domingo, 13 de maio de 2012

A diferença crucial entre escrever livros e ser escritor.



Esta entrevista com o escritor português José Jorge Letria me fez pensar sobre uma pergunta crucial que todos que escrevem histórias de ficção devem se fazer:

Você quer escrever livros ou você quer ser escritor?

Sim, existe uma diferença muito grande entre um desejo e outro.



Se você quer escrever livros, você deseja ser um autor.

Você acredita que tem ideias interessantes, que podem resultar em boas histórias. Você acredita que algumas dessas histórias tem o potencial de despertar o interesse de um público grande o suficiente para atrair o interesse de uma editora. Sua maior meta é desenvolver a habilidade de manter o leitor interessado na sua história, da primeira linha até o último ponto final. Palavras são ferramentas para transmitir suas ideias e pensamentos.

Se você quer ser escritor, você deseja ser um pensador.

Você acredita que tem uma visão única sobre o mundo, que podem resultar em histórias que vão tocar a vida de outras pessoas. Você acredita que algumas dessas histórias têm o potencial de despertar mudanças reais na sociedade. Sua maior meta é desenvolver a habilidade de fazer o leitor sentir de verdade o drama dos seus personagens, da primeira linha até o último ponto final. Palavras são suas aliadas nos seus incansáveis esforços de dar sentido ao mundo.

Ainda está na dúvida se você quer escrever livros ou ser escritor? Então responda a essa pergunta: se você soubesse que nunca seria publicado, que ninguém além de algumas poucas pessoas leriam suas histórias, você as escreveria mesmo assim?

Se sua resposta é afirmativa, provavelmente você quer ser um escritor. Se sua resposta é negativa, grandes chances de que você está mais interessado em fama, reconhecimento ou dinheiro.

Se você decidir que quer ser escritor, abaixo estão 4 das dicas mais importantes que o José Jorge Letria dá nesse vídeo:

1. “Ser escritor é [...] um trabalho rigoroso e exigente. E que ninguém se convença que só por ter jeito ou habilidade consegue tornar-se escritor.”

2. “Raro é o dia em que eu não escreva. Com disciplina, com dedicação e com exigência. Só assim um autor pode conquistar o seu lugar e assumir-se também como um profissional daquilo que faz.”

3. “Escritor, como um músico, um pintor, como um coreógrafo [...] precisa de ter uma enorme dedicação, uma grande capacidade de entrega àquilo que escolheu para ser o seu trabalho.”

4. “Se quiserem ser escritores, escolham esse caminho sem hesitação, mas sempre com a convicção de que é preciso trabalhar muito para se merecer esse título.”

Assista a entrevista no vídeo abaixo.

E você, quer escrever livros ou ser escritor?

Postado originalmente no blog ficcao.emtopico.com

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Músicas para escrever



Quem gosta de escrever eventualmente se vê interessado pela maneira como trabalham os escritores já consagrados. Da formação acadêmica às técnicas empregadas, passando pelo material e ambiente de trabalho, informações sobre como nascem – e continuam a nascer – as grandes obras literárias podem ser bastante significativas para quem sonha em escrever uma, algum dia.

Todo o universo pode e vai inspirar um escritor: experiências vividas, imagens e sons, relacionamentos e, também, outras artes. É um sistema de troca complexo que acontece também com pintores ou os próprios músicos, mas esse assunto pode ser abordado em outra ocasião. Sendo assim, não é difícil encontrar declarações de escritores renomados que preferem, lançam mão de vez em quando ou até mesmo não dispensam uma atmosfera musical em seu ambiente de trabalho.

Há aqueles que selecionam um gênero musical específico, cujo clima combine bem com o trabalho a ser desenvolvido – gothic metal, rock and roll bem básico ou uma sequência de baladas. Outros preferem que as músicas reflitam seu próprio estado de espírito, sem que necessariamente tenham a ver com as palavras que surgem na tela ou no papel. Há os que não gostam de músicas com letras, ou elas devem ser em outro idioma, diferente do que está sendo usado no texto. Nesse caso, entram peças do período clássico, romântico, barroco, jazz, tribais... Os que escolhem músicas de acordo com o contexto social ou a época sobre a qual está criando, ou cuja forma coincida com a estrutura  da obra escrita – sonatas, minuetos...

Muitos recorrem às trilhas sonoras. Eis um departamento virtualmente infinito. Tem os que defendam a descoberta de um álbum que complementou aquele filme obscuro da década de 70, tanto quanto os que acham efetivo invocar um clássico nerd, como Senhor dos Anéis, Conan, Star Wars. Tem quem diga que vale até um Dark Knight, sem esquecer da recente obra-prima do Daft Punk, feita para o segundo Tron, se o negócio pender para um lado mais high tech. Para inspirar e surpreender, é só dar uma “escutada” nos filmes do Tarantino, ou no que rola na paisagem sonora das obras de Tim Burton. Ainda falando de trilhas, em se tratando de games, a lista pode ser igualmente rica e extensa: Bioshock, God of War, Fallout, o bom e nunca velho Doom.

Porém, um grande número de escritores e aprendizes pensa que uma música que foi concebida tendo outro conceito em mente, ou já é parte de alguma outra obra, pode influenciar seu próprio texto em demasia, comprometendo a originalidade. Como não pensar nas desventuras de Mulder e Scully ao ouvir a menor sugestão do tema de Arquivo X?

Até para esses casos existe solução. Neste site aqui você encontra um acervo de mais de 7.000 músicas compostas, em sua maioria, por artistas independentes. São peças de boa qualidade  que acompanham muito bem qualquer viagem literária. O mais interessante é que não só é possível selecionar as músicas por estilo, como também pelo sentimento (feel) que elas transmitem. Por exemplo, escolhendo o “feel”  Chill/Laid Back, você se depara com um painel contendo faixas instrumentais, em sua maioria inéditas, de caráter suave e calmo. O mesmo processo pode gerar uma lista “adventure”, “agressive”,  “cinematic”... É só montar sua playlist e escrever uma nova história com trilha sonora exclusiva.

Agora, se para criar você prefere mesmo o sagrado silêncio, e não mora no campo ou em uma praia deserta, resta seguir os passos de inúmeros outros escritores e encontrar abrigo na sempre inspiradora madrugada ...

sábado, 5 de maio de 2012

ANJOS DA MORTE, EDUARDO SPOHR, FILHOS DO ÉDEN


Cidade Noturna entrevista Eduardo Spohr
Em Entrevistas, maio 5, 2012 às 3:05 pm


Cidade Noturna: Com o sucesso de vendas do seu 1º livro, você se tornou modelo para muitos autores. No meio de conversas sobre quem seria o próximo Eduardo Spohr, me lembro de ouvir que nem você sabia se seria o próximo Eduardo Spohr. Passado o lançamento, podemos falar que Filhos do Éden chegou aonde você queria?

Eduardo Spohr: Eric, essa sua pergunta é muito legal e nos leva aquela questão que eu sempre digo. Sucesso é uma consequência. O foco sempre deve ser o trabalho, no nosso caso, o livro.

“Filhos do Éden” me surpreendeu bastante por atingir um público mais feminino e mais “teen”, fazendo que outros públicos conhecessem as minhas obras. Também acabou indo até melhor do que eu pensava nas vendas, mas no fundo isso não é tão importante, porque o foco, como eu disse, NUNCA pode ser os números, e sim o trabalho. Se é que eu posso dar um conselho nesse sentido, seria para as pessoas se concentrarem na obra, não nos frutos que ela possa gerar.

Cidade Noturna: Então vamos falar de trabalho. Já dá pra ter uma noção do tamanho da saga? Como anda a continuação do livro?

Eduardo Spohr: Sim. Estou mais ou menos na metade do livro 2, “Anjos da Morte”, e pelo que estou sentindo vai ser uma trilogia mesmo. Ainda quero escrever mais histórias nesse universo, mas se o fizer, serão em outras sagas, outros livros, outros arcos. Pelo andar da carruagem, “Filhos do Éden” fecha em três.

Já estou com a trama toda delineada, mas só mesmo quando a gente começa a escrever, surgem os detalhes. “Anjos da Morte” está se revelando um romance muito bacana de escrever porque está me permitindo fazer o que mais adoro: pesquisar, agora sobre o século XX. Para quem ainda não sabe, a obra contará o passado de Denyel, um dos personagens do primeiro livro, começando na Segunda Guerra Mundial até a queda do Muro de Berlim. Estou adorando trabalhar nisso

Cidade Noturna: Como a viagem de pesquisa que você fez para a Europa influenciou as ideias para o próximo livro? Teve algo que te chamou muita atenção e você pensou “preciso usar isso!” ou você já tinha os alvos mais ou menos em mente?

Eduardo Spohr: Sempre ajuda, mas nem sempre de forma consciente. Parece loucura, mas você estar em um lugar e pesquisar “in loco” faz toda a diferença. Mesmo antes de viajar, eu já tinha o roteiro do livro, mas depois, quando comecei a escrever, os detalhes foram aparecendo justamente pelo fato de eu ter estado lá, coisas como o cheiro, o clima, e principalmente as pessoas, afinal cada povo tem sua cultura, sua forma de tratar os outros, de se comportar, coisas que dificilmente são mostradas num livro de história. A maior parte dos cenários de “Anjos da Morte” se passa em cidades que eu já visitei, como Londres, Paris, Istambul e Roma.

Cidade Noturna: O seu 1º livro, A Batalha do Apocalipse, está dando os primeiros passos no mercado europeu. Pode falar um pouco de como se dão as negociações e do friozinho na barriga de chegar a novos países como um nome desconhecido depois de experimentar o sucesso no Brasil?

Eduardo Spohr: Não sinto friozinho na barriga não hehehe. Acho o maior barato. Outro dia participei de uma ação (uma espécie de chat) na fanpage da Presença (a minha editora em Portugal).

Tinha pouca gente, já que o meu público lá ainda está se formando. E posso dizer que adorei. Me lembrou do tempo que eu estava começando aqui no Brasil, quando tinha poucos leitores. Para mim é sempre uma experiência nova, cativante. Curto cada momento.

Cidade Noturna: Você foi considerado pela revista Época uma das 100 pessoas mais influentes de 2011. Isso te fez repensar sua postura na Internet? Pergunto isso porque você de fato interage com os fãs em mídias sociais como Facebook e Twitter e também no bom e velho blog.

Eduardo Spohr: Sinceramente não. Até porque o bacana das mídias sociais é a espontaneidade. Se eu mudasse por causa disso, não estaria sendo espontâneo. Creio que os meus leitores até esperam isso de mim, certa sinceridade na internet.

Cidade Noturna: Uma das apostas para e-books de literatura especulativa é que os leitores possam dar feedback em tempo real sobre os personagens que gostam ou detestam em um livro. Como autor, você levaria esse feedback em conta na hora de escrever a continuação de “Herdeiros de Atlântida”?

Eduardo Spohr: Com certeza, estou sempre de olho nos feedbacks. No Twitter, já recebo feedbacks em tempo real, e o resto vai chegando pelo Facebook, pelo blog, e-mail e até pelo Orkut, que ainda resiste. Uso essas críticas não para alterar a trama em si (essa, como eu disse, já está traçada), mas para melhorar meu estilo.

Confira aqui a Página Oficial de Cidade Noturna
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...