sábado, 18 de agosto de 2012

Sangue Quente - Livro de Isaac Marion traz romance entre zumbi e humana

O que tem de errado comigo? Olho para minha mão e sua carne cinza e pálida, fria e dura, e sonho com ela rosa, quente e flexível, e que pode manejar, construir, acariciar. - R


Imagine um mundo pós-apocalíptico, dominado por zumbis. Mas zumbis de verdade mesmo, que se arrastam pelas ruas, gemem e comem cérebros. Esse é o mundo de Sangue Quente.

Ninguém sabe muito bem como começou. Tudo o que se sabe é que um dia, os mortos começaram a não morrer do jeito que deveriam, e ganharam uma “pós-vida”. Um desses “mortos-vivos” é R, um zumbi que mora em um aeroporto abandonado e vive caçando humanos para se alimentar. Porém, no universo criado por Isaac Marion, ao ingerir o cérebro da sua vítima (uma fina especiaria), os zumbis têm acesso temporariamente à memória daquelas pessoas.

E é justamente em uma dessas caçadas que R se vê dentro na mente de Perry, um dos humanos resistentes. Só que esta vez é diferente das outras… A atração pela mente do rapaz é tão forte, que ele reconhece – e salva – Julie, uma menina que estava junto com o grupo atacado. Contrariando todas as probabilidades, ele leva a garota para o seu esconderijo e promete protegê-la. A partir daí, passamos a conhecer um lado mais humano do personagem.

Quando eu comecei a ler esse livro eu confesso que não estava muito interessado pela história de romance, eu queria conhecer o  mundo criado por Isaac Marion. Eu sou fascinado por histórias de zumbi e esperava curtir uma história interessante sobre o assunto enquanto espero a terceira temporada de The Walking Dead, minha segunda série favorita, a primeira é Dexter e a terceira é Game of Thrones, mas o que encontrei foi um tanto que inusitado.

Confesso que não sou fã de livros românticas e como disse meu interesse ao ler o livro foi a ambientação do mundo de ficção criado em torno desse romance, porem o que mais me atraiu na história foi a própria jornada de R. Como qualquer zumbi ele se arrasta, geme e caça humanos para se alimentar apesar de não sentir prazer ao matar, mas é uma necessidade maior que sua vontade.

Seus dias eram sempre iguais, nem mesmo sabia quanto tempo ele ainda tinha até apodrecer, secar e simplesmente deixar de existir, sua vida não tinha muito sentido até que um dia em uma de suas caçadas, R acaba provando o cérebro de um jovem chamado Perry, e no meio de suas lembranças (Comendo o cérebro ele podia 'roubar' as lembranças das pessoas) estava ela, Julie...



R. que antes de conhecer Julie já aparentava ser diferente, pela sua consciência e questionamentos, passa a questionar ainda mais o que aconteceu com ele, e também sobre a forma como ele, um morto-vivo, leva a vida e começa a sentir gradualmente a necessidade de viver verdadeiramente.

“- Como pode mudar? Se todos começamos em branco, no mesmo estado, o que faz você diferente?-Talvez não estejamos em branco. Talvez os pedaços de nossas velhas vidas ainda nos moldem.-Mas não lembramos daquelas vidas e não conseguimos ler nossos diários.-Não interessa. Estamos onde estamos, independente de como chegamos aqui. O que importa é para onde vamos a seguir.-Mas nós podemos escolher?-Não sei.-Somos mortos. Será que podemos escolher alguma coisa?-Talvez se quisermos muito.”

É claro que a aproximação de um zumbi com uma humana põe abaixo todas as convenções estabelecidas. E cria muitos problemas, tanto para os vivos quanto para os mortos-vivos. Engolir esta ‘união’ é ainda mais difícil para os radicais, aqueles que defendem as regras estabelecidas ainda que não se favoreçam dela, e na comunidade zumbi eles são bem representados pelos ossudos (mortos-vivos que não tem carne em seu esqueleto).


Existem diversos detalhes do livro que me deixaram realmente agoniados, como o sexo entre zumbis, casamento entre zumbis e a escola de zumbis crianças, onde as ensinam como atacar um humano. Porém se remover esse detalhes, que espero não ver na adaptação ao cinema, eu gostei. O personagem principal da história realmente não alternou em nenhum momento após o fato que desencadeia a sua mudança, nesse ponto o Isaac Marion me cativou. Realmente adorei o R, ele é bem definido, mas digo isso baseado realmente na leitura do livro, pois se tentarmos regredir a história concerteza ele nunca deve ter sido tão delicado como quando foi introduzido na história.

Um dos pontos mais fascinantes do livro é o diálogo, os zumbis tem uma dificuldade enorme em se comunicar, tornando assim o diálogo bem primitivo e escasso. O livro é rico em detalhes e explicações.
Não posso deixar de mencionar o fato de que o pai julie não foi muito bem trabalhado, isso me decepcionou bastante. Os Ossudos são um tanto que intrigantes, criaturas muito misteriosas que o Isaac deu a entender que podem nunca ter sido humanos, criando um pequeno gancho para uma possível continuação. Porém o mais me decepcionou mesmo foi o fato que, quando chegando nas últimas páginas do livro, não pude ver uma boa conclusão para a história. Enfim, espero mais.

Se você gosta de romances que fogem do “arroz com feijão” com que estamos acostumados, a obra é sim, uma boa pedida! Mas se você precisa de mais um estímulo para devorar as suas páginas… Vale lembrar que o filme logo mais estará nas telonas do cinema! O que você está esperando?

Um comentário:

  1. Fiquei morrendo de curiosidade para ler o livro agors rsrsrs
    chega logo ferias de dezembro, para que eu posso me aventurar em novas historias

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