista que desenvolveu concepts para filmes de Hollywood como Os Guardiões da Galáxia, Thor: O Mundo Sombrio, Gravidade e Prometheus.




É impossível não se empolgar com a capa, com o conceito de cavaleiros montados em dinossauros e pela declaração de George R.R. Martin na capa descrevendo o livro como uma mistura de As Crônicas de Gelo e Fogo com Jurassic Park.

 “Apesar de ser um livro sobre cavaleiros montados em dinossauros, ele é muito mais que isso.”


Um dos elementos mais interessantes do livro é Paradise, o mundo criado pelo autor Victor Milán. A trama se desenrola mais especificamente no continente conhecida como NuevaEuropa. Os reinos de Spaña, Alemania, Anglaterra e Francia, entre outros formam um Império, cuja língua oficial é o spañol. Esses fatores podem levar o leitor a imaginar que Paradise seja o nosso próprio mundo no passado, no futuro, ou mesmo uma versão alternativa dele, mas o autor deixa claro antes mesmo do início do livro que não se trata de nada disso.

“Algo que vocês devem saber.
Esse mundo – Paradise – não é a Terra.
Não foi a Terra. Nunca será a Terra.
Não é uma Terra alternativa.
Todo o resto é possível”

Essa declaração, principalmente a última frase, incita a nossa curiosidade para alcançar tão brevemente o término do livro, certos leitores temo algumas teorias sobre a gênese do mundo, mas é possível que cada leitor possa ter uma percepção diferente.

A história em si começa com uma grande batalha onde já matamos nossa curiosidade sobre como lutam os cavaleiros de dinossauros. Nela conhecemos também alguns dos personagens principais da trama: Jaume Llobregat, o Conde das Flores e Capitão General da Ordem dos Companheiros de Nossa Senhora do Espelho, uma ordem militar religiosa que segue os preceitos da beleza e da verdade; Voyvod Karyl, comandante da Legião do Rio Branco, uma lendária tropa mercenária e seus imbatíveis Triceratops com suas torres de arqueiros nas costas; Rob Korrigan, um plebeu, menestrel e mestre de dinossauros, responsável por cuidar e alimentar as grandiosas montarias; e, por último, o Duque Falk von Hornberg e seu Tiranossauro Rex albino, Floco de Neve. Mais adiante conhecemos Melodía, a Princesa Imperial, que não se contenta em apenas ser filha do Imperador e que deseja fazer algo de mais útil com a sua vida.

Aos poucos vamos percebendo como os dinossauros estão inseridos no cotidiano dos habitantes de Paradise. Além de seu uso como montaria de guerra, muitos deles são usados como transporte, como “cães de caça”, alimentação, entre outras funções. O autor se preocupou bastante com a pesquisa e todas as muitas espécies de dinossauros citadas no livro fazem jus a sua descrição científica. Eu recomendo que, principalmente aqueles leitores que gostam de visualizar as cenas, pesquisem as espécies que são citadas, pois a leitura fica muito mais rica quando sabemos exatamente a qual dinossauro o autor está se referindo naquele momento.



A batalha do início do livro mudou consideravelmente a vida de todos os envolvidos. O Conde Jaume, campeão do Império e noivo de Melodía, sente-se perturbado por decisões que foi e será forçado a tomar contra a sua própria honra. Ao mestre de dinossauros Rob é dada a missão de encontrar um guerreiro lendário que todos acham estar morto. Karyl, ferido e atormentado, terá que decidir se voltará a ser o grande guerreiro de outrora. Um rebelde e traidor cai nas graças do Imperador. Melodía se vê impotente ao tentar refrear as ações do Imperador em relação à guerra. Além de tudo isso, uma grande conspiração, que ameaça o futuro do Império, pode acabar com a vida de todos eles, ou pior.

A magia também tem o seu espaço na obra, embora ela seja bem sutil e pouco participativa nesse primeiro livro. A religião tem um papel muito maior, seja nas crença do povo ou mesmo nas maquinações políticas. Os Fae (ou demônios) e principalmente os Anjos Cinzentos, intermediários dos oito deuses criadores e responsáveis por expurgar o mundo dos pecados quando necessário, são criaturas bastante temidas, embora muitos acreditem neles apenas como lendas. A presença de um deles no mundo pode significar que muito sofrimento está por vir.



OS Senhores dos Dinossauros é mesmo muito mais que cavaleiros montados em dinossauros, embora todas as batalhas fiquem muito mais interessantes com eles. Não acho que o livro possa ser descrito como dark fantasy, mas, na história criada por Victor Milán, os heróis nem sempre agirão com justiça, nem mesmo estarão do mesmo lado, e coisas ruins acontecem com aqueles que não merecem. Um começo bastante promissor para uma trilogia que parece só ter a crescer nos próximos livros.


Fontes Utilizadas: www.intocados.com


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