sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Quero Publicar Um Livro - Por onde começar?

Se você quer publicar um livro e não sabe por onde começar, saiba que as antologias são uma boa pedida para ingressar no mercado editorial. Composta por um conjunto de poesias, contos, ensaios ou crônicas selecionadas de diversos autores iniciantes, elas são mais baratas e um meio de viver a experiência de ter algo publicado. Para José Renato Nalini, presidente da Academia Paulista de Letras, é mais fácil entrar numa antologia. "A criação é mais simples, o autor usa poucas páginas e deve ter uma mensagem sedutora para prender o leitor. Com a antologia, o autor pode se aprimorar e desenvolver um livro depois com mais qualidade". Outra característica positiva na visão dele é a identificação com o leitor. "Neste tipo de leitura, o autor pode encontrar um leitor que tenha afinidade com o seu texto. É estimulante para o escritor e assim outros textos serão criados com mais prazer", opina Nalini
A assistente de comunicação, Carla Carniel, é prova de que a antologia é uma maneira mais fácil de ter acesso à experiência de ver a obra dentro de um livro. Carla, que começou a escrever contos curtos e poemas com 12 anos, conseguiu este ano fazer parte da antologia "Sentido Inverso", da editora Andross, com 35 autores e 143 poemas. "Fiquei muito feliz em ter sido selecionada. Eu, que não levava muito a sério e não me preocupava com o lado profissional, já tenho outros projetos para levar adiante", comemora.
A jovem escritora, que ganhou estímulo para apostar em seus contos, pretende encaminhar mais obras para algumas editoras. Com a experiência de ter material publicado, Carla passa as dicas para quem escreve e também deseja tentar a sorte numa editora. "A descrição e os detalhes num texto são fundamentais e prendem os leitores. Aprendi a aprimorar meu trabalho lendo", afirma. Outra característica que Carla considera fundamental para o texto é a imaginação. "Deixe a imaginação fluir naturalmente e não se prenda ao que escreve. Se não gostar do resultado, pegue outro papel e comece tudo de novo", aconselha.
O também jovem escritor Douglas Donisete Seif de Avelar defende o que vive no cotidiano como aliado e muitas vezes como inspiração para escrever. "Conheça o ser humano, aproveite as situações e os momentos, ouça o que as outras pessoas dizem e seja atencioso. Prestar atenção ao que acontece ao nosso redor pode gerar boas histórias, a depender do ponto de vista de cada um", diz.
João Scortecci, diretor-presidente do grupo editorial Scortecci, aconselha os jovens escritores a participarem de atividades que permitam contato com outros profissionais da área. "Oficinas literárias, bate-papo com outros escritores, cursos, palestras, bienais de livros e concursos são recomendações para quem deseja ganhar experiência". Apesar de não ser fácil adquirir experiência, ele recomenda a participação. "É bom para o escritor ganhar conhecimento e uma forma de interação", diz. A escritora Vanessa Barbara, que já participou de oficinas e concursos, também indica a participação em ambos. "As oficinas são divertidas e tem como aprender muita coisa, já os concursos são saudáveis e podem render material. Embora, na minha opinião, a leitura seja determinante para quem escrever", explica Vanessa.

O editor chefe, da editora Tmaisoito, Tomaz Adour, divide a mesma opinião de Scortecci quanto aos concursos literários. "Mesmo que seja um concurso menor de uma cidade pequena é bom começar a se interessar por isso. Desta forma, o escritor vai se aprimorar e o texto terá mais qualidade", declara.
Para José Renato Nalini, a principal dica é estar ciente de que o seu trabalho é bom, além de conhecer e dominar as regras da língua portuguesa. "Conhecer a gramática, entender de concordância, ter boa grafia, saber explorar as figuras de estilo, transmitir coisas agradáveis, possuir assunto que instigue e ter tema atraente são qualidades que merecem destaque. Tudo isso precisa estar dentro de um bom relato, caso contrário, o escritor não prenderá o leitor", explica Nalini.
Na visão de Nalini, o único fator que pode desestimular o leitor é tentar ganhar dinheiro no mercado editorial. "O Brasil é um país periférico e de pouca cultura. Tem um grande número de analfabetos. Se o escritor deseja sobreviver dos seus escritos vai morrer de fome. O mercado é melhor para quem edita, não para quem escreve", explica. Scortecci segue com a mesma concepção de mercado de Nalini. "Ganhar dinheiro é difícil, não é o lugar mais adequado para quem busca renda. Isso vale para todo o mercado cultural brasileiro", acrescenta.

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