quarta-feira, 15 de maio de 2013

Resenha - O Guardião (Nicholas Sparks)


Eu não tenho o costume de fazer resenhas de livros de romance, porém quando procurei me atualizar com os livros mais lidos atualmente eu me impressionei ao saber que esse é o maior sucesso de venda de Nicholas Sparks no brasil neste mês de Maio.

O Guardião (The Guardian) foi publicado em 2003 e apenas 10 anos depois está fazendo todo esse sucesso, mas a verdade por de trás de O Guardião é que na verdade ele já foi publicado no Brasil em 2003 com o nome de Laços que Perduram. Na época o livro não teve grande aceitação do publico mas, de lá para 2013 o nome de Nicholas Sparks teve um impulso ainda maior devido as adaptação ao cinema de um de seus livros.

Querido John foi lançado em 2007 e recebeu uma adaptação ao cinema 3 anos depois estrelado por Channing Tatum e Amanda Seyfried. O filme foi um grande sucesso e o livro é um dos mais vendido de Nicholas até então. O que muitos não sabem é que ainda antes de 2003 Nicholas Sparks teve outros dois romances adaptados para o cinema e que na minha humilde opinião foram melhores filmes que o sucesso de bilheteria Querido John. Esses filmes foram "Uma carta de amor" estrelado por ninguem menos que Kevin Costner e "Um Amor para Recordar" que se tornou um dos mais belos romances da história do cinema, comparado apenas a "Amor Sem Fim" (Endless Love) de 1981.


Sem  mais delongas, falemos sobre O Guardião.




Sinopse

Quarenta dias após a morte de seu marido, Julie Barenson recebe uma encomenda deixada por ele. Dentro da caixa, encontra um filhote de cachorro dinamarquês e um bilhete no qual Jim promete que sempre cuidará dela.

Quatro anos mais tarde, Julie já não pode depender apenas da companhia do fiel Singer, o filhotinho que se tornou um cachorro enorme e estabanado.

Depois de tanto sofrimento, ela enfim está pronta para voltar a amar, mas seus primeiros encontros não são nada promissores. Até que surge Richard Franklin, um belo e sofisticado engenheiro que a trata como uma rainha.

Julie está animada como havia muito tempo não se sentia, mas, por alguma razão, não consegue compartilhar isso com Mike Harris, seu melhor amigo. Ele, por sua vez, é incapaz de esconder o ciúme que sente dela.

Quando percebe que seu desconforto diante de Mike é causado por um sentimento mais forte que amizade, Julie se vê dividida entre esses dois homens. Ela tem que tomar uma decisão. Só não pode imaginar que, em vez de lhe trazer felicidade, essa escolha colocará sua vida em perigo.

O guardião contém tudo o que os leitores esperam de um romance de Nicholas Sparks, mas desta vez ele se reinventa e acrescenta um novo ingrediente à trama: páginas e mais páginas de muito suspense.


Sobre o Livro

Esse poderia ser mais um livro do Nicholas Sparks, mas não é. Eu não sou o maior fã do autor mas sei que ele tem quedas por livros com finais trágicos ou matar seus personagens, porém com "O Guardião" ele deu um toque diferente e que nos envolve demais na trama: o suspense/thriller, que é o ingrediente que me fascina demais nos livros.

O começo da história mostra a vida difícil que Julie teve, principalmente depois da morte de seu marido, Jim. Ele deixa encomendado um filhote de cachorro para ela e que só é entregue depois de sua morte, tornando Singer seu maior companheiro. Singer é um cão especial, já que ele é seu protetor e amigo.

Depois de alguns anos após a morte de Jim, Julie com então 29 anos começa a voltar a ter encontros amorosos novamente, mas nenhum lhe chamou a atenção em especial até que aparece Richard, um engenheiro lindo, charmoso e que a trata super bem. Julie sai algumas vezes com Richard e até sente uma afinidade porque tiveram uma vida parecida, mas isso é o que ela pensa.

Porém, Mike, o melhor amigo de Jim com 34 anos, é apaixonado por ela já a algum tempo e ela começa a se sentir atraída por ele porque Mike esteve do seu lado e a apoiou sempre que precisou. Mike é um fofo, tímido e que demora muito tempo para se declarar. As cenas entre eles são super lindas e eles vão descobrir que a amizade entre ambos se transformou em amor e viverão felizes para sempre, será? rs

Não é tão fácil assim porque Richard é um psicopata!!!!!!! Ele começa a perseguir Julie em todos os locais e ela fica apavorada (até eu ficaria, em muitos momentos do livro eu fiquei com o coração na mão). Ele não se conforma que Julie o rejeitou e a quer de qualquer jeito, não importando as consequências.

O autor caprichou no thriller, me surpreendeu muito. No decorrer da história entra em ação a policial Jennifer que fará toda a diferença na investigação porque até então a polícia não tinha feito nada para ajudá-los. O Richard é um louco e depois vamos descobrindo mais sobre o seu passado e as coisas que ele já foi capaz de fazer, o que dá razão ao ditado: as aparências enganam.

O livro é narrado em terceira pessoa e flui super bem. Do meio para o fim do livro é dificil parar de ler porque se torna bem envolvente e intenso. A trama é super bem bolada e as cenas finais são de tirar o fôlego como um bom thriller deve ser. Fiquei impressionado com esse lado do Nicholas, pois senti diferentes emoções em um único livro. Tomara que ele continue escrevendo mais livros nesse estilo.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Os rituais diários de grandes escritores

O que os hábitos e manias de autores de sucesso nos ensinam sobre produtividade

Uma das fórmulas mais eficientes para se tornar improdutivo é passar o dia lendo sobre produtividade. A internet e as prateleiras de autoajuda estão cheias de textos que querem nos ensinar a trabalhar melhor. Seus conselhos muitas vezes se contradizem. Compará-los é uma tarefa para várias tardes ociosas, que poderiam ser aproveitadas de outras formas — trabalhando, por exemplo. Além de nos transformar em crianças que apontam todos os lápis impecavelmente em vez de fazer a lição de casa, esses métodos infalíveis têm procedência duvidosa. Os gurus da produtividade fazem pouco. Costumam se dedicar exclusivamente a divulgar suas técnicas e a fazer fortunas com elas, em vez de usar os tais hábitos extraordinários de trabalho para construir algo admirável. Não é, convenhamos, uma existência muito produtiva.

Talvez por duvidar dos mercadores da produtividade, o escritor americano Mason Currey buscou inspiração noutro tipo de guru. Obcecado pela rotina diária de grandes artistas, ele decidiu reunir informações sobre seus métodos de trabalho. O resultado da pesquisa está no livro Daily rituals (Knopf, 304 páginas), recém-lançado nos Estados Unidos. "Quase todos os dias da semana, por um ano e meio, eu acordei às 5h30 da manhã, escovei os dentes, tomei uma xícara de café e me sentei para escrever sobre como as mentes mais brilhantes dos últimos quatro séculos se dedicavam a essa mesma tarefa — encontrar tempo para fazer seu melhor trabalho e organizar seus horários para trabalhar de forma produtiva e criativa." O resultado é um simpático almanaque biográfico, com detalhes mundanos sobre 161 mentes geniais, e um guia de produtividade capaz de consumir alguns dias de preguiça.

Ao contrário dos gurus marqueteiros, os escritores estudados por Currey têm em suas obras argumentos irrefutáveis para provar que seus métodos de trabalho funcionam. Gostamos de imaginar autores geniais numa realidade paralela, em que a imensidão do talento faz a obra brotar pronta. A realidade é menos mágica e, por isso, mais impressionante. Em algum momento do dia, entre afazeres domésticos e problemas do cotidiano, o escritor russo Liev Tolstói (1828-1910) reservou um tempo longe de sua mulher e de seus filhos para começar a escrever Guerra e paz. Depois, teve de criar uma rotina diária para conseguir completar a obra. Seu grande triunfo literário não existiria sem a vitória modesta sobre as distrações do cotidiano. Os hábitos dele e de outros escritores podem servir como inspiração para uma vida mais grandiosa. Ou ao menos como um argumento para manter a concentração no trabalho, em vez de clicar no próximo artigo de autoajuda.

Encontre uma posição confortável e permaneça nela 

Entre as qualidades importantes para um aspirante a escritor, o autor americano Philip Roth se deteve num talento prosaico. “Uma habilidade que todo escritor precisa ter é a capacidade de sentar quieto, nessa profissão profundamente monótona”, disse ele, numa entrevista em 1987. Roth subestimou seus colegas. Mesmo autores incapazes de parar sentados por um minuto conseguiram produzir grandes obras ao longo de suas carreiras, cada um na sua postura favorita. Alguns sequer se davam ao trabalho de levantar. O escritor francês Marcel Proust (1871-1922) escreveu Em busca do tempo perdido deitado na cama, com a cabeça apoiada em dois travesseiros. Décadas depois, o jornalista americano Truman Capote (1924-1984) também escreveu seus livros na horizontal, esticado na cama ou no sofá, com um cigarro numa das mãos e um café (ou um martíni) ao lado.

Outros preferiam escrever em pé. O americano Ernest Hemingway é o mais célebre, mas não o único. O romancista Thomas Wolfe (1900-1938), de dois metros de altura, criou o hábito de escrever em pé, usando o topo de um refrigerador como apoio. Outro caso folclórico é o do filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard (1813-1855), que dividia seu tempo entre a mesa de trabalho e as caminhadas nas ruas de Copenhague. Quando uma ideia importante surgia no meio de um passeio, ele voltava correndo para casa e escrevia em pé, debruçado sobre a mesa, sem ao menos tirar o chapéu ou largar o guarda-chuva.

Defenda seu santuário — se precisar de um

Alguns escritores são mais vulneráveis às distrações do cotidiano do que outros. O alemão Thomas Mann (1875-1955) não encontrava sossego para escrever seus romances se não proibisse sua mulher e seus seis filhos de entrar no escritório. O inglês Charles Dickens (1812-1870), apesar de muito produtivo, só conseguia trabalhar em silêncio absoluto, numa mesa cuidadosamente decorada e de frente para uma janela. O americano Jonathan Franzen, além do barulho, teve de aprender a enfrentar as distrações da modernidade. Seu primeiro grande romance, As correções, foi escrito num quarto escuro, com fones de ouvido para isolar o barulho e um computador sem acesso à internet.
Um bom exemplo de concentração inabalável é a inglesa Jane Austen (1775-1817), que morava com a mãe, a irmã, uma amiga e três criadas numa casa que recebia visitas constantes. As interrupções não a impediram de escrever romances como Orgulho e preconceito em pequenos pedaços de papel, que ela escondia para dar atenção aos convidados. Outro caso que merece atenção é o americano Joseph Heller (1923-1999), que escrevia na mesa da cozinha enquanto sua mulher assistia à televisão. Ele demorou oito anos, mas conseguiu terminar seu romance mais famoso, Catch-22.

Renda-se às suas manias 

Para despertar sua criatividade, não é raro que autores recorram a hábitos excêntricos. Thomas Wolfe, o mesmo que escrevia de pé apoiado no refrigerador, gosta de ficar nu para despertar sua energia masculina (tente não imaginar a cena). Outro exemplo insólito é o do poeta alemão Friedrich Schiller (1759-1805), que guardava maçãs velhas em sua gaveta e usava o cheiro podre como estímulo para a escrita. A escritora de suspense Patricia Highsmith (1921-1995) tinha um costume mais comum — o de beber uma dose de vodca antes de escrever. Não demorou muito para que ela desenvolvesse uma resistência ao álcool. Ela aumentou as doses e começou a usar uma caneta para marcar, na garrafa, seus limites de consumo diário. A técnica inusitada a torna digna de uma menção especial, em meio a tantos outros escritores viciados em café, álcool e cigarros.

Faça tudo na hora certa  

Nunca houve — e provavelmente jamais haverá — um levantamento estatístico sério sobre os horários favoritos dos grandes escritores do passado. Uma leitura rápida de Daily rituals evidencia uma predileção pelo silêncio das manhãs. A rotina diária da maioria dos escritores citados no livro começa com um café antes do amanhecer e longas horas de trabalho até a refeição seguinte. Os defensores das manhãs são fervorosos. "Não acredito em escrever à noite, porque a escrita vem fácil demais", disse o alemão Günter Grass. O poeta anglo-americano W. H. Auden (1907-1973) foi mais incisivo: "Somente os Hitlers do mundo trabalham à noite; nenhum artista honesto o faz."
Apesar da militância matutina, as noites embalaram o trabalho de alguns autores consagrados. Proust só acordava por volta das 16h. Deitado em sua cama, escrevia ao longo da madrugada, com a ajuda de tabletes de cafeína, e tomava calmantes quando decidia dormir. O alemão Franz Kafka (1883-1924) também atravessava madrugadas. Ele só começava a escrever às 22h30, em sessões que às vezes se estendiam até as 6h. Como trabalhava de manhã numa seguradora, ele tinha de dormir à tarde para manter sua rotina.

Também não se pode descartar um grupo intermediário, mais raro, de escritores que preferem as tardes. James Joyce (1882-1941) é o mais ilustre deles. O escritor irlandês acordava às 11h, começava a escrever depois do almoço e reservava a noite para frequentar restaurantes e cafés. Foi assim que escreveu Ulysses, ao longo de sete anos, somando 20 mil horas de trabalho, nas suas contas. O dramaturgo Samuel Beckett (1906-1989), outro irlandês, também usava as tardes para trabalhar. Gostava de aproveitar as noites para perambular por bares e se entupir de vinho barato.

Aprenda a deixar para amanhã 

Um dos escritores mais prolíficos da história, o francês Honoré de Balzac (1799-1850) tinha uma rotina de trabalho tão incomum que é impossível dizer se ele preferia as noites ou as manhãs. Ele jantava às 18h e ia dormir em seguida. Acordava às 1h e trabalhava até as 16h embalado por dezenas de xícaras de café, com uma pausa às 8h para uma soneca de uma hora. Sua paixão doentia pelo trabalho era semelhante à de Voltaire (1694-1778), que começava a escrever antes mesmo de sair da cama, com a ajuda de uma secretária a quem ditava seus textos. Ele chegava a trabalhar 20 horas num dia.
Felizmente, é possível garantir um lugar na história da literatura universal trabalhando por muito menos tempo do que Balzac ou Voltaire. Com seis filhos e uma mulher para disputar sua atenção, Thomas Mann só conseguia dedicar três horas por dia à escrita. O americano Henry Miller (1891-1980), viciado em trabalho no início de sua carreira, também aderiu a uma rotina mais suave depois de envelhecer. Passou a não escrever nada depois do meio dia, e desenvolveu o hábito de abandonar a máquina de escrever “enquanto ainda tinha algo a dizer.”

Repita tudo de novo 

"O talento é algo maravilhoso, mas não é capaz de carregar quem desiste." A frase do americano Stephen King, mestre da literatura de terror, evidencia a importância que ele atribui à persistência para o sucesso na carreira literária. King segue sua própria fórmula. Ele é conhecido por escrever duas mil palavras todos os dias, incluindo feriados e seu aniversário. A disciplina para a repetição é uma das poucas características comuns a quase todos os escritores cuja rotina é esmiuçada em Daily rituals. Hemingway acordava todos os dias antes do amanhecer, mesmo quando se embebedava na noite anterior. O poeta irlandês W. B. Yeats (1865-1939) se obrigava a trabalhar ao menos duas horas por dia, por menor que fosse sua vontade. Tolstói também fazia questão de escrever todos os dias, “nem tanto pelo sucesso de meu trabalho, mas para não sair de minha rotina”, como registrou num de seus diários.

Aos que têm dificuldade para seguir uma rotina, o romancista francês Gustave Flaubert (1821-1880) é um exemplo encorajador. Ele acordava às 10h, mas normalmente só conseguia começar a escrever às 22h. O barulho do dia o distraía facilmente. Muitas vezes ele reclamava de seu progresso lento. Numa semana inteira de trabalho, enquanto escrevia o romance Madame Bovary, só conseguiu completar duas páginas. Mesmo assim, perseverou até terminar a obra, e justificou-se: “Apesar de tudo, o trabalho ainda é o melhor meio de fazer a vida passar."

terça-feira, 7 de maio de 2013

Grandes Escritores e suas Grandes Obras (Parte 4) - Herman Melville & Moby Dick

Moby Dick é uma história que já pertence ao imaginário popular, a saga da gigantesca baleia branca que aterroriza os mares e todos que nele se aventuram. O texto de Herman Melville foi publicado em 1851 e se tornou uma das mais importantes obras literárias da língua inglesa. A aventura épica é narrada por Ismael, um marinheiro a bordo de um navio baleeiro. A embarcação é comandada pelo insano capitão Ahab, que fará de tudo, até sacrificar a própria vida e a da tripulação, na sua busca obsessiva por uma baleia branca que arrancou uma de suas pernas. “Moby Dick” esconde sob a aventura narrada várias metáforas, simbolismos e questões filosóficas. A obra é vista como um marco no gênero, um clássico que influenciou o nascimento de outros grandes livros de aventuras, como os escritos por Joseph Conrad e Júlio Verne, entre outros.

O nome da obra se refere ao do cachalote enfurecido, de cor branca, que havendo sido ferido várias vezes por baleeiros, conseguiu destrui-los todos. Originalmente foi publicado em três fascículos com o título de Moby-Dick ou A Baleia em Londres no ano de 1851, e ainda no mesmo ano em Nova York em edição integral. O livro foi revolucionário para a época, com descrições intricadas e imaginativas das aventuras do narrador - Ismael, suas reflexões pessoais, e grandes trechos de não-ficção, sobre variados assuntos, como baleias, métodos de caça a elas, arpões, a cor branca (de Moby Dick), detalhes sobre as embarcações e funcionamentos, armazenamento de produtos extraídos das baleias.


A obra foi inicialmente mal-recebida pelos críticos, assim como pelo público, mas com o passar do tempo tornou-se uma das mais respeitadas da literatura em língua inglesa, e seu autor é agora considerado um dos maiores escritores estadunidenses.
O livro abre-se com uma das mais famosas citações da língua inglesa: "Chamai-me Ismael."



Sinopse - Moby Dick - Herman Melville

Na cidade de New Bedford, em Massachusetts, o marinheiro Ismael conhece o arpoador Queequeg e, juntos, partem para a ilha de Nantucket em busca de trabalho no mercado de caça às baleias. Lá, eles embarcaram no baleeiro Pequod para uma viagem de três anos aos mares do sul. Entre eles, tripulantes de diversas nacionalidades: os imediatos Starbuck, Stubb e Flask; os arpoadores Tashtego e Daggoo, além de Ahab, o sombrio capitão que ostenta uma enorme cicatriz do rosto ao pescoço e uma perna artificial, feita do osso de cachalote. Obcecado por encontrar a fera responsável por seus ferimentos e que nenhum arpoador jamais conseguiu abater - a temível "Moby Dick" -, o capitão Ahab conduz o baleeiro e toda a sua tripulação por uma rota de perigos e incertezas.




 A história começa mesmo quando Ismael, já veterano do mar, decide embrenhar-se em um outro ramo da atividade marítima, a pesca de baleias. Para tal, viaja para uma região norte-americana especializada na referida pesca, e por vias, instala-se na hospedaria "O Espiráculo", onde conhece Queequeg, o seu melhor amigo. Embarcam no navio The Pequod, mas antes Ismael recebe um aviso de um homem velho que o capitão, conhecido como Ahab, é louco e muito se compara com o diabo e seu navio, como o inferno. Ahab possui "demônios". E também anuncia que tem um único e vedadeiro ódio: a baleia Moby Dick.


A viagem baleeira tem a previsão de três anos de duração. O interesse da tripulação do Pequod é a obtenção de lucro a partir da pesca de baleias para extração de gordura, espermacete - fino produto e amplamente usado na época - e outros sub-produtos da pesca. Todavia, o capitão Ahab tem por objetivo particular confrontar-se com Moby Dick, o cachalote responsável por arrancar-lhe a perna. Moby Dick é tido como um monstro pelos baleeiros, os quais, segundo o autor, evitam confrontar-se com ele quando o avistam. Melville vale-se de várias reflexões particulares para transformar o cotidiano de um navio baleeiro, bem como a pesca em si e as finalidades de tal labor (detalhes esses que o autor descreve exaustivamente) para construir uma metáfora acerca da condição do homem moderno.

A hora da batalha entre a razão humana e o instinto animal é começada. Em meio aos desdobramentos das
loucuras e acessos de raiva devido à ambição do Capitão, a baleia curiosamente se choca contra a quilha do navio, que entra em estado de instabilidade enquanto seus tripulantes tentam escapar, e aqueles que entraram nos botes para se confrontar com Moby Dick acabam tendo que esperar pela morte (pois todos os botes são destruídos).











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O final de Moby Dick é previsível, mas isso não tira pontos da obra, pois também é incessantemente surpreendente. Sabia-se que o destino não guardava flores para Ahab, e sim espinhos, pois a lição filosófica da obra é que o homem quando dá-se por extremamente ambicioso acaba perdendo tudo que mais preza, no caso da metáfora construída, o Pequod e a vida. Tendo seu melhor amigo Queequeg morrido naquele mesmo dia, Ismael estava sozinho em meio aos escombros e aos corpos (todos mortos). Pois que, quando não lhe restavam mais esperanças, o caixote onde Queequeg seria velado, segundo sua crença pagã, emerge da água para que o sobrevivente seja salvo. E, assim, ao gosto das ondas, o marinheiro é levado para casa. Tempos depois de ter vivido o sabor da sua amarga aventura e ter visto o quanto o homem pode ser tolo por razões tão naturais como o instinto animal, e criar seus fantasmas justamente por sua pretensão, Ismael não tem mais vontade de voltar para o mar. Deveras, já vira de tudo.

O romance foi inspirado no naufrágio do navio Essex, comandado pelo capitão George Pollard, quando este foi atingido por uma baleia e afundou. Essa história real inclusive já virou livro nas mãos do autor Nathaniel Philbrick, tendo esse ano sido anunciado uma adaptação ao cinema, mas falarei bem mais sobre isso num próximo post da série "Saindo do Papel".

Moby Dick no Cinema

Gregory Peck
Richard Basenhart
O livro já recebeu algumas adaptações ao cinema com Patrick Stewart, o eterno professor Xavier da trilogia X-Men, como o Capitão Ahab e outra adaptação também muito boa para a TV no ano passado, pela AMC, com Ethan Hawke  interpretando Ismael.
Eu particularmente considero o filme de 1956 a melhor, dirigido por John Houston, com Gregory Peck no papel do insano Capitão Ahab e  Richard Basenhart interpretando o narrador Ismael.


Herman Melville

Herman Melville (1 de agosto de 1819, Nova York - 28 de setembro de 1891, Nova York) foi um escritor, poeta e ensaísta norte-americano. Embora tenha obtido grande sucesso no início de sua carreira, sua popularidade foi decaindo ao longo dos anos. Faleceu quase completamente esquecido, sem conhecer o sucesso que sua mais importante obra, o romance Moby Dick, alcançaria no século XX. O livro, dividido em três volumes, foi publicado em 1851 com o título de A baleia e não obteve sucesso de crítica, tendo sido considerado o principal motivo para o declínio da carreira do autor.

Herman Melville foi o terceiro filho de Allan e Maria Gansevoort Melvill (que posteriormente acrescentaria a letra "e" ao sobrenome). Quando criança, Melville teveescarlatina, o que afetou permanentemente sua visão. Mudou-se com a família, em1830, para Albany, onde frequentou a Albany Academy. Após a morte do pai, em 1832, teve de ajudar a manter a família (então com oito crianças). Assim, trabalhou como bancário, professor e agricultor. Em 1839, embarcou como ajudante no navio mercanteSt. Lawrence, com destino a Liverpool e, em 1841, no baleeiro Acushnet, a bordo do qual percorreu quase todo o Pacífico. Quando a embarcação chegou às ilhas Marquesas, na Polinésia francesa, Melville decidiu abandoná-la para viver junto aos nativos por algumas semanas. As suas aventuras como "visitante-cativo" da tribo de canibais Typee foram registadas no livro Typee, de 1846. Ainda em 1841, Melville embarcou no baleeiro australiano Lucy Ann e acabou por se unir a um motim organizado pelos tripulantes insatisfeitos pela falta de pagamento. O resultado foi que Melville foi preso em uma cadeia no Tahiti, da qual fugiu pouco depois. Todos esses acontecimentos, apesar de ocuparem menos de um mês, são descritos em seu segundo livro Omoo, de 1847. No final de 1841, embarcou como arpoador no Charles & Henry, na sua última viagem em baleeiros, e retornou a Boston como marinheiro, em 1844, a bordo da fragata United States. Os dois primeiros livros renderam-lhe muito sucesso de crítica, público e um certo conforto financeiro.

Em 4 de agosto de 1847, Melville casou com Elizabeth Shaw e, em 1849, lançou seu terceiro livro, Mardi. Da mesma forma que os outros livros, Mardi inicia-se como uma aventura polinésia, no entanto, desenvolve-se de modo mais introspectivo, o que desagradou o público já cativo. Dessa forma, Melville retomou à antiga fórmula literária, lançando duas novas aventuras: Redburn (1849) e White-Jacket (1850). Nos seus novos livros já era possível reconhecer o tom visivelmente mais melancólico, que adotaria a seguir. Em 1850, Melville e Elizabeth mudaram-se para Arrowhead, uma quinta em Pittsfield, Massachusetts (atualmente um museu), onde Melville conheceu Nathaniel Hawthorne, a quem dedicou Moby Dick, publicado em Londres, em 1851. O fracasso de vendas de Moby Dick e de Pierre, de 1852, fez com que o seu editor recusasse o manuscrito, hoje perdido, The Isle of the Cross.

Herman Melville morreu em 28 de setembro de 1891, aos 72 anos, em Nova York, em total obscuridade. O obituário do jornal The New York Times registrava o nome de "Henry Melville". Depois de trinta anos guardado numa lata, Billy Budd, o romance inédito na época da morte de Melville foi publicado em 1924 e posteriormente adaptado para ópera, por Benjamin Britten, e para o teatro e o cinema, por Peter Ustinov.
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